Cena 1/ Delegacia/ Sala de Andrade/ Interno/ Dia
ISADORA: Eu não estou acreditando nisso.
ANDRADE: É melhor você se acalmar, delegada Isadora.
ISADORA: Eu não sou mais delegada, Andrade. Não tem como se acalmar.
ANDRADE: E o secretário de segurança dá alguma explicação nessa carta?
ISADORA: Ele diz que eu abusei da minha autoridade para cometer um ato proibido. Eu só não entendo do que ele está... Espera. Como essa história chegou aos ouvidos dele?
ANDRADE: Que história, Isadora? Você, por acaso, está falando da surra que a Luana levou?
ISADORA: Até você já sabe?
ANDRADE: É o que todos estão comentando.
ISADORA: Eu sou inocente, Andrade. Eu não encostei um dedo naquela maluca. Ela se bateu para colocar a culpa em cima de mim. Claro. Só pode ter sido por causa disso. O secretário de segurança acha que eu agredi a Luana, e, por isso, está me destituindo do cargo de delegada. Mas eu não fiz isso. Eu sou inocente.
ANDRADE: Deixe-me ver essa carta.
(Isadora entrega a notificação para Andrade, que lê)
ANDRADE: Mas aqui diz que é só um afastamento temporário, Isadora. Não é uma destituição definitiva.
ISADORA: Mesmo assim, para mim é a mesma coisa.
ANDRADE: Isadora, não se preocupe. Eu acho que você não teria coragem de fazer uma coisa dessas.
ISADORA: Eu prezo muito pelo meu trabalho, Andrade. Eu sou ética.
ANDRADE: Mas, como eu acabei de falar, não se preocupe. O exame de corpo e delito vai comprovar que você não agrediu a Luana.
ISADORA: Exame de corpo e delito? Então, houve denúncia?
ANDRADE: Isadora, você sabe que isso é uma informação sigilosa, que não deve ser compartilhada.
ISADORA: Eu não sou burra, Andrade. Se a Luana vai passar por um exame de corpo e delito, é porque ela veio me denunciar. Tenho certeza que também foi ela quem levou essa história da surra para o secretário de segurança. Mas aquela louca me paga.
(Isadora sai)
ANDRADE: Isadora, volte aqui. Só espero que ela não faça nenhuma besteira.
Cena 2/ Mansão Amorim/ Quarto de Vera/ Interno/ Dia
(Vera está na frente de um espelho, apalpando seu seio. Ela passa a mão nos seus seios suavemente. Primeiro, no direito. Depois, no esquerdo. A expressão facial de Vera é tranqüila, enquanto ela realiza o processo. De repente, Vera fica surpresa. Ela pausa o dedo em um canto do seio esquerdo)
VERA: Um caroço.
(Close na expressão de pânico mostrada no rosto de Vera)
Cena 3/ IML/ Corredor/ Interno/ Dia
(Luana e Tiago estão sentados em uma fileira de cadeiras, que fica em frente a uma porta. A porta se abre e entra uma policial)
POLICIAL: Luana Carvalho Bertolin.
LUANA (levantando-se): Sou eu.
POLICIAL: Hora de fazer o exame de corpo e delito. Entre aqui, por favor.
TIAGO: Você não quer a minha companhia, Luana?
LUANA: Não precisa, Tiago.
(Luana e a policial saem do corredor e passam pela porta)
Cena 4/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Interno/ Dia
(Porta aberta. Um oficial de justiça se encontra na porta e Luiza está posicionada na frente dele)
OFICIAL DE JUSTIÇA: Assine aqui, por favor.
(O oficial entrega uma notificação para Luiza, que assina.)
OFICIAL DE JUSTIÇA: Obrigado. Tenha um bom dia.
LUIZA: Igualmente
(O oficial sai e Luiza fecha a porta. Felipe entra)
FELIPE: Algum problema?
LUIZA: Um oficial de justiça acabou de aparecer. Ele veio me entregar isso.
FELIPE: Você não vai abrir a notificação?
LUIZA: Eu já imagino o que seja.
(Luiza abre a notificação)
Cena 5/ Mansão Amorim/ Sala de estar/ Interno/ Dia
(Cíntia e Vitor estão sentados lado a lado no sofá. Vitor, que está com uma notificação nas mãos, abre o documento)
CÍNTIA: E então? O que diz essa notificação?
VITOR: O que eu estava esperando. Foi marcada uma reunião de conciliação, para se discutir a guarda do Marquinhos.
CÍNTIA: Para quando?
VITOR: Na próxima semana. A essa hora, a Luiza já deve ter recebido também. Daria tudo para eu ser uma mosquinha e ver como ela está agora.
(Vera, arrumada, desce a escada)
VITOR: Vai sair?
VERA: Sim. Algum problema?
VITOR: Só queria saber para onde vai.
VERA: Vou passear um pouco, pensar melhor sobre a vida. Você viu o Solano?
VITOR: Deve estar gastando o combustível do carro que a senhora deu para ele. Quanto desperdício de dinheiro. Gastar uma grana com aquele vagabundo.
VERA: Cala a boca, Vitor. O dinheiro é meu e eu faço dele o que eu quiser.
(Vera sai)
CÍNTIA: Vou voltar para o quarto. Esse assunto de guarda de criança me deixou sonolenta. Melhor, me deixou enojada.
VITOR: Cíntia, porque você não me apóia, hein? Eu estou lutando pelo meu filho.
CÍNTIA: O filho que você mesmo abandonou meses atrás. Eu só não quero que esse menino interfira na nossa vida, Vitor. Me dói saber que você está lutando por um resquício do seu relacionamento com a Luiza.
Cena 6/ Mansão Bertolin/ Sala de jantar/ Interno/ Dia
(Marta, Lara e Celso estão sentados à mesa. Tiago entra)
TIAGO: Outra reunião?
MARTA: Estávamos só esperando por você.
CELSO: Como foi o exame de corpo e delito da Luana?
TIAGO: Foi tranqüilo. Ela não se queixou de nada. Só ficou um pouco constrangida por estar passando por essa situação.
LARA: E onde ela está?
TIAGO: Preferiu passear um pouco pela cidade. Acho que para desopilar.
CELSO: E quanto ao divórcio, Tiago? Você vai desistir de se separar dela agora que a delegada Isadora terminou com você e ainda agrediu a Luana?
MARTA: Delegada Isadora? Você está de caso com a delegada, Tiago?
TIAGO: Eu estou apaixonado pela delegada Isadora, mãe. É por causa desse amor que eu estou me separando da Luana.
MARTA: Se essa tal delegada é a causa de você estar se separando da Luana, pode ter certeza que eu apóio esse romance entre vocês dois até o fim. Aliás, eu apóio tudo que leve você a se divorciar daquela golpista.
TIAGO: Não precisa ofender a Luana, mãe. E ela não é nenhuma golpista.
MARTA: Claro que é. O problema é que ela ainda não mostrou as garras de fato.
TIAGO: De qualquer maneira, saibam que eu não desistirei da Isadora, sem falar que essa história dela ter dado uma surra na Luana não me desceu muito. Sinto que tem algo muito estranho por trás disso.
MARTA: Bom, apesar desse divórcio do Tiago ser um assunto que me agrade bastante, nós temos que falar sobre o resultado do exame de compatibilidade que vocês fizeram, para verificar quem é o mais apto a fazer a transfusão de sangue com o Caio.
LARA: E o que deu esse exame, dona Marta?
Cena 7/ Praça/ Interno/ Dia
(Luana vê Vera sentada em um banco e senta-se ao lado dela)
LUANA: Bom dia, Vera.
VERA: Bom dia, Luana. Tudo bem com você?
LUANA: Tudo péssimo. A minha vida está horrível, Vera. Meu casamento com o Tiago é a prova viva de que as aparências enganam.
VERA: O que está acontecendo entre vocês? Desculpe pela pergunta. Eu não quero parecer invasiva.
LUANA: Imagina. Você é namorada do meu primo, Vera. Eu te considero como uma irmã, apesar de ser cedo para dizer isso. Sem falar, que eu estou precisando mesmo desabafar com alguém que não está por dentro da minha vida. Alguém como você.
VERA: Pode desabafar a vontade.
LUANA: O Tiago me pediu o divórcio. Você acredita que eu o vi aos beijos com a delegada Isadora?
VERA: A delegada que está cuidando da morte da Amanda?
LUANA: Essa mesma. Ele estava tendo um caso com ela. Eu fiquei tão arrasada, Vera. Eu não esperava isso dele, não esperava que ele pudesse me trair. Mesmo assim, eu estava disposta a passar por cima dessa traição para manter o casamento, porque eu o amo, mas ele me pediu o divórcio. Disse na minha cara que queria ter um relacionamento com essa delegada destruidora de lares.
VERA: E ela sempre me pareceu tão séria. Sem falar, que o seu casamento me parecia sólido também.
LUANA: Como eu te disse, as aparências enganam. Você está vendo essas marcas roxas e esses arranhões na minha cara? Foi a delegada Isadora que fez isso comigo. Eu fui até a pousada onde ela está hospedada para pedir explicações sobre a traição e ela me atacou. Eu, obviamente, denunciei-a por agressão e abuso de autoridade.
VERA: E fez certo.
LUANA: Onde está o Solano?
VERA: Não sei. Hoje, ele acordou mais cedo do que eu. Segundo o Vitor, ele foi passear com o carro.
LUANA: Bem típico dele, Vera. O Solano fica completamente encantado quando ganha um presente. Eu cheguei aqui e nem perguntei se você está bem.
VERA: Eu também não estou bem, Luana. Acho que precisarei desabafar.
LUANA: O que houve?
VERA: Eu encontrei um caroço no meu seio, Luana. Estou com medo que seja algum tumor, que seja câncer.
Cena 8/ Mansão Bertolin/ Sala de jantar/ Interno/ Dia
MARTA: Bom, vocês sabem que eu fiz o exame também, só que o meu sangue não foi compatível, como já era de se esperar.
CELSO: Claro. A senhora não tem nenhuma ligação parental com o papai.
TIAGO: No caso, só o meu sangue, o do Celso e o da Lara que podem ser usados na transfusão?
(Marta olha fixamente para Lara)
MARTA: Sim. Só o de vocês três.
LARA: Então, não precisem se preocupar. Eu faço a transfusão.
MARTA: Não.
LARA: Por que não, dona Marta? O meu sangue não é compatível?
MARTA: É compatível, mas eu prefiro que seja o Celso ou o Tiago que faça a transfusão.
LARA: Já entendi tudo. A senhora quer me excluir disso só porque eu sou fruto de outro relacionamento que o seu Caio participou?
MARTA: Leu os meus pensamentos, queridinha.
CELSO: Se a confusão é tanta, eu me disponibilizo a fazer a transfusão. Todos estão satisfeitos?
TIAGO: Por mim, tudo bem.
LARA: Por mim também.
MARTA: Ótimo. Então, será o Celso que fará a transfusão com o Caio.
Cena 9/ Pousada/ Quarto de Ludmila/ Interno/ Dia
(Ludmila está na frente de um espelho, olhando fixamente para o seu reflexo.)
(INÍCIO DE FLASHBACK – Capítulo 61 e Cena 13 - Hospital/ Sala do médico/ Interno/ Dia)
(Ludmila se aproxima da porta encostada e passa a ouvir a conversa)
MARTA: Mas o que tem a Lara?
MÉDICO: O sangue dela também é incompatível com o sangue do Caio.
MARTA: Incompatível? Isso é impossível. A Lara é filha do Caio.
MÉDICO: Eu fiz um teste genético e comprovei o que eu estava suspeitando. Geneticamente, não tem como a Lara ser filha do Caio.
MARTA: O quê?
(FIM DE FLASHBACK)
LUDMILA: Agora eu sei como atingir a Marta e a Lara ao mesmo tempo. As duas que me aguardem.
(Ludmila dá um sorriso maléfico)
Cena 10/ Praça/ Interno/ Dia
LUANA: Você já foi ao médico?
VERA: Ainda não. Estou com medo do resultado. Na última vez que eu fiz o autoexame, eu não notei nada, mas agora tem um caroço no meu seio. Eu sei que tem, porque eu o senti com meu dedo.
LUANA: Vera, eu te aconselho a ir a um médico o mais rápido possível. Você sabe que não se pode brincar com câncer.
VERA: E o Solano? Eu estou construindo um relacionamento tão bonito ao lado dele. E se ele me odiar, caso eu tenha o câncer? Se ele me largar?
LUANA: O Solano não fará isso. Eu te garanto.
(Ao longe, Isadora aparece e vê Luana sentada ao lado de Vera. A ex-delegada se aproxima das duas)
ISADORA: Ainda bem que eu te encontrei, Luana. Estamos precisando ter uma conversinha.
(Isadora encara Luana)
Cena 11/ Delegacia/ Sala de Andrade/ Interno/ Dia
(Andrade está sentado. Tiago entra)
TIAGO: Bom dia, delegado.
ANDRADE: Olá, Tiago.
TIAGO: Passei aqui para informar que a Luana já fez o exame de corpo e delito.
ANDRADE: Que bom. Muito bom.
TIAGO: A delegada Isadora não veio trabalhar?
ANDRADE: Ela até deu uma passada aqui, mas foi coisa rápida.
TIAGO: Ela deve estar na pousada. Obrigado.
(Tiago sai)
Cena 12/ Praça/ Interno/ Dia
(Luana levanta-se)
LUANA: Eu não tenho nada para falar com você. Depois da brutalidade que você fez comigo, eu quero distância.
ISADORA: Não se faça de cínica. Você se agrediu para colocar a culpa em mim, não foi? Você marcou aquele encontro comigo na mansão de caso pensado.
VERA: Espera aí. Luana, não foi na pousada que a delegada Isadora te deu a surra?
ISADORA: Eu não dei surra nenhuma. Essa louca está mentindo.
LUANA: Deu sim. E o exame de corpo e delito vai comprovar isso. Você deveria se dar ao respeito, delegada Isadora. Abusar de sua autoridade para sair espancando os outros. Quem deveria ser espancada era você, que quer roubar o meu marido.
(Uma roda de pessoas se forma ao redor das duas)
ISADORA: Você não vale nada, Luana. Eu sempre soube disso desde o início, quando eu iniciei a investigação da morte da Amanda. Mas eu não vou me prolongar sobre isso, por que se há justiça nesse mundo, a verdade irá aparecer e você terá o destino que merece. E parabéns. Parabéns por ter conseguido o que queria. A sua mentira acabou com a minha carreira profissional. Eu fui destituída do cargo de delegada.
LUANA: Justo. Mais do que justo. Se eu coordenasse a justiça desse país, você seria presa por causa disso.
ISADORA: Agora, eu não sou mais delegada. Eu estou pagando o preço de ter me metido com gente ardilosa como você. Mas você não me intimida, Luana. Eu não tenho medo de você. Apesar de essa mentira estar destruindo o meu emprego, eu tenho a consciência limpa de eu que eu não surrei. Pelo menos, até agora.
LUANA: O que você quer dizer isso?
ISADORA: Agora que eu sou uma pessoa... Como podemos dizer? Uma pessoa norma, vamos falar assim. Agora que eu sou uma pessoa normal, sem uma autoridade nas costas, eu posso fazer um monte de coisas que não fazia quando eu carregava um distintivo na carteira.
LUANA: Chega, Isadora. Chega. Eu cansei de você e das suas dissimulações. Vera, eu adorei conversar com você, mas essa destruidora de lares quebrou qualquer clima de termos uma conversa agradável. Eu vou embora.
ISADORA: Volta aqui, que eu ainda não terminei.
(Luana começa a andar, mas Isadora a alcança e a pega pelo braço)
ISADORA: Agora, você vai conhecer de fato o peso da minha mão, Luana.
(Isadora dá um tapa em Luana. Luana põe a mão rosto)
LUANA: Você não poderia ter feito isso comigo. Eu acabei de fazer um exame de corpo e delito. Você quer que eu faça outro?
ISADORA: Faça o que você quiser, mas você vai me pagar por ter destruído o meu trabalho, que era praticamente a minha vida.
(Isadora dá outro tapa em Luana, que vira a cara. Luana volta a olhar para Isadora e corre para cima dela, com vontade de atacá-la. Isadora dá outro tapa em Luana, que vira a cara novamente. Isadora pega nos cabelos da rival e faz com que ela veja o seu rosto. Isadora cospe em Luana)
ISADORA: Eu tenho nojo de você. Nojo e pena.
(Isadora solta os cabelos de Luana e a empurra. Luana cai no chão. Isadora se aproxima dela novamente e puxa Luana pelos cabelos, arrastando-a pela praça. Isadora levanta Luana, machucada e com algumas lágrimas nos rosto, mostrando a face da vilã para o círculo de pessoas que se formaram ao redor delas)
ISADORA: Vocês estão vendo essa mulher aqui? Ela destruiu o meu trabalho. Destruiu o que eu tinha de mais valioso na minha vida, que era o meu emprego. Agora, ela está pagando por isso.
LUANA: (se debatendo contra o corpo de Isadora): PARA COM ISSO. PARA. PARA COM ISSO.
(Luana dá um grito e começa a chorar. Isadora solta os cabelos dela e empurra Luana novamente, que cai de cara no chão. Isadora vira o rosto de Luana, que a encara com fúria.)
ISADORA: Você destruiu o que eu mais amava, que era o meu emprego. E agora eu vou destruir o que você mais ama, que é a sua liberdade. Eu vou acabar com você, Luana. E farei isso com muito prazer, sua ordinária. VADIA ORDINÁRIA.
(Congela em Luana. Toca Radioactive – Imagine Dragons)

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