Cena 1/ Mansão Sabarah/ Gabinete/ Interno/ Manhã
(Continuação imediata da última cena do capítulo anterior)
BONAVANTE: O que você disse, Clarissa?
CLARISSA: Eu sei que isso é chocante, mas...
BONAVANTE: O Joca e a Carlota já foram namorados? Isso, por acaso, é algum tipo de piada?
CLARISSA: Não, doutor Bonavante. A própria Carlota comentava comigo a respeito disso.
BONAVANTE: E você está fazendo isso com a Carlota por vingança?
CLARISSA: A sua filha me traiu quando não quis me revelar a verdade sobre o meu nascimento.
BONAVANTE: E você apenas está fazendo-a pagar na mesma moeda. Eu não sei qual das duas é a pior. Clarissa, por favor, saia. Eu preciso ficar sozinho para digerir essa informação.
CLARISSA: Com licença.
(Clarissa sai. Bonavante visivelmente abalado)
Cena 2/ Vila Prata/ Restaurante/ Interno/ Manhã
(Continuação imediata da cena 13 do capítulo anterior)
CASSILDA: Você é filho do Viriato?
CHARLES: Exatamente e eu sinto muito por não ter te revelado isso quando eu te conheci.
CASSILDA: Você me ama, Charles? De verdade?
CHARLES: Claro, Cassilda. Você é o melhor que aconteceu na minha vida.
CASSILDA: Então está tudo bem. A rivalidade dos nossos pais não fará a gente se separar. Eu só espero que não haja mais segredos entre a gente.
CHARLES: Não há.
CASSILDA: Eu te amo e continuarei a te amar, independente de quem você seja filho.
CHARLES: Eu digo o mesmo.
(Cassilda e Charles se beijam)
Cena 3/ Vila Prata/ Igreja/ Interno/ Manhã
(Continuação imediata da cena 12 do capítulo anterior)
JUSCELINO: Fora da minha igreja agora. Eu não admito deboche dentro da casa de Deus.
CASSANDRA: Você enche a boca para falar em Deus, não é mesmo? Se você seguisse pelo menos metade dos preceitos que Ele nos ensinou, eu até ficaria calada.
(Juscelino pega no braço de Cassandra)
JUSCELINO: Olha aqui, garota. Chega. Eu quero você longe do Joca, longe da minha vida. Experimente importunar o meu afilhado que eu me livro de você em dois tempos.
CASSANDRA: Isso é uma ameaça de morte, padre? Mas isso não é pecado?
JUSCELINO: Nem com setenta sessões de exorcismo, você se torna uma pessoa boa.
CASSANDRA: Digo o mesmo do senhor. Agora larga o meu braço antes que eu faça um escândalo.
(Juscelino solta o braço de Cassandra)
CASSANDRA: Presta bem atenção que eu vou dizer só uma vez. Eu vou continuar procurando o Joca e o senhor não vai poder fazer nada para me impedir. Além disso, eu não vou permitir que o senhor transforme o seu afilhado em uma pessoa que ele não quer ser. Enquanto eu estiver viva, o Joca não será padre.
JUSCELINO: Enquanto eu estiver vivo, ele será padre, sim.
CASSANDRA: Então está mais do que na hora de cortar o mal pela raiz, o senhor não acha?
(Cassandra dá um sorriso sarcástico e sai)
Cena 4/ Vila Prata/ Casa Chester/ Frente/ Externo/ Manhã
(Alguém bate na porta. Elizeu atende)
CLARISSA: Bom dia.
ELIZEU: Bom dia.
CLARISSA: Não se lembra de mim? Eu sou a garota que seu filho Marcílio assaltou no meio da estrada.
ELIZEU: Ah sim.
CLARISSA: Eu vim buscar o dinheiro que ele me roubou.
(Clarissa encara Elizeu)
Cena 5/ Mansão Bragança/ Quarto Gertrude/ Interno/ Manhã
(Gertrude guardando suas roupas no guarda-roupa. Viriato entra)
VIRIATO: Olá.
GERTRUDE: Doutor Viriato.
VIRIATO: Ontem, eu não retribuí o favor que você me fez.
GERTRUDE: E veio fazer isso agora? A dona Laurinda está em casa, doutor Viriato.
VIRIATO: A tonta da Laurinda está costurando no nosso quarto. Ela não irá nos incomodar.
(Viriato pega na cintura de Gertrude e tenta beijá-la, mas ela se esquiva)
GERTRUDE: Eu acho melhor não.
VIRIATO: Você não tem escolha, Gertrude.
(Laurinda entra)
LAURINDA: Viriato? O que você está fazendo aqui, no quarto da Gertrude?
(Close alternado entre os três)
Cena 6/ Mansão Sabarah/ Quarto Cassandra, Cassilda e Carlota/ Interno/ Manhã
(Cassilda entra. Ela tira seus sapatos e senta-se na cama, apaixonada. Bonavante entra)
BONAVANTE: Cassilda.
CASSILDA: Bom dia, pai.
BONAVANTE: Você tinha saído?
CASSILDA: Sim. Estava na vila.
BONAVANTE: Onde está a Carlota?
CASSILDA: Não sei.
BONAVANTE: Procurei-a por toda casa, mas não a encontrei. Cassilda, se eu lhe fizer uma pergunta agora, você irá me responder com sinceridade?
CASSILDA: Claro.
BONAVANTE: A Carlota e o Joca já foram namorados?
CASSILDA: Como? Não, claro que não.
BONAVANTE: Você jura?
CASSILDA: Er... Juro.
BONAVANTE: Não consegui ver verdade no seu juramento. Acho que terei que sondar outras pessoas a respeito desse assunto, pessoas que não mentiriam para mim.
(Bonavante sai)
Cena 7/ Mansão Bragança/ Quarto Gertrude/ Interno/ Manhã
(Continuação imediata da cena 05 deste capítulo)
VIRIATO: Laurinda, que surpresa.
LAURINDA: Surpresa?
GERTRUDE: Dona Laurinda, o doutor Viriato veio aqui atrás da senhora.
LAURINDA: Como? Se ele acabou de me ver costurando no quarto, por que ele viria aqui atrás de mim?
VIRIATO: Eu confesso, Laurinda. Eu vim aqui para buscar informações sobre você. Estou te achando tão distante de mim recentemente. Vim sondar a Gertrude para saber o que está acontecendo com você.
LAURINDA: E por que você não me veio questionar diretamente?
VIRIATO: Porque eu não quis, Laurinda. Simples. Com licença.
(Viriato sai)
GERTRUDE: Eu juro que não falei nada a respeito das suas desconfianças, dona Laurinda.
LAURINDA: Obrigada pela fidelidade.
(Laurinda sai)
Cena 8/ Paisagens de Vila Prata/ Tarde
Cena 9/ Vila Prata/ Tenda Soraya/ Sala de consultas/ Interno/ Tarde
(Soraya sentada à mesa de consultas. Liduína entra)
LIDUÍNA: Desculpe o atraso.
SORAYA: Atraso? Você passou um turno inteiro sem trabalhar. Bom, de qualquer forma, pegue os novos panfletos.
(Soraya entrega os panfletos a Liduína)
LIDUÍNA: Já estou indo entregar.
SORAYA (pegando no braço de Liduína): Só não se esqueça de...
(Soraya sente uma tontura e solta o braço de Liduína)
LIDUÍNA: A senhora está bem, mãe Soraya?
SORAYA: Essa será uma noite bastante difícil para a sua família, Maria Rapariga.
(Soraya encara Liduína, que está assustada)
Cena 10/ Vila Prata/ Comércio Geraldo/ Interno/ Tarde
(Vitorino no balcão. Clarissa entra)
VITORINO: Clarissa, tudo bem?
CLARISSA: Ah você? E eu rezando que você não estivesse nesse balcão hoje.
VITORINO: Deseja alguma coisa?
CLARISSA: Sim, eu desejo ser atendida por outra pessoa.
VITORINO: Infelizmente, o Geraldo ainda não voltou do almoço. Se quiser alguma coisa, terá que ser comigo mesmo.
CLARISSA: Ainda bem que esse não é o único comércio da vila.
(Clarissa se direciona a porta. Ela para ao ouvir a voz de Vitorino)
VITORINO: Por que você é tão grosseira comigo?
CLARISSA: Porque é assim que eu trato os pobretões que gostam de mim. Para eles se mancarem de que eles nunca me terão.
(Clarissa sai. Vitorino, chateado)
Cena 11/ Vila Prata/ Rua/ Tarde
(Clarissa caminha pela rua. Nuno a vê e a intercepta)
NUNO: Clarissa?
CLARISSA: Nuno, que bom te ver.
NUNO: Digo o mesmo. Vi que você estava saindo do comércio do meu pai.
CLARISSA: Pai? O Geraldo é seu pai?
NUNO: Sim, eu descobri recentemente.
CLARISSA: Nossa, eu não fazia ideia. Pensei que ele era um solteirão sem ninguém na vida. Desculpe se fui grosseira.
NUNO: Imagina. Gostaria de jantar comigo hoje à noite?
CLARISSA: Para discutirmos sobre o testamento?
NUNO: Claro que não. Testamento é algo que será falado apenas quando seu irmão chegar, esqueceu? Você mesma disse.
CLARISSA: Sendo assim, eu aceito.
(Clarissa ri para Nuno, que revida o sorriso com outro)
Cena 12/ Mansão Bragança/ Quarto Laurinda e Viriato/ Interno/ Tarde
(Laurinda sozinha, sentada em sua poltrona. Charles entra)
CHARLES: Está sozinha?
LAURINDA: Sim, meu filho.
CHARLES: Contei para Cassilda que eu sou filho do maior inimigo do pai dela. Ainda bem que ela não se incomodou e decidiu continuar o namoro.
LAURINDA: Que bom, meu filho. Fico feliz.
CHARLES: Então a senhora poderia disfarçar melhor essa felicidade.
LAURINDA: Você quer saber por que estou assim, pra baixo?
CHARLES: Nem precisa ser um gênio para saber. Papai lhe deixou assim, não foi?
LAURINDA: A cada segundo que passa, eu tenho mais certeza que seu pai me trai.
CHARLES: Como?
LAURINDA: Eu lhe explicarei a história toda.
(A conversa segue fora de áudio. A CAM se direciona para o corredor, onde mostra Viriato, que está ouvindo a conversa)
Cena 13/ Paisagens da propriedade Sabarah/ Noite
Cena 14/ Mansão Sabarah/ Garagem/ Interno/ Noite
(Simão entra e estaciona o carro. Ele desce do carro e se depara com Cassandra)
CASSANDRA: Eu quero as chaves do carro.
SIMÃO: Seu pai aprovou?
CASSANDRA: Óbvio, Simão.
SIMÃO: De qualquer forma, eu prefiro falar com o doutor Bonavante.
CASSANDRA: Pare de ser tão bajulador do meu pai e me dê logo essas chaves.
(Simão dá as chaves do carro para Cassandra, que entra no veículo, dá a partida e sai)
Cena 15/ Mansão Sabarah/ Gabinete/ Interno/ Noite
(Bonavante, irritado, andando de um lado para o outro. Simão, próximo a ele com um ar apaziguador)
BONAVANTE: Não bastou aquele moleque ter seduzido a Cassandra, ele tinha que correr atrás da Carlota também. Mas esse desgraçado vai pagar por isso, Simão. Ninguém mexe com as minhas filhas sem a minha autorização, principalmente com a Carlota, que não é pro bico dele.
SIMÃO: Acalme-se, doutor Bonavante.
BONAVANTE: Eu vou matar o Joca, Simão. E hoje.
SIMÃO: O quê? O senhor não pode fazer isso, doutor Bonavante.
BONAVANTE: Tanto posso que farei. Arrume o carro agora.
SIMÃO: O carro? Mas o senhor não o emprestou para a dona Cassandra?
BONAVANTE: Claro que não.
SIMÃO: Bom, a dona Cassandra me abordou na garagem querendo usar o carro dizendo que o senhor a autorizou a dirigir.
BONAVANTE: Mas eu não autorizei aquela menina a fazer nada. De qualquer forma, Simão, arrume algum transporte que me leve para o centro de Vila Prata agora. Uma carroça, uma carruagem, um tapete voador, o que seja.
SIMÃO: Sim senhor.
(Simão sai. Bonavante se aproxima de uma gaveta e a abre)
BONAVANTE: Hoje eu acabo com o Joca.
(Bonavante tira da gaveta um revólver e sai)
Cena 16/ Vila Prata/ Rua/ Noite
(Juscelino caminha pela rua. Atrás dele, vem um carro em alta velocidade com farol alto. Juscelino vira-se, olha pro carro e, assustado, começa a correr. O motorista aumenta a velocidade do veículo, tentando alcançar Juscelino. Juscelino corre. Muito ritmo. Juscelino tropeça e cai no chão. O carro passa por cima dele e sai em alta velocidade. Muito sangue espalhado na rua. Close no rosto ensangüentado e inerte de Juscelino)
FIM DO CAPÍTULO

0 comentários:
Postar um comentário