Continuação imediata do
capítulo anterior.
Cena 1 – Jornal
Bertollo – Dia
GUILHERME – E se a Ana
não ficar comigo, não vai ficar com mais ninguém! Vai virar
churrasquinho, fazer companhia pro papaizinho dela lá no inferno!
Que idiota! Foi tão fácil acabar com aquele velho! Foi só tirar
uma boa parte da gasolina daquele aviãozinho dele e pronto! Hahaha
Franchesco aparece.
FRANCHESCO – Uma pena
que não conseguiu acabar com o velho idiota, né Guilherme?
GUILHERME –
Franchesco???
Luiza congela de susto ao
ver Franchesco vivo.
FRANCHESCO – Achou que
tinha me matado?
GUILHERME – Dr.
Franchesco, o senhor entendeu errado, eu não disse...
FRANCHESCO – Eu entendi
muito bem!
EDGAR – Eu ouvi tudo
também!
GUILHERME – Não se
mete que você nem tava aqui, não sabe de nada!
FRANCHESCO – Mas, eu
sei de tudo! E agora a polícia também vai ficar sabendo!
GUILHERME – Ah é?
Chama a polícia que eu acabo com sua família!
FRANCHESCO – Agora
mostrou as garras, né Guilherme? Eu não quis acreditar que você
era esse cara malvado que a Ana me disse. Achei que era só birra de
ex namorados. E o Dorival também sempre me alertou que você não
prestava.
GUILHERME – Hahaha.
Aquele garoto é um idiota! Quem vai acreditar num ceguinho?
FRANCHESCO – Não fala
assim do meu filho!
GUILHERME – Falo como
eu quiser!
Franchesco parte pra cima
de Guilherme e Edgar o segura.
GUILHERME – Bate! Vem,
velho!
FRANCHESCO – Deveria
dar a lição que você merece, mas não vou me rebaixar ao seu
nível! Você vai se entender com a polícia! Mas, antes, me diga,
como conseguiu a presidência?
EDGAR – Eu sempre achei
estranho, afinal, deveria ser alguém da família a assumir, mas ele
disse que tinha uma procuração assinada pela Ana, dando plenos
poderes.
FRANCHESCO – Que
procuração? Que história é essa?
GUILHERME – Hahahaha
otários! Sempre foi muito fácil enganar essa família! Vou contar
só pra esse daí rir também da burrice da família! Hahahaha
Luiza presta muita
atenção também, afinal, sempre quis saber como Guilherme conseguiu
a procuração.
Cena 2 – Flash-Back
1 – Casa da família Bertollo – Sala – Dia
Guilherme e Ana sentados
no sofá namorando. Guilherme levanta, pega um papel e uma caneta e
assina.
GUILHERME – haha Olha
só, Ana, não parece letra de médico?
ANA – Que nada,
Guilherme! Haha
GUILHERME – Tenho
certeza que a sua letra é muito mais bonita que a minha.
ANA – Não, a minha
letra é feia, seu bobo!
GUILHERME – Duvido!
Deixa eu ver, então! Assina aí, me dá um autógrafo! Haha
Ana assina o pedaço de
papel.
ANA – Olha aí! Que
horrível!
GUILHERME – Que nada,
sua letra é linda! Haha
Guilherme beija Ana e
esconde o pedaço de papel no bolso.
Fim do Flash-Back 1.
Cena 3 – Flash Back
2 - Rua deserta – Exterior – Dia
GUILHERME – Qualé, meu
irmão? Passa logo isso que eu não tenho o dia todo!
HOMEM – Calma aí! Acha
que é tão fácil assim? Toma aqui! Pera! Trouxe a grana?
GUILHERME – Tá aqui!
Passa logo!
O homem entrega um
envelope pra Guilherme.
GUILHERME – Isso aqui
vai me ajudar muito! Hahaha
HOMEM – Eu deveria
cobrar mais! Não foi fácil falsificar a assinatura dessa moça. Que
letrinha, hein?
GUILHERME – Não
reclama! Vai ter mais serviços pra você!
HOMEM – Tá certo. Faça
bom proveito dessa “procuração”!
GUILHERME – Farei! Pode
deixar! hahaha
Fim do Flash-Back 2.
Cena 4 – Jornal
Bertollo – Dia
Guilherme termina de
contar como conseguiu a procuração que o elegeu presidente.
GUILHERME – E foi isso!
Vocês foram muito otários mesmo! Foi muito fácil enganar essa
família! Hahaha
FRANCHESCO –
Desgraçado! Isso não vai ficar assim! Fim de linha pra você!
Guilherme puxa um
canivete do bolso.
GUILHERME – É que o
vocês pensam! Pra trás! Pra trás! Ninguém vai me impedir de
fugir!
Franchesco e e Edgar se
assustam e não reagem. Guilherme aproveita e se manda.
EDGAR – E agora?
FRANCHESCO – Ainda
vamos colocar esse cara na cadeia! Isso não vai ficar assim! Luiza,
você tem algo a ver com tudo isso?
LUIZA – (fingindo)
Claro que não, doutor Franchesco!
FRANCHESCO – Pois bem,
eu quero uma reunião com todos, imediatamente!
LUIZA – Doutor
Franchesco, eu poderia sair? Fiquei muito abalada com tudo que
aconteceu, com as ameaças do Guilherme, não to me sentindo bem.
FRANCHESCO – Tudo bem.
Edgar, você convoque a todos, por favor!
EDGAR – É pra já!
Cena 5 – Escola
Napoinara – Intervalo – Pátio – Dia
Dorival e Marcelo
conversando, sentados num dos bancos. Ciro chega.
MARCELO – O que você
que aqui, Ciro? Não enche!
DORIVAL – Calma,
Marcelo. O Ciro mudou muito. Ele me ajudou outro dia quando fui
procurar por você.
MARCELO – Verdade?
CIRO – Sim. Na verdade,
eu vim aqui pra pedir perdão a vocês dois por tudo que eu fiz.
MARCELO – Não sei,
isso pode ser mais uma armação sua.
CIRO – Juro que não.
Eu to falando sério. Me perdoem!
DORIVAL – Marcelo, acho
que ele merece uma chance. Todos nós erramos vez por outra e nos
arrependemos. Muitas vezes o que precisamos é de uma chance pra
mudar de vida e sermos pessoas melhores.
MARCELO – É, você tem
razão. Então tá, Ciro, vamos dar essa chance a você e da minha
parte, te perdoo.
DORIVAL – Assim é que
se fala! Tá perdoado, Ciro.
CIRO – Muito obrigado,
gente! Na verdade eu nunca tive amigos de verdade e essa amizade de
vocês me inomodou muito, pois me lembra da minha situação.
DORIVAL – Então, se
você quiser, pode ser nosso amigo!
CIRO – Tá falando
sério?
MARCELO – Sim.
Os três dão as mãos
selando a amizade.
Cena 6 – Hospital –
Sala de Espera – Dia
Tonelada permeneceu todos
os dias aguardando a recuperação de Catarina. Ele e Ana aguardam o
resultado dos testes.
TONELADA – Engraçado,
garota, você me lembra tanto a Catarina quando era jovem. O ânimo,
as feições, tudo...
ANA – Ah é? E o senhor
a conhece já há tempo?
TONELADA – Muito! Eu
sou, ou era, o melhor amigo de infância do marido dela.
ANA – Olha só! Haha Eu
gosto muito da dona Catarina. Ela é como uma mãe pra mim. Espero
que eu possa a ajudar. Mas você disse que “era” amigo de
infância do marido dela?
TONELADA – É uma longa
história. Não gostaria de falar nisso agora.
ANA – Tudo bem,
entendo.
TONELADA – Mas, torço
muito pra que você possa ajudar a Catarina. O tipo de sangue dela é
raríssimo.
ANA – Acredita que o
meu também? Vai ver não é só uma coincidência, né? Pode ser que
fizeram isso planejando que eu iria ser útil agora.
TONELADA – Verdade!
Haha
Cena 7 – Casa de
Luiza – Dia
LUIZA – Fica tranquilo
que ninguém sai suspeitar que você tá aqui.
GUILHERME – Espero que
não. E então, pronta pra colocar o plano em ação?
LUIZA – Prontíssima,
querido! Presta atenção e aprende como se faz.
Luiza pega o telefone.
Cena 8 – Casa de
Edvaldo – Dia
FÁBIO – Enfim, tudo
acabou bem. O Marcelo tá bem, retornou pra escola, a Ana reapareceu.
EDVALDO – Ainda bem,
filho! Mas, não sei, to sentindo algo.
FÀBIO – Pai, o que o
senhor tem?
EDVALDO – Uma tristeza
muito grande, filho. Um sentimento estranho, como se algo tivesse pra
acontecer.
FÁBIO – Nem brinca com
isso, pai.
EDVALDO – Talvez seja a
amargura que eu tenho. Nunca contei a ninguém, guardo isso comigo
até hoje.
FÁBIO – Do que você
tá falando, pai?
EDVALDO – Eu cometi um
erro muito grande no passado.
FÁBIO – Que erro, pai?
O senhor sempre foi um grande exemplo pra mim, pro Marcelo!
EDVALDO – Ah, meu
filho. Não pense assim. Eu cometi um erro gravíssimo, que eu não
me perdoo até hoje.
FÁBIO – Me fala, pai!
O senhor tá me deixando assustado!
EDVALDO – Chegou a hora
de te contar tudo, filho! Espero que me perdoe!
Edvaldo começa a contar.
Cena 9 – Flash-Back
3 - Hospital de Clínicas – Rouparia - Interior – Dia
Edvaldo entra escondido
na sala de rouparias do hospital.
EDVALDO – Meu filho, me
perdoa, mas não tenho outra alternativa!
O bebê sorri para
Edvaldo.
EDVALDO – Deus sabe o
quanto tá me doendo fazer isso...
Edvaldo coloca o bebê
deitado em meio a uns travesseiros e lençóis limpos.
EDVALDO – O hospital
precisa sempre manter tudo bem limpo, organizado, então, não vai
demorar muito pra alguém chegar aqui e pegar roupas novas.
O bebê se agita.
EDVALDO – Calma, meu
filho! Tudo vai ficar bem! Eu não conseguiria te dar a vida que você
merece. Você vai encontrar uma alma caridosa que vai cuidar bem de
você!
O bebê se acalma.
Edvaldo começa a chorar.
EDVALDO – Meu filho,
papai vai sempre lembrar de você! Fica bem! Que Deus guie sua vida e
te proteja em todas as suas dificuldades! Me perdoa por isso!
Edvaldo com lágrimas nos
olhos, deixa seu filho lá dentro e sai, com cuidado pra não ser
visto.
Fim do Flash-Back 3.
Cena 10 – Casa de
Edvaldo – Dia
FÁBIO – (assustado) O
quê? O senhor mentiu esse tempo todo?
EDVALDO – (chorando) Me
perdoa, filho!
FÁBIO – Nunca pensei
que o senhor fosse capaz de uma crueldade dessas!
EDVALDO – (chorando)
Meu filho! Por favor, me entenda! Eu tava abalado com a morte da sua
mãe. A nossa situação era precária! Eu não sabia nem como iria
cuidar de você!
FÁBIO – O meu
irmãozinho! Eu nunca soube da existência dele. Pra mim ele havia
morrido junto com a mamãe, como o senhor havia dito.
EDVALDO – (chorando) Me
perdoa, Fábio!
FÀBIO – Ele não tinha
culpa de tudo que tava acontecendo.
EDVALDO – (chorando)
Não tinha mesmo! Eu fui fraco! Um irresponsável!
FÀBIO – Tudo bem, pai!
Eu te perdoo. Mas, o senhor nunca mais soube dessa criança? O que
aconteceu com meu irmão?
EDVALDO – Não, meu
filho. Nunca mais! Tudo que sei sobre ele é que ele tinha essa mesma
“coroa” marcada no braço, como você e o Marcelo tem. É um
sinal de família.
Fábio olha para o braço.
FÁBIO – Deus queira que meu irmão esteja bem!
FÁBIO – Deus queira que meu irmão esteja bem!
EDVALDO – Deus queira,
meu filho! Eu sempre oro por ele toda a noite antes de dormir, pra
que tenha se tornado um homem de bem, assim como você.
No momento, o telefone
toca. Fábio atende.
FÀBIO – Alô!
LUIZA – (off
desesperada) Fábio, é a Luiza! Corre pra cá! Eu vou morrer! Tomei
todos os remédios que tinha no armário!
FÀBIO – O quê? To
indo pra aí agora!
Fábio desliga o telefone
e vai em direção à porta.
EDVALDO – Quem era,
Fábio? Onde você vai com tanta pressa?
FÀBIO – A Luiza! Ela
tomou todos os remédios e tá morrendo.
EDVALDO – Meu Deus!
Essa mulher é louca! Corre, filho! Tente fazer o possível pra
salvá-la!
Fábio sai correndo em
direção à casa de Luiza.
Cena 11 – Casa da
família Chateaubriand – Dia
MIGUEL – Vanessa, eu te
chamei aqui porque o que eu tenho pra te dizer não podia ser ao
telefone.
VANESSA – E por quê
não me falou lá na escola?
MIGUEL – Não quis
misturar as coisas, então, achei melhor te chamar aqui em casa.
VANESSA – Diga logo,
Miguel. To ficando assustada.
Miguel finge cair no
chão.
VANESSA – Miguel, você
tá bem? Se machucou?
Miguel, ajoelhado no
chão, diante de Vanessa, pega uma caixinha, abre, revelando uma
aliança.
MIGUEL – Vanessa, você
aceita casar comigo?
VANESSA – (com lágrimas
nos olhos) Meu Deus! Nunca imaginei que... eu aceito! Aceito!
Miguel levanta e a beija.
MIGUEL – Te amo!
VANESSA – Eu também te
amo!
Cena 12 – Jornal
Bertollo – Sala da Presidência – Dia
A reunião termina e
Franchesco e reeleito presidente do jornal Bertollo.
FRANCHESCO – Enfim,
tudo voltando ao normal! Agora só preciso uma coisa
EDGAR – O que, Dr.
Franchesco?
Franchesco pega uma
caneta e um papel e anota um número e um endereço.
FRANCHESCO – Edgar,
ligue pra esse número e mande a Mariana ir até esse endereço.
EDGAR – Mas, doutor
Franchesco, no hospital?
FRANCHESCO – Edgar, eu
sei que fui dado como morto e a emoção de saber da verdade vai ser
um grande choque pra Mariana. Não quero que ela passe mal, mas
qualquer coisa que acontecer, ela já estará no hospital e o
atendimento vai ser mais fácil.
EDGAR – Tem razão! O
senhor pensa em tudo, mesmo!
FRANCHESCO – Temos que
nos prevenir, meu caro! Agora cuida disso que eu vou até o hospital!
Não devo retornar hoje!
EDGAR – Pode deixar!
Boa sorte!
FRANCHESCO – Obrigado!
E não diga nada à Mariana por telefone!
EDGAR – Claro!
Cena 13 – Hospital –
Sala de Espera – Dia
Ana
e Tonelada conversam quando o Dr. Arthur chega.
TONELADA
– E então, Doutor?
Arthur
olha sério para os dois, depois olha para Ana.
ARTHUR
– Ana, eu poderia falar com você?
ANA
– O que houve, doutor? E aí, meu sangue é compatível com o da
dona Catarina?
ARTHUR
– Eu preciso ter um particular com você, Ana.
TONELADA
– Doutor, por favor! Diga! A Ana vai poder doar? To que não me
aguento de preocupação.
ANA
– Doutor Arthur, seja lá o que for dizer, pode dizer na frente do
Tonelada. Ele precisa saber de toda a verdade.
TONELADA
– Meu Deus! Vocês tão me assustando! A Catarina piorou? Eu quero
ver ela!
ARTHUR
– Acalme-se senhor... Tonelada! A Catarina tá melhorando e a Ana
vai sim, poder doar o sangue a ela.
ANA
– Graças a Deus! Mas, o que tinha de falar que queria me falar em
particular?
ARTHUR
– Comparando o seu sangue e o dela, que são raríssimos,
confirmamos que são sim, compatíveis.
TONELADA
– Ainda bem, doutor! A Catarina vai se recuperar, se Deus quiser!
ARTHUR
– Vai sim, seu Tonlada, mas continuando... Ana, seu sangue e o da
dona Catarina são idênticos demais! Casos como esse apenas
aconteceriam em parentes muito próximos, como mãe e filha, por
exemplo.
Tonelada
ouve e começa a refletir.
ANA
– Não entendo, doutor Arthur. Eu e dona Catarina não temos nenhum
parentesco.
ARTHUR
– Pois é, eu sei. Isso que tá me deixando mais curioso. A
compatibilidade é imensa, como eu já lhe disse. Todas as taxas
sanguíneas se equivalem!
Tonelada
segue ouvindo com interesse.
ARTHUR
– Mas, vamos lá então? Hora de você perder um pouco desse sangue
raro e da dona Catarina receber um pouco!
ANA
– Vamos!
TONELADA
– Eu aguardo aqui. Não gosto de ver sangue!
ANA
– Um homem desse tamanho? Haha. Já volto!
Cena
14 – Casa de Luiza – Dia
LUIZA
– Fica preparado que ele já deve tá chegando.
GUILHERME
– Eu sempre to preparado! Haha
Alguém
bate na porta.
LUIZA
– (baixinho) É ele! Se esconde atrás da porta! Anda! Assim que
ele entrar, ataca!
Luiza
vai até a porta e abre.
FÀBIO
– Luiza! Como você tá? Vamos pro hospital agora! Você tem que
desintoxicar esse estômago!
LUIZA
– (fingindo) Fábio, que bom que você veio, eu acho que eu vou
morrer!
FÀBIO
– Não diz isso, Luiza!
Luiza
vai até o sofá, fingindo estar muito fraca. Fábio vai atrás.
Guilherme aproveita pra colocar um pano em seu nariz. Fábio desmaia.
GUILHERME
– Conseguimos! Hahaha
LUIZA
– E agora, o que fazemos com ele?
GUILHERME
– Vamos pra um lugarzinho muito especial pra dar um fim nesse
otário! Hahaha
Congela
em Guilherme sorrindo diabolicamente.
FIM
DE CAPÌTULO.

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