Cena 1/ Galpão/ Externo/ Dia
(Isadora pega seu celular do bolso e, com o objeto, ela tira fotos de Luana e Solano aos beijos, nus, no chão do galpão. Com as fotos tiradas, Isadora põe o telefone no bolso e sai)
Cena 2/ Mansão Amorim/ Sala de estar/ Interno/ Dia
(Mirna está ajeitando as almofadas do sofá. Vera desce a escada)
VERA: Mirna, você viu o Solano?
MIRNA: Ele saiu cedo, dona Vera. A senhora vai sair?
VERA: Sim. Vou ao médico. Eu detectei um caroço no meu seio.
MIRNA: Ai meu Deus, dona Vera. Tomara que não seja nada grave.
VERA: Tomara.
(Vera sai)
Cena 3/ Hospital/ Quarto de Caio/ Interno/ Dia
(Caio está deitado. Marta entra)
MARTA: Bom dia.
CAIO: Só se for para você. Não agüento mais ficar trancafiado nesse hospital. Eu me sinto preso.
MARTA: Acalme-se, Caio. Em breve, você voltará para a mansão.
CAIO: Tomara.
MARTA: Você está louco para ficar mais perto da sua suposta bastarda, não é?
CAIO: Suposta?
MARTA: Sim. Afinal, ninguém aqui sabe dizer se a Lara é mesmo a sua filha.
CAIO: Ah não, Marta. Você de novo com esse assunto? Eu só queria entender porque você resolveu se importar com isso repentinamente.
MARTA: Eu vou te contar de onde surgiu essa minha desconfiança. Eu fiz as pazes com a Maura e a gente conversou sobre diversas coisas, inclusive sobre a Lara. A Maura me perguntou se você tinha certeza sobre essa paternidade, e eu disse que você achava que era pai dela, mas não havia nada que provasse. Foi a partir daí, que comecei a levantar essa desconfiança.
CAIO: Desconfiança ridícula, por sinal. Eu sinto que a Lara é minha filha. Não tenho dúvidas sobre isso.
MARTA: De qualquer forma, por que você não faz um teste de DNA para comprovar?
CAIO: Nunca, Marta. A Lara é minha filha e ponto final.
Cena 4/ Fórum/ Tribunal/ Interno/ Dia
(Vitor, Cíntia e Ferreira estão sentados em uma extremidade da mesa, enquanto Luiza, Felipe e Santana estão do outro. O conciliador chega e senta-se entre os dois grupos.)
CONCILIADOR: Bom dia. Vamos dar início à conciliação de guarda do garoto Marcos Bertolin Couto. Darei a palavra para o advogado Emanuel Ferreira.
FERREIRA: Obrigado. Bom, o que eu tenho a declarar já é conhecimento de todos. O meu cliente Vitor Amorim deseja a guarda do filho para ter contato com o garoto, já que a mãe, Luiza Passos Bertolin, proíbe qualquer tipo de aproximação entre o meu cliente e o garoto.
CONCILIADOR: Luiza Bertolin, você poderia explicar o porquê do seu posicionamento contra Vitor Amorim?
LUIZA: Meses atrás, quando eu descobri que estava grávida, o Vitor não quis assumir a responsabilidade de ser pai. Ele me abandonou quando eu anunciei a gravidez, dizendo que eu deveria abortar porque a criança só traria problemas para as nossas vidas. Na época, ele estava participando de um concurso de bolsa para Oxford. Ele acabou ganhando a bolsa e disse que iria embora de Dourados para fugir da responsabilidade. Ele se referia ao meu filho como criança maldita.
VITOR: É mentira. A Luiza que entendeu tudo errado. Eu nunca quis abandonar o meu filho. Como eu ganhei a bolsa de estudos, eu decidi viajar para depois assumir a paternidade do Marquinhos. Eu até disse para ela que, quando eu voltasse de Oxford, eu iria me responsabilizar pelo garoto.
LUIZA: É mentira.
SANTANA: Acalme-se, Luiza.
VITOR: Mentira nada, Luiza. A verdade é que você não esperou o meu retorno de Oxford. Quando eu voltei, me deparei com o Felipe assumindo a função de pai do meu filho.
LUIZA: O Felipe se prontificou a assumir a paternidade do Marquinhos, justamente pelo fato de você ter me abandonado. E quer saber de uma coisa? O Felipe é um ótimo pai e marido. O Marquinhos tem muita sorte de tê-lo como pai. Sorte mesmo.
VITOR: Até que ponto vai a sua cara de pau?
LUIZA: Essa é a pergunta que eu deveria direcionar a você.
CONCILIADOR: Acalmem-se. Isso é uma reunião conciliatória, uma forma de encontrar a melhor solução para ambas as partes.
VITOR: A melhor solução é o Marquinhos ficar comigo, que sou o pai verdadeiro dele.
FELIPE: Conciliador, a Cíntia pode provar que a Luiza está falando a verdade. O Vitor nunca ligou para o filho. Só está dando entrada nessa briga judicial de guarda para tentar atingir a Luiza.
LUIZA: É isso mesmo. A Cíntia pode provar que estou falando a verdade.
CONCILIADOR: O que você tem a noz dizer sobre esse caso, Cíntia Oliveira?
CÍNTIA: Bom. No início, o Vitor não ligou muito para o filho que a Luiza estava esperando. Ele achava que a gravidez era uma farsa inventada por ela. Tanto é que ele decidiu viajar para Oxford ao meu lado para fugir da responsabilidade de ser pai.
VITOR: Isso é mentira.
CÍNTIA: Mas agora, quando retornamos, ele sentiu uma vontade de se aproximar do filho e é verdade que a Luiza proíbe qualquer contato entre os dois.
LUIZA: Claro que proíbo. O Vitor é uma má influência para o Marquinhos, sem falar que o meu filho já tem um pai que o ama incondicionalmente.
CONCILIADOR: Sobre esse caso, eu só tenho uma proposta conciliatória a fazer. Já que Vitor Amorim é pai de Marcos Bertolin Couto, eu acho que ele deve ter um contato com o filho. E cabe aos pais Luiza Bertolin e Felipe Couto demarcarem horários para que esse contato ocorra.
LUIZA: Eu não quero, conciliador.
VITOR: Eu também não. Eu quero o meu filho por inteiro, sem ter que dividi-lo com ninguém.
CONCILIADOR: Já que vocês recusaram minha proposta, não vejo outra saída, além de vocês darem entrada a uma guerra judicial pela guarda desse menino. Mas aviso de antemão: nessa guerra que vocês pretendem travar, o que for decidido pelo juiz deverá ser acatado, para o bem e para o mal de uma das partes. Reunião encerrada.
Cena 5/ Mansão Bertolin/ Quarto de Tiago/ Interno/ Dia
(Batidas na porta)
TIAGO: Pode entrar.
(Francisca entra)
FRANCISCA: Com licença. Seu Tiago, tem uma mulher querendo falar com o senhor lá embaixo, na sala de estar.
TIAGO: Quem?
Cena 6/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Interno/ Dia
(Tiago desce a escada e se surpreende ao ver Isadora sentada em um dos sofás)
TIAGO: Isadora?
(Isadora levanta-se)
TIAGO: O que você está fazendo aqui?
ISADORA: Desisti de viajar, Tiago.
TIAGO: Mas o que aconteceu para provocar essa desistência?
ISADORA: Eu percebi que ainda restam coisas a serem acertadas nessa cidade. E uma delas, envolve você.
TIAGO: Como?
ISADORA: Tiago, eu voltei para Dourados porque eu te amo. Eu quero saber se ainda nós teremos alguma chance juntos.
TIAGO: Isadora, eu achei que as minhas palavras na conversa de ontem teriam te dado a resposta dessa pergunta.
ISADORA: Eu sei que eu errei ao surrar a Luana daquela maneira na praça, mas eu não me arrependo. Ela teve o que mereceu.
TIAGO: Mas eu não me apaixonei por uma Isadora violenta. Você me decepcionou ao se comportar daquele jeito.
ISADORA: Eu sinto muito, Tiago. Isso só prova que você se apaixonou por uma Isadora idealizada. E eu não sou ideal. Eu acerto, mas também erro. E se você não soube enxergar os meus defeitos aceitar os meus erros, é porque você não se apaixonou por mim.
Cena 7/ Hospital/ Sala da médica/ Interno/ Dia
(Vera e a médica estão sentadas frente a frente)
MÉDICA: O que te trouxe aqui, Vera?
VERA: Doutora, eu percebi um caroço no meu seio esquerdo quando eu estava fazendo o autoexame em casa.
MÉDICA: Um caroço?
VERA: Isso. Estou com tanto medo que seja um tumor.
MÉDICA: Calma, Vera. Um passo de cada vez. Por favor, vá até aquela salinha, tire a roupa e ponha um roupão, certo? Eu já irei lá para analisar o seu seio e sentir o nódulo que você encontrou.
VERA: Certo.
Cena 8/ Hospital/ Sala da médica/ Salinha/ Interno/ Dia
(De roupão, Vera está deitada em uma maca. A médica está apalpando os seus seios. De repente, ela para a mão em um canto do seio esquerdo da paciente)
VERA: A senhora encontrou o caroço, doutora?
MÉDICA: Sim. Ele está bem aqui. Pela protuberância, é um nódulo grande.
VERA: E isso indica alguma coisa?
Cena 9/ Hospital/ Sala da médica/ Interno/ Dia
(Vera e a médica estão sentadas frente a frente)
MÉDICA: Para eu ter certeza do que esse nódulo indica, você terá que fazer uma biópsia, Vera.
VERA: Claro. O hospital daqui realiza esse procedimento?
MÉDICA: Sim.
VERA: Então, irei marcar a biópsia agora mesmo. E se tiver vaga, eu faço ainda hoje.
MÉDICA: Faz bem, Vera. Esse nódulo pode ser um tumor ou um carocinho qualquer. A biópsia que irá nos revelar isso.
Cena 10/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Interno/ Dia
(Luana entra e se depara com Isadora sentada em um dos sofás, ao lado de Tiago)
LUANA: Isadora? O que você está fazendo? Você ainda não foi para São Paulo?
ISADORA: Calma, Luana. Uma pergunta de cada vez.
LUANA: Eu só quero entender o que você está fazendo aqui.
ISADORA: Eu desisti de viajar. Vou ficar em Dourados por mais um tempo.
LUANA: O quê?
ISADORA: Parece que você não gostou muito da notícia. Eu sinto muito se a minha presença na cidade te irrita, mas você terá que me aturar por mais uns dias, Ou quem sabe, meses? Ou anos?
(Isadora dá um sorriso irônico, que fica séria. Isadora sai)
LUANA: Por que ela desistiu da viagem?
TIAGO: Ela disse que tem algumas contas a acertar aqui.
LUANA: Desgraçada. E eu que pensei que estava livre dela.
TIAGO: Não precisa ficar tão nervosa, Luana.
LUANA: E você quer que eu fique como? Essa mulherzinha, além de querer acabar com o nosso casamento, me deu surra na frente da cidade inteira. Você quer que eu comemore a permanência dela em Dourados, Tiago? Me poupe.
TIAGO: Saiba que eu estou dando entrada no divórcio por minha causa, não por culpa da Isadora. Eu não quero mais viver esse casamento, Luana. Só não entendo porque as papeladas estão demorando a sair.
LUANA: O que eu menos quero agora é saber dos detalhes desse maldito divórcio. Divórcio este que eu não quero.
TIAGO: Por isso que eu apelei para o litigioso. Ou você se esqueceu?
(Luana olha furiosamente para Tiago e sobe a escada)
Cena 11/ Mansão Bertolin/ Quarto de Luana/ Interno/ Dia
(Luana entra e se senta cama, com raiva. Ela tira o celular da bolsa, disca algumas teclas e o leva ao ouvido)
LUANA: Alô. Solano? Nós precisamos nos encontrar hoje a noite.
...
LUANA: Eu sei que acabamos de nos ver, mas o que eu tenho para te falar é urgente e muito importante.
...
LUANA: O problema é que nós cantamos vitória antes do tempo. A vaca da Isadora desistiu de viajar para São Paulo.
...
LUANA: Hoje a noite eu te explico com mais calma. Óbvio que é no galpão.
(Luana desliga a chamada e põe o celular em cima do criado mudo)
Cena 12/ Mansão Amorim/ Sala de estar/ Interno/ Dia
(Vitor, de cara amarrada, e Cíntia entram)
CÍNTIA: Vitor, você não disse nada desde que saímos do fórum.
VITOR: Estou com muito ódio de você, Cíntia. Muito ódio. Precisava você me desmentir na frente daquele conciliador mixuruca? Precisava você defender a corja da Luiza?
CÍNTIA: Eu só falei a verdade.
VITOR: Mentira. Você disse aquilo porque você não quer que eu ganhe a guarda do meu filho. Se fosse algo do seu interesse, eu tenho certeza que você sustentaria as minhas mentiras.
CÍNTIA: Quer saber, Vitor? Eu realmente não suporto o fato de você ficar lutando por esse menino que, meses atrás, você não dava nem o rim. Desde que chegamos em Dourados, nós nunca saímos para nos divertir, para desopilar ou para falar da gente. As suas palavras só se resumem nesse garoto.
VITOR: Esse garoto é meu filho.
CÍNTIA: Ele já tem um pai. Ele não precisa de você. Eu não quero dividir o homem que eu amo com ninguém, ainda mais com um garoto que também é filho da Luiza. Você vai ter que escolher, Vitor. Ou eu ou o Marquinhos. Quem você escolhe?
VITOR: Você ainda tem dúvida? É óbvio que eu escolho o meu filho.
CÍNTIA: Então, chega. O nosso casamento acaba aqui.
VITOR: Ótimo. Então pega suas coisas e dá o fora da minha casa o mais rápido possível.Eu vou dar uma cochilo agora, e, por favor, quando você for pegar suas roupas, não faça tanto barulho. Eu não quero acordar por nada.
(Vitor sobe a escada. Os olhos de Cíntia se enchem de lágrimas)
Cena 13/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Interno/ Dia
(Luiza, Felipe e Santana entram)
LUIZA: E agora, doutor? O que vai acontecer daqui para frente?
SANTANA: Estão falando da batalha judicial que terão que enfrentar?
LUIZA: Isso mesmo.
SANTANA: Bom, será algo bastante cansativo. Com certeza, o conciliador já deve ter levado o caso para a justiça. Em breve, creio que tanto vocês quanto o Vitor receberão uma assistente social para avaliar as condições financeiras e ambientais de cada um. Depois disso, será solicitado um teste de DNA para verificar se o Marquinhos é mesmo filho do Vitor, além de que terá visitas de terapeutas para avaliar os aspectos psicológicos dos envolvidos no processo. Só aí, que a reunião será marcada.
FELIPE: É muita coisa.
SANTANA: Realmente, não será uma guerra fácil de enfrentar.
FELIPE: Doutor, eu tenho uma dúvida quanto ao teste de DNA que o senhor mencionou. É certeza absoluta que o Vitor é pai biológico do Marquinhos. Quando isso for comprovado, meu nome será apagado do registro de nascimento dele, do Marquinhos?
SANTANA: Sim. Legalmente, você deixará de ser pai do Marcos.
Cena 14/ Pousada/ Quarto de Maura e Alexandre/ Interno/ Dia
(Batidas na porta)
MAURA: Alexandre, veja quem está batendo na porta, por favor.
(Alexandre atende)
ALEXANDRE: Isadora?
ISADORA: Oi.
(Isadora entra e Alexandre fecha a porta)
MAURA: Isadora? O que houve?
ISADORA: Bom dia, gente.
ALEXANDRE: Aconteceu alguma coisa?
ISADORA: Aconteceu. Eu desisti de viajar.
MAURA: Mas como?
ALEXANDRE: Por que você desistiu da viagem?
(Isadora pega o celular e mostra algumas fotos de Solano e Luana juntos)
ISADORA: Será que isso responde a sua pergunta?
ALEXANDRE: Não estou acreditando nisso.
MAURA: Não estou conseguindo ver direito a foto. Quem são esses?
ALEXANDRE: São o Solano e a Luana, mãe.
ISADORA: A foto mostra eles juntos, nus e aos beijos.
MAURA: Que horrível. Mas eles não são primos?
ALEXANDRE: E quem disse que primos não podem ter relacionamentos mais íntimos, mãe?
ISADORA: Mas eu estou desconfiada de uma coisa. Eu acho que o Solano e a Luana não são primos coisa nenhuma. Eu acho que eles inventaram esse vínculo parental para justificar o contato que um tem com o outro.
ALEXANDRE: Pode ser. E o que você vai fazer com essas fotos? Você vai mostrá-las para o Tiago?
ISADORA: Claro que sim, mas não agora. Eu quero desmascarar a Luana por inteiro, não em partes. Não quero revelar a traição dela hoje e amanhã ter que revelar outro podre. Quero desmascará-la de uma vez, mostrar todos os males que ela já causou de uma vez só.
Cena 15/ Paisagens de Dourados/ Noite
(Toca música de suspense)
Cena 16/ Galpão/ Interno/ Noite
(Luana e Solano entram)
SOLANO: Eu tive que inventar uma desculpa esfarrapada bem convincente para poder me encontrar com você. Qual é o problema da vez?
LUANA: A Isadora desistiu da viagem. Eu te disse isso pelo telefone.
SOLANO: Eu sei, mas o que podemos fazer?
LUANA: Temos que tirar essa desgraçada das nossas vidas, Solano. Eu só acho muito estranho ela ter desistido da viagem. Ontem, quando ela foi se despedir da família Bertolin, ela me pareceu tão decidida e convicta a viajar. Ela deve ter descoberto alguma coisa para decidir ficar mais um tempo na cidade.
SOLANO: Descoberto o quê?
LUANA: Eu não sei, Solano. Eu não sou uma bola de cristal.
SOLANO: As fantasias.
(Solano se aproxima de um canto na parede e tira uma cerâmica falsa. Ele vê as fantasias guardadas lá)
SOLANO: Bom, as fantasias continuam aqui.
LUANA: Eu realmente não sei o que ela descobriu. O que eu sei é que a Isadora deve sair das nossas vidas definitivamente. Nós demos uma chance para ela sair viva dessa história, mas ela desperdiçou. Agora, só nos resta uma alternativa.
SOLANO: Qual?
LUANA: Nós vamos matar a Isadora.
(Congela em Luana. Toca Radioactive – Imagine Dragons)

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