quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Fixação - Capítulo 59
Cena 1/ Pousada/ Quarto de Isadora/ Interno/ Dia
LUANA: Sua desgraçada.
ISADORA: Eu perdi a cabeça, mas esse tapa fica de prévia para você saber o que acontece quando alguém aparece no meu quarto para me ofender.
LUANA: De qualquer forma, como uma profissional de respeito, como você mesma enche a boca para dizer, você não podia se envolver com o Tiago. Nem com ninguém que esteja envolvido na morte da Amanda.
ISADORA: Eu sei muito bem quem está por trás do assassinato da Amanda. Eu tenho provas. E eu te garanto com toda a certeza que o Tiago é inocente, caso você pretenda me envenenar contra ele usando como argumento a morte da Amanda.
LUANA: De fato, você sabe quem atirou. Mas nunca passou pela sua cabeça que o atirador só tenha feito isso a mando de outra pessoa? Todos levantaram a hipótese de que o Alexandre matou a Amanda por ciúme. Crime passional. Quem garante que o Tiago também não tenha feito isso? Eu sinceramente não me lembro de tê-lo visto o tempo todo na festa.
ISADORA: Como você é baixa. Acusando o seu próprio marido, o homem que você diz amar, de um assassinato.
LUANA: Caso o que eu tenha dito não sirva de ameaça para você, eu te denuncio. Eu acabo com teu emprego de delegada, alegando que você está se aproveitando de uma investigação para começar um caso com meu marido.
ISADORA: Realmente, você não presta.
LUANA: Não presto mesmo. Então, não brinca comigo. Para defender o que é meu, eu ataco, sem dó nem piedade. Então, é melhor você terminar com o Tiago o mais rápido possível, se não eu acabo com a tua carreira profissional. Esteja avisada.
(Luana sai)
Cena 2/ Paisagens de Dourados/ Noite
(Toca Silhouettes – Avicii)
Cena 3/ Restaurante/ Interno/ Noite
(Luiza e Vitor estão sentados à mesa, frente a frente)
LUIZA: O que você quer?
VITOR: Não vai pedir nenhuma bebida?
LUIZA: Eu não vim aqui para beber, e sim para se encontrar com você. E só uma ressalva: um encontro forçado, por que se dependesse de mim, eu não estaria aqui.
VITOR: Por isso que mandei meu advogado falar com você. Porque, assim, você se sentiria pressionada a se encontrar comigo.
LUIZA: Fala logo o que você quer.
VITOR: Eu quero o meu filho. Eu quero o Marquinhos perto de mim.
LUIZA: Nunca. Você não quis saber dele quando eu anunciei a gravidez. Sem falar que o Marquinhos já tem um pai muito melhor do que você.
VITOR: Luiza, eu posso até abrir mão definitivamente do meu filho, mas sob uma condição.
LUIZA: Condição? Quem é você para dar alguma condição?
VITOR: Eu desisto do Marquinhos, mas você terá que desistir do Felipe. eu não quero que meu filho seja criado por aquele nerdzinho estúpido. O que você me diz?
LUIZA: Você acha mesmo que eu irei aceitar essa condição estúpida? Olhe aqui o que eu penso sobre ela.
(Luiza cospe na cara de Vitor. Ela se levanta)
LUIZA: Eu tenho nojo de você, Vitor. NOJO!
(Luiza sai)
Cena 4/ Mansão Amorim/ Sala de estar/ Interno/ Noite
(Mirna e Vera estão sentadas em um sofá, lado a lado)
VERA: Mirna, eu estou tão preocupada. Já era para o Solano ter chegado.
MIRNA: Acalme-se, dona Vera. Daqui a pouco, ele toca essa campainha. A senhora vai ver.
(A campainha toca. Vera levanta-se)
VERA: Deve ser ele, Mirna. Deixa que eu atendo.
(Vera abre a porta e dá de cara com Solano. Ele sorri e põe as duas malas no chão)
SOLANO: Demorei?
VERA: Bastante.
(O casal se beija)
MIRNA: Seja bem vindo, Solano.
(Solano entra e Vera fecha a porta)
VERA: Eu faço questão de mostrar o nosso quarto.
SOLANO: Nosso?
VERA: Claro. Você vai dormir comigo. Vem.
(Solano e Vera sobem a escada)
Cena 5/ Paisagens de Dourados/ Dia
(Toca Never Let me Go – Florence)
Cena 6/ Hospital/ Sala de doação/ Interno/ Dia
(Tiago, Celso, Lara e Marta estão sentados em suas respectivas poltronas, doando sangue, acompanhados de dois enfermeiros)
Cena 7/ Hospital/ Sala de espera/ Interno/ Dia
(Marta, Celso, Tiago e Lara entram)
MARTA: Obrigado pelo o que vocês fizeram. Esse sangue vai ajudar bastante o pai de todos vocês.
TIAGO: Alguém trouxe uma câmera? Precisamos filmar esse momento da mamãe agradecendo. Acontece uma vez a cada século.
MARTA: Que piada mais idiota, Tiago. Fico desapontada por ter sido um filho meu quem tenha dito. Bom, eu soube que o Caio voltou para o quarto. Irei vê-lo. Alguém me acompanha?
(O telefone de Tiago toca. Ele atende e se afasta)
CELSO: Vamos visitá-lo, Lara?
LARA: Claro.
(Tiago se aproxima dos outros três, pondo o celular no bolso)
TIAGO: Infelizmente, não poderei acompanhá-los. Era a delegada Isadora ao telefone. Ela quer conversar comigo urgentemente.
Cena 8/ Hospital/ Quarto de Caio/ Interno/ Dia
CAIO (deitado): Não acredito que todos vocês doaram sangue para essa transfusão.
MARTA: Na verdade, só o sangue de um de nós que será utilizado para repor o seu. O médico preferiu que todos nós fizéssemos a doação simultaneamente, para que, caso ocorresse problema um, não perdesse muito tempo na convocação de outro.
CAIO: Você também doou, Lara?
LARA: Sim. Eu sou sua filha, não sou?
MARTA: Infelizmente.
CAIO: Mas uma dessa, eu mando proibirem suas visitas, Marta.
Cena 9/ Mansão Bertolin/ Quarto de Luiza e Felipe/ Interno/ Dia
FELIPE: Eu não acredito que o Vitor foi capaz de fazer uma ameaça baixa como essa. E você aceitou?
LUIZA: Claro que não, Felipe. Eu cuspi na cara dele, isso sim.
FELIPE: Mas você não fica com medo de perder o Marquinhos?
LUIZA: Isso nunca vai acontecer. Não foi você mesmo que disse que nós somos um família? Então. Vamos enfrentar esse obstáculo juntos.
(Felipe beija Luiza)
Cena 10/ Pousada/ Quarto de Ludmila/ Interno/ Dia
LUDMILA (para si): Ainda não me conformo de terem proibido as minhas visitas. Mas eu preciso ficar perto do Caio para eu me vingar da Marta e da Lara. E, para isso, eu já sei o que fazer. Terei que arranjar um emprego naquele hospital.
(Ludmila pega um jornal que estava em cima da mesinha de centro e olha fixamente para a página de classificados, onde está escrito um anúncio: “Precisa-se de faxineiras no Hospital Municipal de Dourados”. Ludmila dá um sorriso)
Cena 11/ Mansão Amorim/ Quarto de Vera/ Interno/ Dia
(Vera acorda e olha para Solano, que também está acordado)
VERA: Bom dia.
SOLANO: Bom dia.
VERA: Como passou a noite?
SOLANO: Foi ótima. Na verdade, quase não dormimos, não é mesmo?
VERA: Verdade.
(Vera beija Solano)
VERA: Bom, vou ao banheiro. Você me acompanha no banho?
SOLANO: Claro.
(Vitor entra e se depara com a mãe e Solano deitados na cama)
VITOR: Mas o que significa isso?
VERA: Sem confusão, Vitor. Eu avisei a você que o Solano se mudaria para cá.
VITOR: Mas eu não imaginei que vocês dois fossem dividir a mesma cama, como se fossem um...
VERA: Casal? Nós somos um casal, Vitor. Um casal de namorados bastante apaixonados.
VITOR: Isso é ridículo.
VERA: Ridículo foi você não ter assumido a sua responsabilidade de ser pai quando a Luiza contou que estava grávida de um filho seu. E mesmo achando seu comportamento inadequado, nunca critiquei você por isso.
VITOR: Mas é bastante diferente.
VERA: Claro que é diferente. O meu comportamento de estar namorando e amando um homem mais novo do que eu não é inadequado.
VITOR: Independentemente do lugar onde meu pai esteja, ele deve estar muito desgostoso com isso.
VERA: Seu pai morreu, Vitor. Você sabe como eu demorei a perceber isso, mas eu percebi. Parece que você não. Agora, saia do meu quarto. JÁ!
(Vitor sai)
SOLANO: Não precisava ser agressiva com ele, Vera.
VERA: Só assim que o Vitor entende as coisas.
Cena 12/ Pousada/ Quarto de Isadora/ Interno/ Dia
(Alguém bate na porta e Isadora atende)
ISADORA: Entre, por favor.
(Tiago entra e Isadora fecha a porta)
TIAGO: O que houve?
ISADORA: A gente precisa conversar, Tiago. É sobre o nosso relacionamento.
TIAGO: Aconteceu alguma coisa?
ISADORA: Você lembra que eu disse que só assumiria algo com você somente quando você se separasse da Luana?
TIAGO: Sim. Inclusive, eu já iniciei as papeladas da separação.
ISADORA: Mas ainda não se separou. E enquanto esse dia não chega, eu acho melhor nós permanecermos afastados um do outro.
TIAGO: Mas por quê?
ISADORA: Eu acho melhor, Tiago. Se alguém descobre que eu estou tendo um caso com homem casado, ainda mais que esse homem é meu cliente, a minha reputação vai lá para baixo. Eu não posso correr risco. Então, eu acho melhor a gente se afastar.
TIAGO: Tudo bem. Já que você prefere assim. Eu pensei que a gente poderia ficar se encontrando enquanto o divórcio definitivo não saísse, mas vejo que me enganei.
ISADORA: Você se enganou mesmo.
TIAGO: Posso pelo menos te dar um beijo?
ISADORA: Sem beijos, sem carícias, sem juras de amor.
TIAGO: Mas estamos no seu quarto. Ninguém vai aparecer aqui.
ISADORA: Eu prefiro que não.
TIAGO: É impressão minha ou isso que você está fazendo é o mesmo que dar um tempo?
ISADORA: Não é impressão, Tiago. Isso é de fato um dar um tempo.
Cena 13/ Hospital/ Recepção/ Interno/ Dia
(Ludmila, com uma pasta nos braços, entra e se aproxima do balcão da recepção)
LUDMILA: Com licença.
RECEPCIONISTA: O que deseja?
LUDMILA: Quero me candidatar à vaga de faxineira. Com quem eu falo?
Cena 14/ Penitenciária/ Externo/ Dia
(Maura, encostada em seu carro, está na frente do portão do presídio. O portão é aberto e saem Alexandre, acompanhado de Isadora. Alexandre corre e abraça Maura)
ALEXANDRE: Estou livre, mãe. Livre.
MAURA: Ai que bom, meu filho. Esperei tanto tempo para isso. Estou muito feliz por você.
ALEXANDRE: Obrigado, delegada Isadora, por provar minha inocência.
ISADORA: Imagina.
MAURA: Vamos para a pousada, filho? Estou hospedada lá. Precisamos arrumar suas coisas, sem falar que você precisa descansar, tomar um banho, se sentir livre, tirar de você qualquer coisa que lembre esses tempos na prisão.
ISADORA: Sua mãe tem razão, Alexandre.
ALEXANDRE: Delegada Isadora, não há riscos de eu voltar para esse Inferno?
ISADORA: Não, Alexandre. As provas que eu arranjei contra os responsáveis pela morte da Amanda já foram analisadas pelo juiz e consideradas verídicas. Você é um homem livre. Completamente livre.
MAURA: Vamos, filho?
ALEXANDRE: Eu quero passar em um local antes de irmos para a pousada, mãe.
MAURA: Onde?
ALEXANDRE: Na mansão Bertolin.
Cena 15/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Dia
(Tiago entra. Luana desce a escada)
TIAGO: Nós precisamos conversar.
LUANA: O que aconteceu? Não vá me dizer que desistiu do processo de divórcio.
TIAGO: Nunca. Ainda mais do que acabou de acontecer comigo.
LUANA: Do que você está falando?
TIAGO: A Isadora terminou comigo e eu tenho certeza que tem dedo seu por trás disso.
LUANA: Incrível como tudo o que acontece em Dourados é culpa minha. Tiago, você acha mesmo que eu perderia meu tempo arquitetando algum plano mirabolante para fazer com que a delegada Isadora se afaste de você? Me poupe. Ela deve ter terminado com você, porque no fundo ela sabe que vocês dois não tem um futuro juntos.
TIAGO: Isso é mentira. Até ontem, ela estava disposta a viver um relacionamento comigo.
LUANA: Ah Tiago, as coisas mudam. O mundo dá muitas voltas. A delegada Isadora deve ter outros interesses. Interesses esses que nasceram nela antes de você aparecer dentro dela.
(Alexandre entra)
ALEXANDRE: Bom dia.
LUANA: Alexandre?
ALEXANDRE: Então é verdade o que disseram. Vocês dois estão realmente casados.
TIAGO: Saia da minha casa agora, seu meliante.
ALEXANDRE: Eu não sou meliante, Tiago. Sou um homem livre. Minha inocência foi provada graças à delegada Isadora. Será que vocês não me devem um pedido de desculpas pelo fato de me acusarem e me culparem por um crime que eu não cometi?
TIAGO: É muita ousadia sua aparecer aqui depois de tudo o que aconteceu.
ALEXANDRE: Eu só apareci, porque eu quero conversar. E nós vamos conversar. Aqui e agora.
(Congela em Alexandre. Toca Love Me Again – John Newman)

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