quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Superação - Penúltimo Capítulo


Continuação imediata do capítulo anterior.

Cena 1 – Jornal Bertollo – Dia
GUILHERME – E se a Ana não ficar comigo, não vai ficar com mais ninguém! Vai virar churrasquinho, fazer companhia pro papaizinho dela lá no inferno! Que idiota! Foi tão fácil acabar com aquele velho! Foi só tirar uma boa parte da gasolina daquele aviãozinho dele e pronto! Hahaha
Franchesco aparece.
FRANCHESCO – Uma pena que não conseguiu acabar com o velho idiota, né Guilherme?
GUILHERME – Franchesco???
Luiza congela de susto ao ver Franchesco vivo.
FRANCHESCO – Achou que tinha me matado?
GUILHERME – Dr. Franchesco, o senhor entendeu errado, eu não disse...
FRANCHESCO – Eu entendi muito bem!
EDGAR – Eu ouvi tudo também!
GUILHERME – Não se mete que você nem tava aqui, não sabe de nada!
FRANCHESCO – Mas, eu sei de tudo! E agora a polícia também vai ficar sabendo!
GUILHERME – Ah é? Chama a polícia que eu acabo com sua família!
FRANCHESCO – Agora mostrou as garras, né Guilherme? Eu não quis acreditar que você era esse cara malvado que a Ana me disse. Achei que era só birra de ex namorados. E o Dorival também sempre me alertou que você não prestava.
GUILHERME – Hahaha. Aquele garoto é um idiota! Quem vai acreditar num ceguinho?
FRANCHESCO – Não fala assim do meu filho!
GUILHERME – Falo como eu quiser!
Franchesco parte pra cima de Guilherme e Edgar o segura.
GUILHERME – Bate! Vem, velho!
FRANCHESCO – Deveria dar a lição que você merece, mas não vou me rebaixar ao seu nível! Você vai se entender com a polícia! Mas, antes, me diga, como conseguiu a presidência?
EDGAR – Eu sempre achei estranho, afinal, deveria ser alguém da família a assumir, mas ele disse que tinha uma procuração assinada pela Ana, dando plenos poderes.
FRANCHESCO – Que procuração? Que história é essa?
GUILHERME – Hahahaha otários! Sempre foi muito fácil enganar essa família! Vou contar só pra esse daí rir também da burrice da família! Hahahaha
Luiza presta muita atenção também, afinal, sempre quis saber como Guilherme conseguiu a procuração.

Cena 2 – Flash-Back 1 – Casa da família Bertollo – Sala – Dia
Guilherme e Ana sentados no sofá namorando. Guilherme levanta, pega um papel e uma caneta e assina.
GUILHERME – haha Olha só, Ana, não parece letra de médico?
ANA – Que nada, Guilherme! Haha
GUILHERME – Tenho certeza que a sua letra é muito mais bonita que a minha.
ANA – Não, a minha letra é feia, seu bobo!
GUILHERME – Duvido! Deixa eu ver, então! Assina aí, me dá um autógrafo! Haha
Ana assina o pedaço de papel.
ANA – Olha aí! Que horrível!
GUILHERME – Que nada, sua letra é linda! Haha
Guilherme beija Ana e esconde o pedaço de papel no bolso.
Fim do Flash-Back 1.

Cena 3 – Flash Back 2 - Rua deserta – Exterior – Dia
GUILHERME – Qualé, meu irmão? Passa logo isso que eu não tenho o dia todo!
HOMEM – Calma aí! Acha que é tão fácil assim? Toma aqui! Pera! Trouxe a grana?
GUILHERME – Tá aqui! Passa logo!
O homem entrega um envelope pra Guilherme.
GUILHERME – Isso aqui vai me ajudar muito! Hahaha
HOMEM – Eu deveria cobrar mais! Não foi fácil falsificar a assinatura dessa moça. Que letrinha, hein?
GUILHERME – Não reclama! Vai ter mais serviços pra você!
HOMEM – Tá certo. Faça bom proveito dessa “procuração”!
GUILHERME – Farei! Pode deixar! hahaha
Fim do Flash-Back 2.

Cena 4 – Jornal Bertollo – Dia
Guilherme termina de contar como conseguiu a procuração que o elegeu presidente.
GUILHERME – E foi isso! Vocês foram muito otários mesmo! Foi muito fácil enganar essa família! Hahaha
FRANCHESCO – Desgraçado! Isso não vai ficar assim! Fim de linha pra você!
Guilherme puxa um canivete do bolso.
GUILHERME – É que o vocês pensam! Pra trás! Pra trás! Ninguém vai me impedir de fugir!
Franchesco e e Edgar se assustam e não reagem. Guilherme aproveita e se manda.
EDGAR – E agora?
FRANCHESCO – Ainda vamos colocar esse cara na cadeia! Isso não vai ficar assim! Luiza, você tem algo a ver com tudo isso?
LUIZA – (fingindo) Claro que não, doutor Franchesco!
FRANCHESCO – Pois bem, eu quero uma reunião com todos, imediatamente!
LUIZA – Doutor Franchesco, eu poderia sair? Fiquei muito abalada com tudo que aconteceu, com as ameaças do Guilherme, não to me sentindo bem.
FRANCHESCO – Tudo bem. Edgar, você convoque a todos, por favor!
EDGAR – É pra já!
Cena 5 – Escola Napoinara – Intervalo – Pátio – Dia
Dorival e Marcelo conversando, sentados num dos bancos. Ciro chega.
MARCELO – O que você que aqui, Ciro? Não enche!
DORIVAL – Calma, Marcelo. O Ciro mudou muito. Ele me ajudou outro dia quando fui procurar por você.
MARCELO – Verdade?
CIRO – Sim. Na verdade, eu vim aqui pra pedir perdão a vocês dois por tudo que eu fiz.
MARCELO – Não sei, isso pode ser mais uma armação sua.
CIRO – Juro que não. Eu to falando sério. Me perdoem!
DORIVAL – Marcelo, acho que ele merece uma chance. Todos nós erramos vez por outra e nos arrependemos. Muitas vezes o que precisamos é de uma chance pra mudar de vida e sermos pessoas melhores.
MARCELO – É, você tem razão. Então tá, Ciro, vamos dar essa chance a você e da minha parte, te perdoo.
DORIVAL – Assim é que se fala! Tá perdoado, Ciro.
CIRO – Muito obrigado, gente! Na verdade eu nunca tive amigos de verdade e essa amizade de vocês me inomodou muito, pois me lembra da minha situação.
DORIVAL – Então, se você quiser, pode ser nosso amigo!
CIRO – Tá falando sério?
MARCELO – Sim.
Os três dão as mãos selando a amizade.

Cena 6 – Hospital – Sala de Espera – Dia
Tonelada permeneceu todos os dias aguardando a recuperação de Catarina. Ele e Ana aguardam o resultado dos testes.
TONELADA – Engraçado, garota, você me lembra tanto a Catarina quando era jovem. O ânimo, as feições, tudo...
ANA – Ah é? E o senhor a conhece já há tempo?
TONELADA – Muito! Eu sou, ou era, o melhor amigo de infância do marido dela.
ANA – Olha só! Haha Eu gosto muito da dona Catarina. Ela é como uma mãe pra mim. Espero que eu possa a ajudar. Mas você disse que “era” amigo de infância do marido dela?
TONELADA – É uma longa história. Não gostaria de falar nisso agora.
ANA – Tudo bem, entendo.
TONELADA – Mas, torço muito pra que você possa ajudar a Catarina. O tipo de sangue dela é raríssimo.
ANA – Acredita que o meu também? Vai ver não é só uma coincidência, né? Pode ser que fizeram isso planejando que eu iria ser útil agora.
TONELADA – Verdade! Haha

Cena 7 – Casa de Luiza – Dia
LUIZA – Fica tranquilo que ninguém sai suspeitar que você tá aqui.
GUILHERME – Espero que não. E então, pronta pra colocar o plano em ação?
LUIZA – Prontíssima, querido! Presta atenção e aprende como se faz.
Luiza pega o telefone.

Cena 8 – Casa de Edvaldo – Dia
FÁBIO – Enfim, tudo acabou bem. O Marcelo tá bem, retornou pra escola, a Ana reapareceu.
EDVALDO – Ainda bem, filho! Mas, não sei, to sentindo algo.
FÀBIO – Pai, o que o senhor tem?
EDVALDO – Uma tristeza muito grande, filho. Um sentimento estranho, como se algo tivesse pra acontecer.
FÁBIO – Nem brinca com isso, pai.
EDVALDO – Talvez seja a amargura que eu tenho. Nunca contei a ninguém, guardo isso comigo até hoje.
FÁBIO – Do que você tá falando, pai?
EDVALDO – Eu cometi um erro muito grande no passado.
FÁBIO – Que erro, pai? O senhor sempre foi um grande exemplo pra mim, pro Marcelo!
EDVALDO – Ah, meu filho. Não pense assim. Eu cometi um erro gravíssimo, que eu não me perdoo até hoje.
FÁBIO – Me fala, pai! O senhor tá me deixando assustado!
EDVALDO – Chegou a hora de te contar tudo, filho! Espero que me perdoe!
Edvaldo começa a contar.

Cena 9 – Flash-Back 3 - Hospital de Clínicas – Rouparia - Interior – Dia
Edvaldo entra escondido na sala de rouparias do hospital.
EDVALDO – Meu filho, me perdoa, mas não tenho outra alternativa!
O bebê sorri para Edvaldo.
EDVALDO – Deus sabe o quanto tá me doendo fazer isso...
Edvaldo coloca o bebê deitado em meio a uns travesseiros e lençóis limpos.
EDVALDO – O hospital precisa sempre manter tudo bem limpo, organizado, então, não vai demorar muito pra alguém chegar aqui e pegar roupas novas.
O bebê se agita.
EDVALDO – Calma, meu filho! Tudo vai ficar bem! Eu não conseguiria te dar a vida que você merece. Você vai encontrar uma alma caridosa que vai cuidar bem de você!
O bebê se acalma. Edvaldo começa a chorar.
EDVALDO – Meu filho, papai vai sempre lembrar de você! Fica bem! Que Deus guie sua vida e te proteja em todas as suas dificuldades! Me perdoa por isso!
Edvaldo com lágrimas nos olhos, deixa seu filho lá dentro e sai, com cuidado pra não ser visto.
Fim do Flash-Back 3.

Cena 10 – Casa de Edvaldo – Dia
FÁBIO – (assustado) O quê? O senhor mentiu esse tempo todo?
EDVALDO – (chorando) Me perdoa, filho!
FÁBIO – Nunca pensei que o senhor fosse capaz de uma crueldade dessas!
EDVALDO – (chorando) Meu filho! Por favor, me entenda! Eu tava abalado com a morte da sua mãe. A nossa situação era precária! Eu não sabia nem como iria cuidar de você!
FÁBIO – O meu irmãozinho! Eu nunca soube da existência dele. Pra mim ele havia morrido junto com a mamãe, como o senhor havia dito.
EDVALDO – (chorando) Me perdoa, Fábio!
FÀBIO – Ele não tinha culpa de tudo que tava acontecendo.
EDVALDO – (chorando) Não tinha mesmo! Eu fui fraco! Um irresponsável!
FÀBIO – Tudo bem, pai! Eu te perdoo. Mas, o senhor nunca mais soube dessa criança? O que aconteceu com meu irmão?
EDVALDO – Não, meu filho. Nunca mais! Tudo que sei sobre ele é que ele tinha essa mesma “coroa” marcada no braço, como você e o Marcelo tem. É um sinal de família.
Fábio olha para o braço.
FÁBIO – Deus queira que meu irmão esteja bem!
EDVALDO – Deus queira, meu filho! Eu sempre oro por ele toda a noite antes de dormir, pra que tenha se tornado um homem de bem, assim como você.
No momento, o telefone toca. Fábio atende.
FÀBIO – Alô!
LUIZA – (off desesperada) Fábio, é a Luiza! Corre pra cá! Eu vou morrer! Tomei todos os remédios que tinha no armário!
FÀBIO – O quê? To indo pra aí agora!
Fábio desliga o telefone e vai em direção à porta.
EDVALDO – Quem era, Fábio? Onde você vai com tanta pressa?
FÀBIO – A Luiza! Ela tomou todos os remédios e tá morrendo.
EDVALDO – Meu Deus! Essa mulher é louca! Corre, filho! Tente fazer o possível pra salvá-la!
Fábio sai correndo em direção à casa de Luiza.

Cena 11 – Casa da família Chateaubriand – Dia
MIGUEL – Vanessa, eu te chamei aqui porque o que eu tenho pra te dizer não podia ser ao telefone.
VANESSA – E por quê não me falou lá na escola?
MIGUEL – Não quis misturar as coisas, então, achei melhor te chamar aqui em casa.
VANESSA – Diga logo, Miguel. To ficando assustada.
Miguel finge cair no chão.
VANESSA – Miguel, você tá bem? Se machucou?
Miguel, ajoelhado no chão, diante de Vanessa, pega uma caixinha, abre, revelando uma aliança.
MIGUEL – Vanessa, você aceita casar comigo?
VANESSA – (com lágrimas nos olhos) Meu Deus! Nunca imaginei que... eu aceito! Aceito!
Miguel levanta e a beija.
MIGUEL – Te amo!
VANESSA – Eu também te amo!

Cena 12 – Jornal Bertollo – Sala da Presidência – Dia
A reunião termina e Franchesco e reeleito presidente do jornal Bertollo.
FRANCHESCO – Enfim, tudo voltando ao normal! Agora só preciso uma coisa
EDGAR – O que, Dr. Franchesco?
Franchesco pega uma caneta e um papel e anota um número e um endereço.
FRANCHESCO – Edgar, ligue pra esse número e mande a Mariana ir até esse endereço.
EDGAR – Mas, doutor Franchesco, no hospital?
FRANCHESCO – Edgar, eu sei que fui dado como morto e a emoção de saber da verdade vai ser um grande choque pra Mariana. Não quero que ela passe mal, mas qualquer coisa que acontecer, ela já estará no hospital e o atendimento vai ser mais fácil.
EDGAR – Tem razão! O senhor pensa em tudo, mesmo!
FRANCHESCO – Temos que nos prevenir, meu caro! Agora cuida disso que eu vou até o hospital! Não devo retornar hoje!
EDGAR – Pode deixar! Boa sorte!
FRANCHESCO – Obrigado! E não diga nada à Mariana por telefone!
EDGAR – Claro!

Cena 13 – Hospital – Sala de Espera – Dia
Ana e Tonelada conversam quando o Dr. Arthur chega.
TONELADA – E então, Doutor?
Arthur olha sério para os dois, depois olha para Ana.
ARTHUR – Ana, eu poderia falar com você?
ANA – O que houve, doutor? E aí, meu sangue é compatível com o da dona Catarina?
ARTHUR – Eu preciso ter um particular com você, Ana.
TONELADA – Doutor, por favor! Diga! A Ana vai poder doar? To que não me aguento de preocupação.
ANA – Doutor Arthur, seja lá o que for dizer, pode dizer na frente do Tonelada. Ele precisa saber de toda a verdade.
TONELADA – Meu Deus! Vocês tão me assustando! A Catarina piorou? Eu quero ver ela!
ARTHUR – Acalme-se senhor... Tonelada! A Catarina tá melhorando e a Ana vai sim, poder doar o sangue a ela.
ANA – Graças a Deus! Mas, o que tinha de falar que queria me falar em particular?
ARTHUR – Comparando o seu sangue e o dela, que são raríssimos, confirmamos que são sim, compatíveis.
TONELADA – Ainda bem, doutor! A Catarina vai se recuperar, se Deus quiser!
ARTHUR – Vai sim, seu Tonlada, mas continuando... Ana, seu sangue e o da dona Catarina são idênticos demais! Casos como esse apenas aconteceriam em parentes muito próximos, como mãe e filha, por exemplo.
Tonelada ouve e começa a refletir.
ANA – Não entendo, doutor Arthur. Eu e dona Catarina não temos nenhum parentesco.
ARTHUR – Pois é, eu sei. Isso que tá me deixando mais curioso. A compatibilidade é imensa, como eu já lhe disse. Todas as taxas sanguíneas se equivalem!
Tonelada segue ouvindo com interesse.
ARTHUR – Mas, vamos lá então? Hora de você perder um pouco desse sangue raro e da dona Catarina receber um pouco!
ANA – Vamos!
TONELADA – Eu aguardo aqui. Não gosto de ver sangue!
ANA – Um homem desse tamanho? Haha. Já volto!

Cena 14 – Casa de Luiza – Dia
LUIZA – Fica preparado que ele já deve tá chegando.
GUILHERME – Eu sempre to preparado! Haha
Alguém bate na porta.
LUIZA – (baixinho) É ele! Se esconde atrás da porta! Anda! Assim que ele entrar, ataca!
Luiza vai até a porta e abre.
FÀBIO – Luiza! Como você tá? Vamos pro hospital agora! Você tem que desintoxicar esse estômago!
LUIZA – (fingindo) Fábio, que bom que você veio, eu acho que eu vou morrer!
FÀBIO – Não diz isso, Luiza!
Luiza vai até o sofá, fingindo estar muito fraca. Fábio vai atrás. Guilherme aproveita pra colocar um pano em seu nariz. Fábio desmaia.
GUILHERME – Conseguimos! Hahaha
LUIZA – E agora, o que fazemos com ele?
GUILHERME – Vamos pra um lugarzinho muito especial pra dar um fim nesse otário! Hahaha
Congela em Guilherme sorrindo diabolicamente.


FIM DE CAPÌTULO.
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