Cena 1/ Mansão Bertolin/ Quarto de Luiza/ Interno/ Dia
LUANA: Confessa que você me agrediu, delegada Isadora.
ISADORA: Eu não te agredi coisa nenhuma e você sabe disso. Louca.
LUANA: Tiago, ela bateu em mim. Olha como ela me deixou.
ISADORA: É mentira, Tiago. Eu não toquei em nenhum fio de cabelo dela. Ela se bateu para, com certeza, colocar a culpa em cima de mim.
LUANA: Deixa de ser falsa. Por que eu me agrediria para pôr a culpa em você?
ISADORA: Por que você matou... Eu não vou mais ficar ouvindo asneiras e acusações falsas. É uma pena você ter se casado com uma cobra venenosa como a Luana, Tiago.
(Isadora sai)
TIAGO: Você matou alguém, Luana?
LUANA: Claro que não, Tiago. Ela está inventando calúnias ao meu respeito para fugir da culpa de ter me agredido.
TIAGO: Acho melhor você ir a um médico, para ver se não fraturou algum membro.
LUANA: Não precisa. Eu estou bem. Em vez de ir ao médico, eu irei para outro lugar, Tiago. E eu queria que você me acompanhasse.
Cena 2/ Hospital/ Sala do médico/ Interno/ Dia
(Porta encostada. Ludmila próxima à porta. Marta e o médico, sentados, conversando frente a frente)
MARTA: Isso não pode ser verdade. Doutor, a Lara apareceu na minha família dizendo que era filha do Caio. Será que não houve algum erro nesse exame de compatibilidade ou nesse teste genético?
MÉDICO: Não houve erro algum, dona Marta. Geneticamente, a Lara não é filha do Caio.
(Ludmila, com um sorriso no rosto, se distancia da porta e sai)
MARTA: O pior de tudo é que o Caio acredita que é pai da Lara e eu acho que ela também pensava que era filha dele. Ou será que ele sempre soube da verdade?
MÉDICO: Bom, dona Marta, eu aconselho à senhora a contar a verdade para o seu marido.
MARTA: Eu sei muito bem o que fazer com essa informação, doutor. E quanto à transfusão?
MÉDICO: Dos que fizeram o exame de compatibilidade, os únicos aptos a realizarem a transfusão de sangue são o Tiago e o Celso.
MARTA: Eu conversarei com eles e amanhã lhe trago a resposta de quem irá fazer a transfusão.
MÉDICO: Ok. Estarei esperando.
(Marta levanta-se da cadeira e sai)
Cena 3/ Concessionária/ Interno/ Dia
CAIXA: Obrigada por efetuar a compra. Volte sempre.
SOLANO: Foi um prazer.
(Solano e Vera se aproximam do carro comprado)
SOLANO: Nossa. Eu não estou acreditando que finalmente estou realizando um sonho. Obrigado por proporcionar isso para mim, Vera.
VERA: Você merece. E então? Não deseja dar seu primeiro passeio com seu primeiro carro?
SOLANO: É claro que sim.
(Solano e Vera entram no carro. O veículo parte)
Cena 4/ Delegacia/ Sala de Andrade/ Interno/ Dia
(Andrade está sentado. Luana e Tiago entram)
TIAGO: Você tem certeza disso, Luana?
LUANA: Absoluta.
ANDRADE: O que o casal deseja?
(Luana e Tiago sentam-se, ficando frente a frente com Andrade)
LUANA: Eu vim fazer uma denúncia, delegado Andrade.
ANDRADE: Contra quem?
LUANA: Contra a delegada Isadora.
ANDRADE: A Isadora?
LUANA: Isso mesmo. O senhor está vendo essas marcas roxas no meu rosto e nos meus braços? Tudo culpa da delegada Isadora. Ela me agrediu, usando o fato de ser uma autoridade.
ANDRADE: Isso não parece do feitio da Isadora.
LUANA: Mas ela fez isso comigo e eu exijo que ela seja punida.
ANDRADE: O senhor veio como testemunha, Tiago?
TIAGO: Na verdade só vim acompanhar a Luana. Eu não vi a briga. Quando eu cheguei, a Luana já estava machucada e caída no chão, enquanto a delegada Isadora estava em pé, ao lado dela.
ANDRADE: Tudo bem. (pegando uns documentos e entregando-as para Luana): Assine aqui.
LUANA: Que documentos são esses?
ANDRADE: São requisições para você fazer um exame de corpo delito no IML.
LUANA: Exame de corpo delito?
ANDRADE: Isso. Como não houve testemunhas que viram a briga, a denúncia só poderá ser validada na presença de um exame de corpo delito que comprove a culpabilidade da delegada Isadora nessa surra.
LUANA: Mas ela é culpada.
ANDRADE: As coisas funcionam assim, Luana. A denúncia só terá valor legal na presença de um exame de corpo delito. Assine as requisições.
LUANA: Tudo bem.
(Luana assina os documentos)
LUANA: Esse exame vai provar que estou falando a verdade, que a delegada Isadora me agrediu.
ANDRADE: Você leve essas requisições para o IML quando for fazer o exame. Não se preocupe em pegar o resultado do exame quando ele sair. O resultado vem direto em minhas mãos e aí, eu ligo para você. Entendido?
LUANA: Perfeitamente, delegado Andrade.
(Luana e Tiago levantam-se e saem)
ANDRADE (para si): Eu não acredito que a Isadora teve coragem de agredir a Luana dessa maneira. Por ser delegada, ela não pode fazer isso. É taxado como abuso de autoridade.
Cena 5/ Pousada/ Quarto de Maura e Alexandre/ Interno/ Dia
(Isadora está sentada em um sofá. Alexandre está sentado ao lado dela. Maura se aproxima com um copo de água na mão e o entrega para Isadora, que bebe o liquido)
ISADORA: Eu fui muito burra de aceitar esse encontro da Luana. Estava na cara que ela iria aprontar.
ALEXANDRE: Calma, delegada Isadora. A senhora é uma mulher inteligente. Tenho certeza que vai conseguir se livrar dessa.
ISADORA: Agora o Tiago pensa que eu realmente agredi a mulher dele.
MAURA: Só se o Tiago for extremamente burro.
ALEXANDRE: Você é apaixonada por ele, não é?
ISADORA: Sou. Eu terminei com ele por causa de uma ameaça que a Luana me fez. Ela disse que iria contar para todo mundo que eu estava tendo um caso com o Tiago e isso iria destruir minha carreira profissional como delegada.
MAURA: Não se preocupe, Isadora. Eu e o Alexandre também queremos que a verdade seja revelada e que a Luana pague pelos crimes que cometeu. Nós iremos te ajudar a provar que você não encostou um dedo naquela cara de pau dela.
ISADORA: Obrigada, gente.
Cena 6/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Interno/ Dia
(Luiza e Felipe sentados em um dos dois sofás. O advogado Santana sentado em outro)
LUIZA: O Vitor me deixou bem claro que já deu entrada no processo de guarda. Estou muito preocupada, doutor Santana.
FELIPE: A verdade é que a Luiza acredita que o Vitor realmente terá chances de tirar o Marquinhos da gente.
SANTANA: Ouvindo a história de vocês, eu identifiquei dois fatores de peso que levem um juiz de respeito decidir em manter a guarda do Marquinhos com vocês.
LUIZA: Quais?
SANTANA: O primeiro é simples e claro. Quando a Luiza anunciou a gravidez para o Vitor, ele decidiu abandoná-la grávida. Para frisar ainda mais esse abandono, é só utilizar o argumento de que ele preferiu viajar para Oxford a assumir a responsabilidade de ser pai aqui. Um juiz correto, ao saber disso, vai pensar infinitas vezes antes de entregar a guarda do Marquinhos para o homem que teve predileção em abandoná-lo meses antes.
FELIPE: Mas o fato do Vitor se mostrar redimido e querer recuperar o tempo perdido não pode fazer com que o juiz decida dar uma chance a ele e entregar a guarda do Marquinhos para ele?
SANTANA: Existe essa possibilidade, como também existem chances de que o juiz interprete o fato do Vitor querer a guarda do menino como um comportamento de vaidade, de orgulho, de competição.
LUIZA: E o outro fato de peso, doutor? Qual é?
SANTANA: O outro fator de peso está ao seu lado, Luiza. O Felipe, do ponto de vista legal, é pai do Marquinhos, sem falar que vocês levam uma vida boa e estruturada, como uma verdadeira família.
FELIPE: Entendi.
LUIZA: Mas, doutor Santana, o que vai acontecer daqui para frente, já que o Vitor já de entrada na justiça pela guarda do Marquinhos?
SANTANA: Haverá um reunião conciliatória entre os principais envolvidos, com a presença de seus respectivos advogados. Se não houver conciliação, o processo será levado para os tribunais, instaurando, assim, uma verdadeira guerra judicial.
Cena 7/ Galpão/ Interno/ Dia
(Solano e Luana entram)
SOLANO: De volta ao galpão. Duas vezes no mesmo dia. Eu tive que inventar uma desculpa bem esfarrapada para Vera para poder me encontrar novamente com você.
LUANA: Não está vendo o meu rosto?
SOLANO: Claro que estou. Não sou cego.
LUANA: E por que você não fez nenhum comentário a respeito dessas marcas e feridas que estão dispersas no meu rosto?
SOLANO: Por que eu já percebi o que você fez. Você se agrediu para jogar a culpa na Isadora.
LUANA: Isso mesmo. Eu a denunciei por agressão e abuso de autoridade.
SOLANO: Mas o que você pretende de fato com isso?
LUANA: Pretendo fazer com que a Luana deixe de ser delegada. Pretendo acabar com a carreira profissional. Sem esse emprego, a Isadora não vai poder nos prender, já que ela não terá mais poder para isso. O problema é que minha denúncia ainda não foi validada.
SOLANO: Por quê?
LUANA: Porque eu tenho que apresentar um exame de corpo delito para o delegado. E nesse exame, será comprovado se a Isadora me agrediu mesmo ou não.
SOLANO: Então, você se ferrou, Luana. Não adiantou nada você ter se agredido. O exame vai comprovar que a Isadora não bateu em você.
LUANA: Isso se ele não for falsificado.
SOLANO: O quê?
LUANA: Solano, eu preciso que você falsifique o exame de corpo e delito.
SOLANO: Você está louca? O IML é cheio de gente ligada à polícia. Se me pegarem, eu serei preso. Eu não vou me arriscar tanto, Luana.
LUANA: Vai sim. Se você não fizer, a verdade será revelada e o Tiago não vai acreditar em mim nunca mais. Com isso, ele irá acelerar o processo do divórcio adeus golpe. É isso que você quer, Solano? Tanto esforço que a gente fez para, no fim das contas, esse golpe não acontecer.
SOLANO: E por que você mesma não falsifica esse exame?
LUANA: Por que o Tiago vai me acompanhar no exame e eu terei que fazer a mulher triste e humilhada por ter que passar por um exame tão constrangedor como o corpo delito. Entendeu? Solano, você vai falsificar o resultado desse tal exame e ponto final. Ou você falsifica, ou sofrerá as piores conseqüências.
Cena 8/ Paisagens de Dourados/ Noite
(Toca Ships – Umbrellas)
Cena 9/ Restaurante/ Interno/ Noite
(Lara e Celso estão sentados à mesa, frente a frente)
LARA: Como você é maldoso, Celso. Você disse para a sua mãe que o nosso compromisso era de manhã só para não acompanhá-la no hospital.
CELSO: Mas eu não passei o dia inteiro na mansão. Fui realizar outros compromissos, como fazer a reserva nesse restaurante. E não tente me enganar, que eu sei que você não ficou em casa.
LARA: Eu fiz um passeio pela cidade, reencontrar pessoas que eu conheci quando vim para cá pela primeira vez.
CELSO: Na época em que namorávamos.
LARA: Essa mesma. Época essa que não voltará mais.
CELSO: Infelizmente. Eu era mais feliz sendo seu namorado do que sendo seu irmão.
LARA: Celso, a gente combinou que não iríamos mais falar sobre isso.
CELSO: Tudo bem. Fecha os olhos.
LARA: Por quê?
CELSO: Fecha.
(Lara fecha os olhos. Celso pega um buquê de rosas e o põe em cima da mesa)
CELSO: Pode abrir.
(Lara abre os olhos e vê o buquê)
CELSO: Flores para você.
LARA (pegando no buquê): Obrigada. Eu me lembro que você usou esse mesmo truque no nosso primeiro ou segundo encontro.
CELSO: Exatamente.
LARA: É lindo, Celso.
CELSO: Você é mais linda.
LARA: Tudo bem. Prometo cuidar dessas rosas com muito amor e carinho. Agora, vamos escolher o que iremos jantar?
Cena 10/ Hospital/ Quarto de Caio/ Interno/ Noite
(Caio está deitado. Marta entra)
MARTA: Boa noite.
CAIO: O que você está fazendo aqui a uma hora dessa? Já não era para estar na mansão?
MARTA: Só vim dizer que o resultado dos exames de compatibilidade já foram feitos.
CAIO: E quem é que vai fazer a transfusão de sangue comigo?
MARTA: No dia você saberá. Caio, mudando um pouco de assunto, será que eu poderia fazer uma pergunta para você?
CAIO: Desde quando você pede permissão para fazer perguntas, Marta?
MARTA: Irei interpretar isso como um sim. Você acha mesmo que a Lara é sua filha?
CAIO: Claro que é. Eu tive um relacionamento com a mãe dela. Ou você se esqueceu disso?
MARTA: Óbvio que eu não me esqueci, mas você nem sabia da existência dessa menina antes dela aparecer em nossas vidas. Ela surgiu em busca de um pai que ela não conhecia e você nem se deu ao trabalho de verificar se você é realmente pai dela. Quem garante que a Lara não é filha de outro homem?
CAIO: O que está acontecendo com você, Marta? Por que você está levantando essas hipóteses agora?
MARTA: Porque eu tenho esperanças de que essa bastarda não seja sua filha.
CAIO: Mas ela é. E não preciso de nada para confirmar isso. Eu sinto, dentro de mim, que a Lara é minha filha. Satisfeita?
Cena 11/ Paisagens de Dourados/ Dia
(Toca Beautiful Place – Good Charlotte)
Cena 12/ Delegacia/ Sala de Andrade/ Interno/ Dia
(Andrade está sentado. Isadora entra)
ISADORA: Bom dia, delegado Andrade.
ANDRADE: Bom dia. Chegou uma carta para você mais cedo. Melhor dizendo, uma notificação.
(Andrade pega a carta e entrega para Isadora, que recebe)
ISADORA: Notificação de quem?
ANDRADE: Veja você mesma.
ISADORA: É do secretário de segurança de São Paulo.
(Isadora abre a notificação e lê)
ISADORA: Não pode ser verdade. Isso é inacreditável.
ANDRADE: O que aconteceu?
ISADORA: Eu não sou mais delegada, Andrade. Eu fui destituída do cargo de delegada.
(Congela em Isadora. Toca Young And Beautiful – Lana Del Rey)

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