quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Velhos Tempos - Capítulo 21



Cena 1/ Mansão Sabarah/ Gabinete/ Interno/ Noite
(Continuação imediata da última cena do capítulo anterior)
GERTRUDE: A Cassilda é filha do doutor Viriato.
BONAVANTE: Cala a boca, sua infeliz. Eu sei que você foi comprada pelo Viriato para confirmar essa mentira descabida.
GERTRUDE: O senhor está enganado, doutor Bonavante. Como eu disse, eu e Madalena éramos amigas e confidentes.
BONAVANTE: Eu conhecia muito bem as amigas da minha mulher e você nunca fez parte do circulo de amizades dela. Então não me venha com essa historinha achando que irá me enganar, porque não vai.
VIRIATO: O pior cego é aquele que não quer ver, não é o que dizem? Se você quiser continuar vivendo nessa história de mentiras e ilusões, o problema é seu. Mas eu vou lutar pelos meus direitos em relação à Cassilda, afinal eu sou o pai dela e quero ser reconhecido como tal.
BONAVANTE: Verme.
(Bonavante dá um soco em Viriato)
BONAVANTE: Fora da minha casa e nunca mais volte. Qualquer interferência sua na vida da minha família, eu juro que acabo com a tua raça. FORA DAQUI!
VIRIATO: Vamos, Gertrude.
(Viriato e Gertrude saem)

Cena 2/ Mansão Bragança/ Sala de estar/ Interno/ Noite
(Continuação imediata da cena 13 do capítulo anterior)
CHARLES: De qualquer forma, eu lhe prometo que irei contar à Clarissa que eu sou filho do Viriato.
LAURINDA: Fico mais tranqüila ao ouvir isso, meu filho. Não deve haver segredos entre vocês.
CHARLES: Eu sei, mãe. A senhora tem razão.
(Laurinda e Charles se abraçam)

Cena 3/ Mansão Bovary/ Sala de estar/ Interno/ Noite
(Continuação imediata da cena 14 do capítulo anterior)
CLARISSA: Eu não sei não, Cassandra. Não sei se consigo me vingar da Carlota.
CASSANDRA: Claro que consegue. Clarissa, você não estará fazendo nada demais. A Carlota precisa sentir na pele o que você sentiu.
CLARISSA: Certo. Então, me diga qual seria a vingança perfeita.
CASSANDRA: Não seria uma má ideia se você contasse para o papai que a Carlota e o Joca já foram namorados.
CLARISSA: O quê? Eu não posso fazer isso, Cassandra. Isso seria traição.
CASSANDRA: E o que foi que a Carlota fez com você quando não decidiu te contar a verdade sobre o seu nascimento? Caridade?
CLARISSA: Mesmo assim, Cassandra.
CASSANDRA: Clarissa, a Carlota te traiu. Agora é sua vez de traí-la. Você acha justo ela desgraçar sua vida e ficar impune?
CLARISSA: Você tem razão. Eu já sei o que irei fazer contra a Carlota.
CASSANDRA: É assim que se fala. Além disso, chega de ficar de luto. Reerga essa cabeça e siga em frente. Está mais do que na hora, não?

Cena 4/ Vila Prata/ Praça/ Interno/ Noite
(Continuação imediata da cena 12 do capítulo anterior)
CARLOTA: Por que você está me perguntando isso?
JOCA: Apenas seja direta, Carlota. Você armou aquele flagrante?
CARLOTA: Claro que não, Joca. Mas o que deu em você pra achar que eu fiz isso?
JOCA: É porque não sai da minha cabeça essa ideia que o doutor Bonavante foi atraído para o pasto naquele momento só para flagrar o beijo que a Cassandra me deu.
CARLOTA: E você veio desconfiar de mim? Eu não teria motivos para fazer isso com você, Joca. Mas parece que você não sabe disso.
JOCA: Você ficou chateada por que te fiz essa pergunta?
CARLOTA: Óbvio. Você desconfiou de mim, Joca, e uma relação sem confiança não é uma verdadeira relação.
JOCA: O que você quer dizer com isso?
CARLOTA: Joca, se você acha que eu fui capaz de armar um flagra como aquele, então você me enxerga como uma garota sem caráter e inescrupulosa. E eu não quero ser vista dessa maneira por uma pessoa que eu amo.
JOCA: Desculpa, Carlota. Eu realmente não sei onde estava com a cabeça para desconfiar de você.
CARLOTA: Acabou, Joca. Se você não é capaz de confiar em mim, não vejo por que continuarmos com esse relacionamento. Acabou.
(Carlota sai. Joca vai atrás dela)
JOCA: Perdão, Carlota.
CARLOTA: Eu sinto muito.
JOCA: Carlota, você é a única coisa boa na minha vida. Se você terminar comigo, aí mesmo que não terei forças para enfrentar meu padrinho e me tornarei padre.
CARLOTA: Infelizmente, eu não posso fazer nada, Joca. Adeus.
(Carlota sai. Os olhos dela lacrimejam, assim como os de Joca)

Cena 5/ Mansão Sabarah/ Gabinete/ Interno/ Noite
(Bonavante e Simão sentados à mesa, frente a frente)
SIMÃO: O senhor não acreditou nas palavras daquela mulher não, né doutor Bonavante?
BONAVANTE: Eu não sei de mais nada, Simão. Estou confuso, estressado. Se vier mais uma bomba na minha vida, quem vai explodir serei eu.

Cena 6/ Mansão Bragança/ Quarto de hóspedes/ Interno/ Noite
(Osório deitado na cama. Viriato entra)
VIRIATO: Está melhor?
OSÓRIO: Estou me recuperando.
VIRIATO: Quem bom em vê-lo melhor. Preciso de você totalmente recuperado.
OSÓRIO: Você contou para o Bonavante que a Cassilda não é filha dele, e sim sua?
VIRIATO: Sim, e ainda levei a Gertrude para confirmar a história. Mas acho que o Bonavante não se convenceu muito.
OSÓRIO: E agora?
VIRIATO: Agora que eu terei que fazer com que todos saibam que a Cassilda é minha filha. Vazar essa história, entende?
(Viriato encara Osório, com um sorriso cínico)

Cena 7/ Vila Prata/ Casa Juscelino/ Quarto Joca/ Interno/ Noite
(Ariana e Joca em pé, frente a frente)
ARIANA: Eu disse que você não deveria desconfiar da Carlota. Olha o que aconteceu.
JOCA: Se eu pudesse voltar no tempo.
ARIANA: Você deveria ter pedido desculpas, isso sim.
JOCA: Mas eu pedi.
ARIANA: De qualquer forma, Joca, você está pagando por ter desconfiado dela. A Cassandra conseguiu o que queria, não é mesmo? E agora?
JOCA: Agora que eu voltei à estaca zero. Não me resta outra coisa a não ser me dedicar à paróquia e se tornar padre. Nada mais me impede de fazer isso mesmo.

Cena 8/ Vila Prata/ Casa Geraldo/ Sala de estar/ Interno/ Noite
(Geraldo e Nuno, sentados em cadeiras dispostas lado a lado)
GERALDO: Então você é advogado da dona Eva?
NUNO: Era, porque ela morreu, não é? Só falta abrir o testamento dela.
GERALDO: E eu que pensei que você veio para cá só para me encontrar.
NUNO: Apenas uni o útil ao agradável. Pai, o que o senhor sabe a respeito da Clarissa?
GERALDO: Por que quer saber sobre essa moça?
NUNO: Ah, eu achei ela bonita, encantadora, só isso.
GERALDO: Quer fisgar a menina?
NUNO: Fisgar não. Quero conhecê-la. Se o meu santo bater com o dela, quem sabe.

Cena 9/ Mansão Sabarah/ Sala de estar/ Interno/ Noite
(Carlota entra. Cassandra desce as escadas)
CASSANDRA: Boa noite, irmãzinha. Nossa, eu acabei de chegar em casa também. Por pouco, não nos esbarramos e chegamos juntas.
CARLOTA: Com licença, Cassandra.
CASSANDRA: Que cara é essa? Não vá me dizer que terminou com o Joca.
CARLOTA: Isso não é da sua... Foi você, não foi?
CASSANDRA: Do que você está falando, Carlota?
CARLOTA: Você armou aquele flagrante pra depois convencer o Joca a desconfiar de mim. Você é mesmo muito sórdida.
CASSANDRA: Você está louca, querida.
CARLOTA: Cara de pau.
CASSANDRA: Se for me bater, é melhor ter cuidado para não quebrar o braço com a minha cara de madeira.
CARLOTA: Como você se agüenta, Cassandra? É por isso que você é mal amada. Você é incapaz de ser sincera e verdadeira com as pessoas. Todo o mundo te odeia, Cassandra. Você conseguiu me separar do Joca mais uma vez, mas ele nunca irá te amar.
CASSANDRA: Questão de tempo, meu amor.
CARLOTA: Ah é mesmo? Se eu fosse você, não contaria tanto com isso. O próprio Joca disse que, agora que não namora mais comigo, vai se tornar padre. E pelo que eu saiba padres não se envolvem em relacionamentos.
(Carlota sobe as escadas)
CASSANDRA (para si): Droga. Eu não vou deixar o Joca ser padre. Não vou.

Cena 10/ Paisagens de Vila Prata/ Manhã

Cena 11/ Vila Prata/ Comércio Geraldo/ Interno/ Manhã
(Vitorino no balcão. Geraldo entra)
GERALDO: Bom dia.
VITORINO: Bom dia. Como estão as coisas com o seu recém-filho?
GERALDO: Tudo ótimo. Você sabia que ele era advogado da dona Eva? Na verdade, ele veio para cá para abrir o testamento dela, não para me encontrar. Até me fez algumas perguntas sobre a Clarissa.
VITORINO: Sobre a Clarissa?
GERALDO: Droga, eu não deveria ter falado, apenas escapou da minha boca. Vitorino, eu espero que você não fique chateado com isso, mas eu acho que o Nuno está interessado na Clarissa.
VITORINO: O quê?
(Vitorino encara Geraldo)

Cena 12/ Vila Prata/ Igreja/ Interno/ Manhã
(Juscelino acabara de terminar a missa. Pessoas saindo da igreja. Cassandra entra, vê Juscelino e se direciona até ele)
CASSANDRA: Precisamos conversar.
JUSCELINO: Não temos nada para conversar. Saia agora da casa de Deus. Pessoas como você não merecem pisar aqui.
CASSANDRA: E pessoas como o senhor merecem?
JUSCELINO: O que você quer dizer com isso?
CASSANDRA: Chega dessa marcação cerrada em cima de mim, certo? Eu vou ver o Joca quando eu quiser e não será um padre de meia tigela que irá me impedir.
JUSCELINO: Olha como fala comigo, garota.
CASSANDRA: O senhor fica toda hora no meu pé. Por quê? Por acaso, o senhor tem medo que o Joca troque a batina por mim?
(Cassandra encara Juscelino)

Cena 13/ Vila Prata/ Restaurante/ Interno/ Manhã
(Cassilda e Charles sentados à mesa, repleta de lanches)
CASSILDA: Estou adorando tomar café da manhã ao seu lado. Só espero que papai não sinta a minha falta.
CHARLES: Cassilda, eu preciso falar algo sério para você. Algo que eu escondi de você.
CASSILDA: O quê, Charles?
CHARLES: Eu sou filho de Viriato Bragança, Cassilda, do maior inimigo do seu pai.
(Close em Cassilda, abalada)

Cena 14/ Mansão Sabarah/ Gabinete/ Interno/ Manhã
(Bonavante e Clarissa entram e se sentam à mesa)
BONAVANTE: Que surpresa ver você aqui, Clarissa. Veio falar com a Carlota?
CLARISSA: Não, o meu assunto é com o senhor.
BONAVANTE: Antes de tudo, meus sentimentos. Infelizmente, não pude comparecer ao velório da Eva, pois no dia eu sofri um grave atentado.
CLARISSA: A Cassandra me disse.
BONAVANTE: A Cassandra? Não sabia que você e a Cassandra são amigas.
CLARISSA: Bom, doutor Bonavante, eu serei bem direta. O senhor deve saber que eu não sou filha biológica da Eva. A Carlota deve ter lhe contado.
BONAVANTE: Não, não contou. Nossa, Clarissa, eu nem sei o que dizer.
CLARISSA: Não precisa falar nada. Apenas me escute. A Carlota sabia disso e não me contou nada, por isso eu e ela estamos um pouco brigadas.
BONAVANTE: Também não sabia disso.
CLARISSA: A Carlota me traiu quando decidiu não falar nada. Então, eu vim aqui para lhe contar algumas coisas a respeito da sua filha que o senhor não sabe.
BONAVANTE: Como?
CLARISSA: A Carlota e o Joca já foram namorados, doutor Bonavante.
BONAVANTE: O quê?
(Close em Bonavante)

FIM DO CAPÍTULO

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