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sexta-feira, 20 de março de 2015

Alice - Último Capítulo


ÚLTIMO CAPÍTULO

Cena 1/Rio Grande do Sul/Pico do Monte Negro/Manhã
Um carro para no monte. Alice sai dele carregando Estrela. Há sua espera um Citation X.
ALICE – Tão lindo...
Alice fica deslumbrada.
ESTRELA – Você vai me levar embora daqui contigo?
ALICE – Claro que não, Estrelinha. Você é peso morto! Eu vou me livrar de você te jogando desse monte e depois vou pegar aquele belo jatinho ali pra fugir do país.
Alice, apontando uma arma para Estrela, a empurra.
ALICE – ANDA LOGO, VAI!
Alice joga Estrela no chão e aponta a arma para ela.
ALICE – Chegou a tua hora! Faça jus ao teu nome e brilhe no céu, Estrelinha!
Alice sorri, puxa o gatilho da arma e aponta para Estrela, ajoelhada.
ESTRELA – Seja rápida...
ALICE – Como você quiser!
Nesse momento, helicópteros da policia sobrevoam o lugar. Carros da polícia chegam também. Alice puxa Estrela para perto dela e aponta uma arma para a cabeça da mocinha. O carro de Victoria chega. O jatinho de Fagundes posa bem distante.
Toca a instrumental Mozart: Requiem.
ALICE – QUE PALHAÇADA É ESSA?
DELEGADO – (alto falante) Abaixa essa arma e se entregue, Alice! Você está cercada! Não tem mais saída!
Madalena e Fagundes chegam correndo. Victoria, Bárbara, Fernando e Franco saem do carro.
VICTORIA – LARGA A MINHA FILHA, SUA VADIA!
FRANCO – Solta ela, Alice!
BÁRBARA – Pensa bem no que você vai fazer, Alice!
FERNANDO – LARGA A ESTRELA, ALICE!
MADALENA – POR FAVOR, FILHA! SOLTA ELA!
FAGUNDES – Se entregue, Alice. É o melhor!
Alice, com a arma apontada para a cabeça de Estrela, a puxa para o penhasco do morro.
ALICE – A Estrela é o meu passaporte para a liberdade! Se vocês tentarem alguma gracinha, eu me jogo daqui com ela sem pensar duas vezes! TENTEM PRA VER!
A tensão toma conta do monte. Os policias apontam a arma para Alice. Victoria, Bárbara, Fernando, Franco, Madalena e Fagundes estão aflitos. Foco em Alice, apontando uma arma para a cabeça de Estrela.
DELEGADO – Abaixa essa arma, Alice!
ALICE – Pra quê? Pra vocês me balearem? NEM MORTA!
ESTRELA – Escuta eles, Alice! Por favor!
ALICE – Se você disser mais uma palavra eu estouro os teus miolos!
ESTRELA – Será que você seria capaz?
ALICE – E ainda tem a audácia de me desafiar!
ESTRELA – Se você não me matou quando teve oportunidade, por que faria isso?
ALICE – Vai querer mesmo me desafiar?
ESTRELA – Se você não for a frouxa que demonstra ser, vai atirar agora!
ALICE – Eu não posso!
ESTRELA – Viu o que eu disse...
ALICE – Não porque sou frouxa, mas por que antes preciso estar dentro daquele lindo jatinho ali! Depois disso, você vai cantar pra subir!

Cena 2/Agência de Modelos/Sala da Presidência/Manhã
Cristina acabara de acordar. Ela acabou dormindo na empresa.
CRISTINA – Transferência concluída! Suíça, aí vou eu!
Cristina admira a tela do computador e sorri.

Cena 3/Mansão Albuquerque/Sala/Manhã
RENATA – Então a Cristina não está em casa?
CLARICE – Não, senhora. Ela saiu ontem à noite e ainda não voltou.
RENATA – E você sabe para onde ela pode ter ido?
CLARICE – Não faço a mínima ideia. Cristina não é o tipo ideal de patroa.
RENATA – Essa cadela deve estar planejando uma fuga.
CLARICE – E por que ela faria isso? A Cristina cometeu algum crime?
RENATA – Ainda não tem provas, mas provavelmente ela causou a morte do Marcos.
CLARICE – Meu Deus! E por que ela faria isso?
RENATA – Porque o Marcos tinha tido que deixaria toda a herança no nome dela. E a Cristina não perderia a oportunidade de mata-lo, né. Esperar a morte do Marcos pra receber toda aquela bolada não é o tipo da Cris.
CLARICE – Eu tô tão feliz pela senhora ter retomado tudo o que lhe era de direito!
RENATA – Eu mais ainda!
CLARICE – E a senhora volta pra essa casa, dona Renata?
RENATA – Não. Eu vendi essa casa para a Cristina e agora a dona dessa casa é ela.
CLARICE – E se eu fosse trabalhar com a senhora?
RENATA – Você estaria disposta?
CLARICE – A minha patroa sempre foi e sempre será você, Renata.
RENATA – Então se considere contratada! Você e todos os outros.
Renata sorri.
CLARICE – A senhora jura mesmo?
RENATA – Por tudo que há de mais sagrado!
CLARICE – E eu posso contar pra eles essa novidade?
RENATA – Já devia estar lá!
CLARICE – Então eu vou.
Clarice abraça Renata.
CLARICE – Obrigada por tudo, dona Renata!
RENATA – Eu que agradeço por essa cumplicidade ímpar.
Clarice vai para a cozinha contar para os empregados. Renata pega o celular.
RENATA – Alô, é da polícia federal? Tenho uma denuncia a fazer.
...
RENATA – Contra quem?
...
RENATA – Cristina Fraga.

Cena 4/Rio Grande do Sul/Pico do Monte Negro/Manhã
Alice ainda segurando Estrela e apontando a arma para a cabeça dela. Os policias seguem apontando a arma para Alice sob o olhar de Madalena, Fagundes, Bárbara, Fernando e Franco.
VICTORIA – Abaixa essa arma e solta a minha filha, sua bandida!
ALICE – Como sempre protegendo a filhinha adorada!
VICTORIA – E você queria que eu fizesse diferente? A Estrela é minha filha! Eu tenho que protege-la de abutres como você.
ALICE – Pena que é tarde demais pra pensar em proteção, né Victoria? Me colocou na sua casa, me tornou uma semi-Grimaldi pra no final de contas terminar com a morte da sua filha.
VICTORIA – Você que não ouse mata-la! Porque aí sim eu te mostro do que sou capaz e acabo com a tua raça.
ALICE – Com o quê? Com outra surra como aquela que você me deu quando me flagrou aos beijos com o até então seu marido?
VICTORIA – Chegou ao ponto que eu queria!
ALICE – O que foi, querida? Vai relembrar dos chifres que levou? (risos)
VICTORIA – Não porque o passado não me importa. Mas quero falar do Olavo!
ALICE – Ué, pensei que o passado não te importasse.
VICTORIA – Mas o Olavo está presente no nosso presente. Ou melhor, estava. Você matou o Olavo, não é?
ALICE – Eu não sei do que você está falando!
VICTORIA – Sabe sim! Não se faça de sonsa, sua vadia!
ALICE – Quer saber? Matei mesmo!
Todos ficam surpresos.
MADALENA – ALICE! VOCÊ O MATOU?
ALICE – Matei sim, mamãe. Matei porque ele me flagrou aos beijos com o Fábio, ou melhor, na cama com ele e tentou me matar! Então brigamos e o Fábio deu um tiro no Olavo.
MADALENA – Mas você não disse que tinha o matado?
ALICE – Mas eu o matei! Depois que eu contei sobre aquele nosso segredinho, o Olavo insistiu em continuar vivo. Então eu acabei com ele com as minhas próprias mãos!
MADALENA – Meu Deus, Alice! Como você pôde? Outro assassinato!
VICTORIA – Outro? Como assim?
MADALENA – É uma longa história, dona Victoria. Uma história que eu não estou disposta a relembrar!
ALICE – Matei e mataria de novo! E isso serve pra provar que eu não estou de brincadeira e que se tentarem alguma gracinha, eu mato essa infeliz agora mesmo!
A tensão toma conta do monte.

Cena 5/Marina da Glória/Cais/Manhã
Um homem caminha pelo cais até chegar a seu barco. Ele entra no barco e antes de dar partida, percebe que tem algo boiando por perto.
HOMEM – O que é aquilo ali?
O homem se aproxima da beirada do barco e percebe que é um corpo.
HOMEM – MEU DEUS! SOCORRO! TEM UM HOMEM MORTO AQUI!
Este corpo é o de Olavo.

Cena 6/Hospital/Quarto de Estevão/Manhã
Estevão já está fora da UTI e desentubado.
ESTEVÃO – Foram todos e me deixaram sem notícias. O telefone dos meus pais não atende e muito menos o da Victoria! O que será que está acontecendo, meu Deus?

Cena 7/Mansão Montenegro/Sala/Manhã
Odete e Rebeca ainda rolando pelo chão. O fogo toma conta da mansão. César e Bianca conseguem se desprender.
CÉSAR – VAMOS, ODETE! VAMOS!
ODETE – EU SÓ SAIO DAQUI DEPOIS QUE ACABAR COM A RAÇA DESSA VADIA!
REBECA – ISSO, ODETE! ME BATE! ME BATE MAIS PORQUE ASSIM VOCÊ NÃO SAI DAQUI E TODOS NÓS MORREREMOS!
BIANCA – Vamos embora!
Bianca corre até a porta e tenta abri-la, mas percebe que está trancada.
BIANCA – A PORTA TÁ TRANCADA, PAI!
CÉSAR – Não pode ser, meu Deus!
César corre até a porta e tenta arromba-la.
BIANCA – Vai tentando ligar pros bombeiros!
Bianca corre até o telefone e tenta ligar.
BIANCA – Não estou conseguindo ligar pra ninguém!
CÉSAR – Os fios devem ter derretido... Me ajuda aqui!
Bianca e César tentam arrombar a porta. Odete e Rebeca continuam rolando pelo chão.
REBECA – Eu disse que ia te matar e vou te matar, sua vagabunda!
Rebeca bate com a cabeça de Odete na mesinha e a desmaia.
REBECA – Uma já foi!
Rebeca procura pela arma. César e Bianca conseguem abrir a porta.
CÉSAR – ENFIM!
BIANCA – Vamos Ode...
Bianca vira-se para chamar Odete e vê Rebeca apontando uma arma para ela. César faz o mesmo.
CÉSAR – O que você vai fazer, Rebeca?
REBECA – Uma eu já matei... Agora só faltam dois!
Rebeca sorri e puxa o gatilho da arma.
BIANCA – Você não seria capaz de matar a sua própria filha!
REBECA – Nunca subestime Rebeca Montenegro, meu amor!
Antes que Rebeca possa atirar, Odete acerta um pequeno vaso com flores na cabeça da vilã, que desmaia.
ODETE – Vamos ver que vai acabar com quem!
Odete encara Rebeca.
CÉSAR – Vamos, Odete! Se a gente não sair agora vai morrer!
ODETE – Mas e a Rebeca?
CÉSAR – Não vai dar pra salvar ela! Vamos!
ODETE – Eu não posso deixar a minha irmã aqui!
CÉSAR – Não temos outra escolha. Ou é você, ou é ela!
Odete corre para perto de César.
BIANCA – MÃE! ACORDA MÃE!
CÉSAR – Vamos, Bianca!
BIANCA – Mas é a minha mãe!
CÉSAR – Infelizmente não podemos fazer nada. Primeiro salvamos nossa pele e se der tempo, eu venho buscar ela!
Bianca, César e Odete saem da casa. Rebeca acorda.
REBECA – NÃO ME DEIXEM MORRER, SEUS DESGRAÇADOS!
Rebeca, cambaleando, tenta se levantar para sair. Uma cortina de fogo se forma na porta, a impedindo de sair de casa.
REBECA – NÃO! NÃO! NÃAAAAAAAAAAAO!
Rebeca grita por socorro, mas já é tarde. Ela percebe que tem fogo em sua calça e tenta apagar.
REBECA – NÃO! EU NÃO MEREÇO ISSO! DESGRAÇADOS!
Rebeca rola pelo chão e o fogo se espalha em seu corpo.

Cena 8/Mansão Montenegro/Saída/Portão/Manhã
Cena em câmera lenta. César, Odete e Bianca saem correndo. Ao fundo a mansão, em chamas.
CÉSAR – VAMOS!
Ao colocar a mão no portão, César é impedido de abri-lo devido a uma explosão: a da mansão. Ele, Odete e Bianca vão ao chão. Os vidros das janelas estilhaçam para todos os lados e o fogo consome a mansão por completo. Os três desmaiados. A vizinha sai para a rua para ver o que há.
MULHER – CHAMEM A AMBULÂNCIA! CHAMEM OS BOMBEIROS! CHAMEM A POLÍCIA!

Cena 9/Agência de Viagens/Entrada/Manhã
Os carros da policia param em frente à agência. Renata, Adriana e Paloma saem do carro de Renata, Adriana e Paloma saem do carro de Renata.
DELEGADO – Então aqui é o local?
RENATA – Sim!
DELEGADO – Vamos!
Renata entra na empresa acompanhada dos policias, do delegado e de Adriana e Paloma. O delegado mostra a ordem judicial para os seguranças, que autorizam a passagem dele.

Cena 10/Agência de Viagens/Sala da Presidência/Tarde
Prestes a sair da sala, Cristina ouve o barulho das sirenes e corre para a janela.
CRISTINA – A POLÍCIA? Não! Não pode ser!
Cristina encara as viaturas lá embaixo.

Cena 11/Vila do Sossego/Casa de Patrícia/Tarde
CARMEN – Quem diria que a Alice seria capaz dessa atrocidade, hein?
PATRÍCIA – Nem eu esperava que ela chegasse a esse ponto.
CARMEN – O que ela fez no passado foi justificável, mas isso...
PATRÍCIA – Imagino como a Madalena deve estar sofrendo agora.
CARMEN – A coitadinha não merece mais essa decepção.
PATRÍCIA – Como será que ela está agora, hein?
CARMEN – A coitadinha deve estar desesperada.
PATRÍCIA – Espero que tudo termine bem!
CARMEN – Bem infelizmente nada vai terminar, Patrícia. Vai acontecer uma tragédia! Mais uma! E não tem como ninguém impedir.
Patrícia olha para Carmen, com medo.

Cena 12/Agência de Modelos/Primeiro Andar/Tarde
DELEGADO – Vamos invadir!
PALOMA – NÃO!
DELEGADO – O que você disse, mocinha?
PALOMA – Vocês não podem invadir!
DELEGADO – E por que não?
PALOMA – Porque antes disso eu tenho que ter a conversa final com a Cristina!
DELEGADO – Eu não posso ceder ao seu capricho. Converse com ela quando a Cristina estiver atrás das grades!
PALOMA – Isso não é um capricho, seu delegado.
DELEGADO – Eu não posso colocar sua vida em risco e comprometer o meu trabalho.
RENATA – Não arrisque sua vida, minha filha!
ADRIANA – Isso é perigoso demais, Paloma!
PALOMA – Se vocês invadirem logo de cara, a Cristina vai dar um jeito de fugir. Tem um heliponto lá em cima e é por lá que ela vai escapar se vocês a enquadrarem logo! Ouçam o que eu digo!
Todos encaram Paloma.

Cena 13/Agência de Viagens/Sala Presidencial/Tarde
Cristina anda de um lado pro outro, sem saber o que fazer.
CRISTINA – Já sei por onde escapar... O heliponto!
Ao abrir a porta ela dá de cara com Paloma.
PALOMA – Já vai, querida?
CRISTINA – Então foi você, não é mesmo?
PALOMA – Na verdade foi a minha mãe, mas admito que eu adoraria ter te denunciado.
CRISTINA – Você quer mesmo me ver na pior, não é?
PALOMA – Você quis o mesmo pra mim, por que eu não poderia querer o mesmo pra você?
CRISTINA – Na pior eu já estou.
PALOMA – Pois é, fiquei sabendo que o Marcos não te deixou nada. Que coisa, não?
CRISTINA – Com esse novo testamento até você saiu beneficiada.
PALOMA – Não precisa me contar isso, querida. Mamãe já me disse!
CRISTINA – O que você veio fazer aqui?
PALOMA – Te impedir de fugir!
CRISTINA – E acha mesmo que você vai conseguir?
Cristina empurra Paloma e sai correndo para o heliponto. Paloma pega seu celular.
PALOMA – MÃE? ELA VAI FUGIR! SUBA AGORA!

Cena 14/Hospital/Quarto/Tarde
Odete, Bianca e César estão deitados. Um em cada cama diferente.
ODETE – Apesar de tudo eu sinto muita pena da Rebeca.
CÉSAR – Mesmo com todas as maldades que ela cometeu, a morte não é algo que eu desejei para ela.
BIANCA – Eu não sei nem como reagir.
ODETE – Imagino que você deve estar perdida, querida.
BIANCA – Mais do que isso... Uma parte de mim se foi!
CÉSAR – Eu sei que em um momento como esse é impossível não ficar triste, mas eu estou aqui para te confortar! Minha filha.
ODETE – Conte comigo também... Filha!
Odete e César sorriem para Bianca.

Cena 15/Rio Grande do Sul/Pico do Monte Negro/Tarde
O cenário continua o mesmo: Alice com Estrela no penhasco, os policiais apontando uma arma para ela enquanto o delegado tenta negociar. O celular de Franco toca.
VICTORIA – Quem pode ser a essa hora?
FRANCO – Vamos descobrir agora!
VICTORIA – Não atende, Franco! Deve ser besteira qualquer!
FRANCO – Vai que não é?
Franco atende o celular.
FRANCO – Sim.
...
FRANCO – Como é que é?
...
FRANCO – Tudo bem, eu vou para aí!
Franco desliga o celular.
VICTORIA – Quem era?
FRANCO – Encontraram o corpo do Olavo boiando na Marina da Glória.
Victoria, chocada, encara Franco.

Cena 16/Agência de Modelos/Heliponto/Tarde
CRISTINA – Cadê essa porcaria de helicóptero que não chega?
Os policias, junto com Adriana, Paloma e Renata, invadem o heliponto.
DELEGADO – ACABOU, CRISTINA!
CRISTINA – QUE ISSO?
ADRIANA – Você vai pra cadeia, sua vadia!
PALOMA – Eu disse que o jogo tinha acabado!
RENATA – Se entregue logo, Cristina!
CRISTINA – NUNCA! Jamais!
DELEGADO – Não dificulte o nosso trabalho.
CRISTINA – E eu sou lá de dar facilidade para qualquer um? Ainda mais quando querem atrapalhar os meus planos!
PALOMA – Será que você não percebe que o jogo chegou ao fim?
CRISTINA – Esse jogo só chegará ao fim quando eu achar que ele chegou!
RENATA – Não tem mais como você escapar! E se conseguir, como vai sobreviver?
CRISTINA – Ai como você é tola, Renata! Acha que eu vim pra empresa ontem à noite por quê?
RENATA – Você roubou a empresa?
CRISTINA – Exatamente! Só não consegui levar o dinheiro vivo porque essa intrometida chegou no momento errado. Mas para sua informação, eu transferi dinheiro da empresa para uma conta no exterior!
RENATA – Você é uma golpista!
CRISTINA – E você uma otária! Acreditou em mim, em tudo o que eu disse. Caiu no meu golpe igual uma patinha. Dançou, Renata!
ADRIANA – E você matou o Marcos, não é?
CRISTINA – Não.
PALOMA – Não adianta negar!
CRISTINA – E quem disse que eu estou negando? Ainda não terminei de falar! Eu não matei o Marcos, apenas dei um empurrãozinho.
DELEGADO – O que você quer dizer com isso?
CRISTINA – Olha, seu delegado, se você fosse esperto, saberia. Acontece que eu envenenei o Marcos. O acidente que ele sofreu foi consequência disso!
ADRIANA – VOCÊ É UM MONSTRO!
CRISTINA – Elogia mais porque eu tô amando!
Cristina ri.
PALOMA – LOUCA! MAS ACABOU, CRISTINA!
O helicóptero vai se aproximando.
CRISTINA – Acabou sim, mas pra você!
Cristina saca uma arma e aponta para Paloma.
CRISTINA – ACABOU, BASTARDA!
RENATA – NÃO!
Cristina puxa o gatilho e um tiro é disparado. Ao ouvir o tiro e ver os policias, o piloto, que já estava bem perto, foge com o helicóptero dali. Cristina sorri e, cambaleando, vai andando para trás. Vemos que quem levou o tiro foi ela, disparado por um policial. A arma cai da mão de Cristina.
CRISTINA – Idiotas! Malditos! Eu adorei brincar com cada um de vocês. Envolvê-los no meu jogo foi algo inesquecível! Mas o jogo acabou... Game over!
Cristina, ainda sorrindo e cambaleando, cai para trás, do alto do prédio. Renata arregala os olhos, surpresa. Adriana leva a mão à boca, chocada.

Cena 17/Rio Grande do Sul/Pico do Monte Negro/Tarde
A tensão segue tomando conta do monte.
VICTORIA – ACABOU, ALICE!
ALICE – Lá vem ela com o mesmo papinho de sempre.
VICTORIA – O CORPO DO OLAVO FOI ENCONTRANDO!
ESTRELA – ACHARAM O MEU PAI?
ALICE – Não acredito que esse imbecil resolveu aparecer!
BÁRBARA – Como assim acharam o Olavo?
VICTORIA – O corpo dele foi encontrado boiando na Marina da Glória.
FERNANDO – Meu Deus!
ALICE – CANSEI! CANSEI! CHEGA!
MADALENA – Você vai se entregar, filha?
ALICE – Não, mamãe! Isso jamais!
ESTRELA – Vai fazer o quê então?
ALICE – Me livrar de você, sua vadia!
DELEGADO – Cuidado com o que você vai fazer, Alice!
Alice empurra Estrela para um pouco distante dela.
VICTORIA – Ela vai libertar a minha filha!
ALICE – Vai pro inferno!
Alice aponta uma arma para Estrela...
TODOS – NÃAAAAAAAAAAAAAAAAO!
... E um tiro é disparado...
MADALENA – ALICE!
... No peito de Alice!
Todos ficam surpresos. Vemos que o delegado atirou nela. Alice sorri e sua arma cai.
VICTORIA – Corre, Estrela!
Estrela, meio fraca, corre para perto de Victoria.
MADALENA – FILHA!
Madalena tenta correr para perto de Alice, mas é impedida pelos policias.
MADALENA – MAS É A MINHA FILHA!
DELEGADO – Você não pode ir até lá!
MADALENA – MAS ELA...
FAGUNDES – Infelizmente não dá, Madalena!
FERNANDO – SANTO CRISTO!
BÁRBARA – Que tragédia!
Estrela corre para Victoria e é abraçada por ela.
VICTORIA – Enfim livre, filha!
ESTRELA – Enfim!
Victoria e Estrela, emocionadas, se abraçam e choram.
FRANCO – Parece que ela ainda está viva.
Alice ainda de pé. O sangue jorra de seu peito. Ela olha para ele e sorri.
ALICE – (narração) Eu sei que fui uma mulher terrível. Fiz muitas maldades, cometi muitos crimes, atrocidades imperdoáveis. Matei um homem que me amava. Sequestrei a esposa do meu eterno amor só para fazê-lo sofrer. Atirei nele e o matei... ou não! Muitas vezes desprezei e maltratei a minha mãe, a única pessoa que realmente me amou. A única que esteve do meu lado em todas as situações possíveis e tentou abrir meus olhos. Eu te amo, dona Madalena! Mas não me arrependo do que fiz. Faria tudo de novo. Eu te amo, Estevão! Te amo!
Alice, sorrindo, abre os braços.
ALICE – Adeus, mamãe! Me perdoa por tudo, ok? Eu te amo!
O corpo de Alice cai do penhasco.
MADALENA – NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO!
Madalena desmaia nos braços de Fagundes. A câmera se afasta aos poucos e vemos o seguinte cenário: Estrela abraçada com Victoria, Franco, Bárbara e Fernando. Madalena desmaiada nos braços de Fagundes e os policias já com as armas abaixadas.

CORTA PARA:

Cena 18/Capela Mortuária/Interno/Noite
Estevão, Estrela, Bárbara, Fernando, Victoria, Melissa, Afonso e Franco reunidos em volta do caixão de Olavo.
ESTRELA – Ah, meu pai... Por que, hein? Por que você se deixou levar por uma paixão doentia? Teve um fim que não merecia! Eu lamento tanto que você tenha terminado dessa maneira: em um caixão. Apesar de tudo, de ter me desprezado pela Alice, eu compreendi seu lado e te perdoei. Te perdoei porque te amo! Vá em paz, papai querido.
Estrela, emocionada e sorrindo, seca as lágrimas que caem de seu rosto.

Cena 19/Incinerador
O caixão de Olavo passa pelo incinerador e é queimado.

Passagem das paisagens do Rio de Janeiro ao som de Apologize – One Republic

UM MÊS DEPOIS

Cena 20/Mansão Bittencourt/Jardim/Manhã
Duas crianças correm pelo jardim. César, Odete e Bianca sentados à mesa.
CÉSAR – Eles crescem tão rápido.
BIANCA – Quem vê você dizendo isso vai pensar que viu essas crianças nascerem!
CÉSAR – Apesar de não tê-las visto nascer, é como se tivesse. Podem não ser sangue do meu sangue, mas são meus filhos!
ODETE – Nossos filhos!
César e Odete dão um selinho.
BIANCA – Acho que adotar foi uma ideia linda demais!
ODETE – Eu também acho.
CÉSAR – Mas sabe o que foi mais lindo que adotar essas crianças?
BIANCA – O quê, papai?
CÉSAR – Tirar o sobrenome Montenegro!
Todos riem.
ODETE – Nisso eu concordo!
BIANCA – Essa sim foi uma ideia de ouro!
CÉSAR – Que Deus tenha a Rebeca em sua graça!
BIANCA – Isso eu duvido muito.
ODETE – A Rebeca cometeu tantos atos imperdoáveis que eu duvido que ela esteja ao lado de Deus agora.
CÉSAR – Mas não vamos falar da Rebeca, certo? Ela já se foi definitivamente e agora estamos em paz!
Odete mostra sua aliança.
ODETE – E casados!
Todos sorriem. Odete e César se beijam.
BIANCA – Hey, não quero ficar segurando vela não, viu?
Bianca ri.
ODETE – Perdão, querida.
Odete ri.
CÉSAR – E se fossemos brincar com as crianças?
ODETE – Ótima ideia!
César, Odete e Bianca correm pelo jardim, brincando com as duas crianças. Um menino e uma menina.

Cena 21/Agência de Modelos/Sala da Coletiva/Manhã
ADRIANA – E é com imenso prazer que aceito presidiar essa empresa!
Todos os empregados presentes aplaudem.
ADRIANA – Obrigada por esse voto de confiança, Renata.
RENATA – Você fez por merecer, querida!
Adriana e Renata se abraçam. Paloma chega correndo acompanhada de um homem da sua faixa etária.
PALOMA – Gente, eu quero apresentar ele pra vocês.
ADRIANA – E ele é quem?
RENATA – Acho que já sei...
PALOMA – Esse é o Heitor, meu namorado!
ADRIANA – Prazer, Heitor, eu sou Adriana!
Adriana e Heitor se cumprimentam e trocam olhares.
RENATA – Enfim conheci o meu genro!
Renata e Heitor se abraçam.
HEITOR – A sua filha é uma mulher muito especial pra mim, dona Renata.
RENATA – Eu sei disso. E olha se quiser ganhar a minha simpatia, nada de me chamar de dona, ok?
Todos riem.
HEITOR – Tudo bem, Renata.
ADRIANA – E a viagem para Milão?
RENATA – Faremos depois do casamento do Estevão com a Estrela.
PALOMA – E se o Heitor fosse com a gente, mãe?
RENATA – Você gostaria, Heitor?
HEITOR – Sempre quis conhecer Milão!
ADRIANA – Fico feliz que enfim a vida de vocês tenha tomado o rumo que vocês merecem: o da felicidade. Depois de tanto sofrimento vocês merecem sorrir!
RENATA – Você também merece, minha amiga.
PALOMA – Esse momento amorzinho pede um abraço coletivo, não é mesmo? TODOS ABRAÇANDO ELA!
Paloma, Renata e Heitor abraçam Adriana, emocionada.

Nova passagem pelas paisagens do Rio de Janeiro. Toca Elastic Heart – Sia.

MESES DEPOIS

Cena 22/Fazenda A Fortaleza/Quarto de Hóspedes/Tarde
Victoria bate na porta do quarto e entra. Estrela em frente ao espelho vê seu vestido de noiva.
VICTORIA – Querida, como você está linda!
ESTRELA – A senhora também está deslumbrante, mamãe.
VICTORIA – Enfim você vai ter paz!
ESTRELA – Depois de muito sofrimento.
VICTORIA – Mas como dizem, sem dor não há vitória!
ESTRELA – A senhora tá chorando?
VICTORIA – Fica difícil não se emocionar em um momento como esse.
Estrela seca as lágrimas de Victoria e depois a abraça.
ESTRELA – Eu te amo, mãe!
VICTORIA – Eu te amo mais, minha filha! Minha Estrela!
ESTRELA – Agora para de chorar pra não borrar a maquiagem.
Victoria sorri.
VICTORIA – Vamos que está na hora do casamento começar!
Estrela volta a se olhar no espelho.
ESTRELA – Enfim, o casamento!

Cena 23/Fazenda A Fortaleza/Jardim/Tarde
Toca a instrumental Ave Maria.
Franco caminha, lentamente, com Estrela para o altar. Os convidados se levantam e, emocionados, olham a noiva passar. Estrela olha para cada um e sorri. Franco deixa Estrela no altar e fala com Estevão, que sorri. A cerimônia começa, ainda ao som da instrumental. O padre fala algumas coisas, mas sem som. Apenas a instrumental toca. Estrela e Estevão se olham, apaixonados. Vemos de um lado Victoria e Franco, emocionados. E do outro lado Bárbara e Fernando, compartilhando do mesmo sentimento.

Cena 24/Alto Mar/Cruzeiro/Salão/Tarde
Madalena, Fagundes, Patrícia, Elias e Carmen e Júlia estão sentados em suas cadeiras, assim como muitos outros. Todos lado a lado.
CARMEN – E esse show que não começa, hein?
PATRÍCIA – Pra que tanta pressa, vai tirar o pai da forca?
CARMEN – Cuidado da tua vida, Patrícia!
MADALENA – Ai meninas, vocês não vão começar, né? (risos)
ELIAS – Elas não têm jeito mesmo!
JÚLIO – Se não brigarem é porque não estão bem da cabeça!
CARMEN – Culpa dessa velha aí implicando comigo!
PATRÍCIA – Disse a novinha, né miss Egito?
CARMEN – Você me respeite, hein? A única velha aqui é você! Tão velha que o boletim escolar deve ter sido escrito em papiro.
PATRÍCIA – ORA! Eu sou nova, viu? Ainda dou um caldo!
CARMEN – Uma canja, né galinha.
PATRÍCIA – ME RESPEITE!
CARMEN – Velha!
PATRÍCIA – MÚMIA!
MADALENA – Meninas...
CARMEN E PATRÍCIA – FOI ELA!
FAGUNDES – Silêncio, meninas! O show vai começar!
O cantor sobe ao palco.
CARMEN – Ai como ele é lindo!
PATRÍCIA – Sossega esse facho, assanhada!
CARMEN – Estou sossegada.
PATRÍCIA – Você tem um marido agora!
CARMEN – Eu sei disso, mas nada me impede de achá-lo bonito!
PATRÍCIA – Você falou tanto que a música inteira quase se foi!
CARMEN – Então vamos cantar! Todos juntos, ok?
MADALENA – Se chorei ou se sorri...
FAGUNDES – O importante é que emoções...
TODOS – Eu vivi!
Fagundes e Madalena se beijam, apaixonados. Tal qual Carmen e Elias, Patrícia e Júlio.

Cena 25/Vila do Sossego/Entrada/Tarde
Uma mulher misteriosa, vestindo uma saia curta e uma blusa decotada, entra na vila. Câmera foca apenas em seus pés.
Toca a instrumental Má Intención – Rubi.
A mulher para em frente à moça e depois sobe lentamente. Vemos que ela é idêntica a Alice.
MULHER – Então aqui foi que começou tudo... O início da história!
A mulher sorri.

Cena 26/Prisão/Cela/Tarde
A câmera adentra pelo corredor da cela até parar em uma específica. Fábio está com os braços para fora, apoiado nas grades.
FÁBIO – Essa mulher desgraçou a minha vida, mas tem alguma coisa nela que continua me fazendo amá-la. Ah se eu pudesse te fazer minha para sempre, Alice... Ah se eu pudesse!

Cena 27/Fazenda A Fortaleza/Jardim/Tarde
Todos os convidados sentados em suas respectivas mesas. Os garçons servem os aperitivos e bebidas. Todos felizes. Foca em uma mesa em especial com Victoria, Franco, Bárbara, Fernando, Melissa e Afonso.
MELISSA – Enfim eles se casaram!
FERNANDO – E agora não vai ter a Alice pra atrapalhar a vida dos dois, né.
BÁRBARA – Ela teve o que merecia.
VICTORIA – Apesar de tudo eu não desejava a morte para ela.
FRANCO – Não?
VICTORIA – Eu queria que a Alice pagasse por seus crimes na cadeia!
AFONSO – Talvez a morte foi o melhor para ela. A justiça brasileira não é justa com quem merece.
MELISSA – Ai não vamos falar dela, né? Essa mulherzinha já se foi e nunca mais vai voltar!
VICTORIA – Mamãe tem razão.
FRANCO – E que tal se contássemos a novidade para eles, amor?
AFONSO – Novidade?
MELISSA – Que novidade?
VICTORIA – O Franco e eu decidimos adotar uma criança!
Todos comemoram.
BÁRBARA – Mas que notícia maravilhosa!
FERNANDO – Meus parabéns!
MELISSA – E a Estrela já sabe disso?
VICTORIA – Não. O Franco e eu decidimos isso hoje.
AFONSO – E cadê ela pra contar essa novidade?
FERNANDO – Acho que ela e o Estevão sumiram!
FRANCO – Como assim sumiram?
VICTORIA – Explica isso direito!
BÁRBARA – Acontece que um dos convidados viu o Estevão e a Estrela saindo pela tangente.
VICTORIA – E aonde eles foram?

CORTA PARA:

Cena 28/Rio Grande do Sul/Pico do Monte Negro/Tarde
Um jatinho pousa no monte. Estevão e Estrela, ainda vestidos a caráter após o casamento, saem dele.
ESTEVÃO – Que ideia foi essa, meu amor?
ESTRELA – Eu apenas quis rever esse lugar!
ESTEVÃO – Mas por quê? Foi aqui que você quase morreu!
ESTRELA – Justamente por isso. Eu renasci quando coloquei meus pés aqui!
Estrela sorri e corre para a beirada do monte, tomando cuidado para não cair. Estevão vai logo atrás.
ESTEVÃO – Você é louca!
ESTRELA – Louca sim, mas por você! Passamos por cada coisa, mas no final o amor prevaleceu. Eu te amo e quero te fazer meu para sempre, Estevão!
ESTEVÃO – Eu já sou seu, meu amor. Para sempre!
Estevão e Estrela, apaixonados, se beijam.

Toca One Last Time – Ariana Grande.

FIM


E nesta segunda, de Lady Marizete: RAINHA DO MAR. A sua nova web novela das 7.


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quinta-feira, 19 de março de 2015

Alice - Penúltimo Capítulo


PENÚLTIMO CAPÍTULO

Cena 1/Hospital/Corredor/Noite
Os enfermeiros entram empurrando a maca que leva Estevão rapidamente. Victoria, Bárbara, Fernando e Franco logo em seguida.
BÁRBARA – (chorando) Eu sabia que essa história não terminaria em coisa boa!
FERNANDO – Dois feridos e uma fuga. Onde isso vai parar, meu Deus?
FRANCO – A Alice tem que ser contida!
VICTORIA – Ela atirou no meu genro e ainda levou minha filha pra Deus sabe onde.
FRANCO – Essa mulher é completamente louca!
VICTORIA – E muito perigosa. Se ela foi capaz de atirar no homem que ela dizia amar, não duvido nada de que ela seja capaz de fazer coisa pior com a minha filha. Eu sou capaz de matar aquela vadia se ela fizer algo de ruim pra Estrela!
FERNANDO – Mas ela já fez, Victoria. Atirou no meu filho. O homem que a Estrela ama está entre a vida e a morte! Eu tenho medo do que ela pode fazer com a Estrela.
Todos se encaram, nervosos. Bárbara, chorando, abraça Fernando.

Cena 2/Rua/Noite
Fábio dirige o carro. Alice no banco de carona e Estrela atrás, desmaiada.
FÁBIO – E agora? O que a gente vai fazer?
ALICE – Vamos pro Rio Grande do Sul.
FÁBIO – Isso é perigoso demais, Alice.
ALICE – Tá com medo, é?
FÁBIO – Não é medo, é receio! Eu não quero terminar os meus dias na cadeia.
ALICE – E não vai.
FÁBIO – Quem garante? Se a polícia nos pegar iremos presos!
ALICE – Ninguém vai preso, meu amor.
FÁBIO – Então como sairemos do Rio de Janeiro sem que ninguém nos note?
ALICE – Eu tenho meus métodos.
FÁBIO – E quais são?
ALICE – No momento certo você vai descobrir.
Alice tira a arma do porta-luvas, aponta para Estrela e sorri.
ALICE – Estrelinha vai virar noiva cadáver!
Alice ri.

Cena 3/Mansão Montenegro/Cozinha/Noite
Odete entra na cozinha e acende a luz. Ela vai até a geladeira e pega água. A luz da cozinha apaga.
ODETE – Ué.
Odete vai até o interruptor e acende a luz novamente. Ao se virar, ela se depara com Rebeca apontando uma arma para ela.
ODETE – Rebe... Rebe...
REBECA – Rebeca!
ODETE – Você não estava presa?
REBECA – Resolvi fugir pra vir visitar a minha querida família.
ODETE – Abaixa essa arma!
REBECA – Pra quê? Pra você sair por aí gritando como uma louca?
ODETE – Eu não quero seu mal, minha irmã!
REBECA – Mas eu quero o seu e acho melhor fazer o que eu tô mandando!
ODETE – Eu faço, faço sim, mas por favor, abaixa essa arma!
Rebeca puxa o gatilho.
REBECA – Quem manda aqui sou eu! Agora passa.
ODETE – O que você vai fazer?
REBECA – PASSA!
Odete passa lentamente por Rebeca, que continua apontando a arma pra ela. Rebeca coloca a arma nas costas de Odete e a guia para fora de casa.

Cena 4/Hospital/Sala de Espera/Noite
Bárbara e Fernando sentados e abraçados. Victoria de pé, andando de um lado pro outro. Franco sentado em uma poltrona.
VICTORIA – Essa demora por notícias está me deixando aflita!
BÁRBARA – Será que está tudo bem com o meu filho?
FERNANDO – Está, meu amor. Está!
BÁRBARA – Como você pode afirmar isso?
FRANCO – Notícia ruim corre rápido, Bárbara. Ainda mais dentro de um hospital! Nesse momento o Estevão deve estar na sala de cirurgia. Ele vai ficar bem!
VICTORIA – Será que estão perseguindo a Alice? Eu quero a minha filha!
FRANCO – Eles já devem estar atrás dela, meu amor.
VICTORIA – Como você consegue se manter tão calmo numa situação como essa?
FRANCO – Porque em uma situação onde três estão com os nervos a flor da pele tem que ter uma pessoa para acalmá-los.
VICTORIA – Você acha mesmo que vai ficar tudo bem com eles?
FRANCO – Não acho... Tenho certeza!
Victoria abraça Franco e Bárbara abraça Fernando.

Cena 5/Vila do Sossego/Casa de Madalena/Sala/Noite
Madalena sai de seu quarto, passa pelo corredor e ao chegar à sala sente uma fraqueza nas pernas. Ela senta-se no sofá e logo em seguida sente uma forte dor no peito.
MADALENA – Sempre que eu sinto isso é porque vai acontecer algo ruim... Ou já aconteceu!
Foco na expressão de Madalena, aflita, com a mão sobre o peito.

Cena 6/Hospital/Capela/Noite
Bárbara está na capela do hospital, ajoelhada, rezando.
BÁRBARA – Meu Deus, eu sei que nunca fui uma mulher muito religiosa, mas apesar de tudo sempre acreditei no senhor. E sei que em um momento como esse você não vai nos desamparar ou nos abandonar. Faça com que o meu filho saia vivo dessa cirurgia, com que a Estrela seja salva e que aquela dupla de bandidos pague por seus crimes. É só que eu te peço!
Bárbara chora.

Cena 7/Mansão Montenegro/Estufa/Noite
Rebeca entra na estufa empurrando Odete. Ela tranca a porta.
REBECA – Olha aí quem eu trouxe pra uma visitinha. Pra depois não dizerem que eu sou má pessoa!
Rebeca ri. Odete corre para perto de Bianca, amarrada, e a abraça.
ODETE – O que você quer com isso, hein Rebeca?
REBECA – Quero a morte de vocês três!
ODETE – E que mal nos lhe fizemos?
REBECA – Cruzaram o meu caminho.
ODETE – Nossos destinos sempre estiveram entrelaçados de certa forma.
REBECA – Família a gente não escolhe, né?
ODETE – Você teve a opção de ser feliz, mas procurou viver rodeada de rancor.
REBECA – Você que fez com que eu me tornasse assim!
ODETE – E que culpa eu tenho?
REBECA – Você sempre foi a queridinha do papai, o amorzinho da família. Enquanto eu era a ovelha negra! A desprezada por todos.
ODETE – Você não sabe o que diz!
REBECA – Sei e por isso digo. Mas agora isso acabou, Odete! O seu fim chegou! Seu e dessa corja! E o próximo da listinha é o meu amado amante... César!
ODETE – Você sempre foi obcecada por ele, não é?
REBECA – O César devia ter sido meu!
ODETE – Mas ele me escolheu pra ser a mulher da vida dele!
REBECA – Como sempre você ficando com tudo o que me pertence. Mas agora acabou!
Rebeca e Odete se encaram.

Cena 8/Mansão Albuquerque/Quarto de Cristina/Noite
Cristina, enrolada em um hobby branco e com uma toalha enrolada na cabeça, sai do banheiro. Seu celular que está no criado-mudo ao lado da cama toca e ela atende.
CRISTINA – Alô?
...
CRISTINA – Sim, Franco. Diga.
...
CRISTINA – Então amanhã tem a leitura do testamento do Marcos? Finalmente! Não sei porque demorou tanto tempo pra ler essa porcaria.
...
CRISTINA – Eu sei que foi uma vontade dele.
...
CRISTINA – Tudo bem, Franco, já entendi. Amanhã nos encontramos!
Cristina desliga o celular e sorri.
CRISTINA – Enfim vou por as mãos no que é meu por direito!

AMANHECE

Cena 9/Rio Grande do Sul/Chalé/Quarto/Manhã
Alice é acordada por Fábio aos beijos.
FÁBIO – Bom dia, meu amor. Dormiu bem?
ALICE – Melhor impossível. E a nossa hospede?
FÁBIO – Ela hesitou um pouco, mas depois apagou.
ALICE – Ela apagou ou você a apagou?
FÁBIO – Digamos que um pouco dos dois.
Fábio sorri.
ALICE – Eu vou fazer essa vadia sofrer muito antes de morrer!
FÁBIO – E como você pretende mata-la?
ALICE – Você vai descobrir no momento certo.
FÁBIO – E quando vai ser o momento certo? Por que tanto mistério?
ALICE – Porque o que eu estou preparando será inesquecível.
FÁBIO – E não acha que é arriscado?
ALICE – Nós já chegamos até aqui e agora não dá mais pra voltar atrás.
FÁBIO – E se a polícia nos pegar?
ALICE – Isso não vai acontecer por dois motivos: o primeiro é que a polícia brasileira é incompetente no nível máximo. E o segundo motivo é que somos mais inteligentes e ágeis que eles! Agora vamos deixar esse papo de lado porque já está tudo arquitetado aqui na minha mente. Eu vou tomar um banho e depois desço pra ver como está a Estrelinha.
FÁBIO – E pretende tomar esse banho sozinha?
ALICE – Uma companhia masculina não me faria mal.
Alice sorri e depois vai para o banheiro, fazendo sinal com as mãos para que Fábio vá também. Ele, sorrindo, levanta-se da cama e corre até ela. Fábio beija Alice e fecha a porta do banheiro com o pé.

Cena 10/Mansão Montenegro/Sala de Jantar/Manhã
César desce as escadas...
CÉSAR – Onde será que a Odete se meteu? Primeiro a Bianca some e agora ela!
... E chega na sala de jantar, onde encontra Rebeca sentada à mesa com uma arma apontada para ele.
CÉSAR – REBECA?
REBECA – Não ia me convidar para o café da manhã, meu amor?
CÉSAR – O que você tá fazendo aqui? O que você fez com a Bianca e com a Odete?
REBECA – Calma, bebê. Uma pergunta de cada vez! A primeira resposta é que eu estou aqui porque senti saudades da casa e da minha família querida.
CÉSAR – Deixa de ser cínica!
REBECA – Cala a boca porque eu ainda não terminei de falar! A segunda resposta você vai descobrir se for um bom rapaz.
CÉSAR – Você não as matou? Matou?
REBECA – Eu não teria o prazer de matar aquelas duas sonsas sem ver a sua reação, César.
CÉSAR – Então você esperou eu acordar pra me fazer de refém também?
REBECA – Parece que a Odete fez com que seus neurônios funcionassem, querido.
CÉSAR – Me diz logo onde elas estão antes que eu chame a polícia!
REBECA – Quem manda aqui sou eu! Se chamar a polícia eu mato as duas e depois te mato! Então cala a sua maldita boca e faça o que eu mandar.
Rebeca segue com a arma apontada para César.

Cena 11/Hospital/Quarto de Estevão/Manhã
O médico e a enfermeira entram no quarto. Estevão na cama, entubado.
MÉDICO – Foi uma cirurgia difícil, mas conseguimos.
ENFERMEIRA – E o senhor acha que ele sai dessa?
MÉDICO – Tenho certeza que ele sairá são e salvo.
ENFERMEIRA – O caso dele foi bem grave.
MÉDICO – Por muito pouco a bala não perfurou o pulmão. Mas agora o estado dele é estável e eu acredito que em poucos dias poderemos desentubá-lo!
Foco em Estevão, dormindo e entubado.

Cena 12/Hospital/Sala de Espera/Manhã
BÁRBARA – Eu não aguento mais esperar por notícias!
FERNANDO – Calma, meu amor. Já, já o médico vem!
VICTORIA – Vai ficar tudo bem, Bárbara. Eu tenho certeza!
BÁRBARA – É o que eu espero. E o Franco? Já foi? Não o vi até agora.
VICTORIA – O Franco foi para o escritório. Tinha um caso para resolver!
BÁRBARA – Coitado, eu acho que o enchi tanto com esse caso do Estevão.
VICTORIA – Não, querida. Você não fez nada disso! O Franco está realmente preocupado com essa situação.
FERNANDO – E a Alice, hein? Onde será que se meteu? Até agora a polícia não deu nenhuma notícia!
VICTORIA – Eu estou em chamas! Aflita até o último fio de cabelo. Eu não sei pra onde essa louca levou a minha filha ou o que fez com ela.
BÁRBARA – E o Olavo sumiu mesmo, hein?
VICTORIA – Eu acho que o Olavo nunca mais vai aparecer.
FERNANDO – E por que você pensa isso?
VICTORIA – Se eu estiver certa, o Olavo foi assassinado pela Alice.
Bárbara fica chocada.
BÁRBARA – Meu Deus!
FERNANDO – Você acha que ela seria capaz de matar?
VICTORIA – A Alice é capaz de qualquer coisa! De coisas que Deus duvida e o diabo aprova.

Cena 13/Rio Grande do Sul/Chalé/Sala/Manhã
Alice, vestida com uma calça colante preta e uma blusa também preta, desce as escadas e para no primeiro degrau. Fábio logo em seguida. Estrela já acordada, amarrada e amordaça em uma cadeira.
Toca Época – Gotan Project.
Alice caminha até Estrela.
ALICE – Bom dia, querida!
Alice dá uma bofetada em Estrela.
ALICE – Preparada para o começo do seu fim?
Alice tira a mordaça da boca de Estrela, que cospe em seu rosto.
ESTRELA – LOUCA!
Alice dá outra bofetada em Estrela.
ALICE – Menininha abusada! Vê se pode uma coisa dessas? Eu te dou direito de voz e você me trata assim. Não tem jeito mesmo, viu Estrela? Eu tento ser boazinha contigo, mas você faz questão de dificultar tudo!
ESTRELA – Se você quisesse mesmo ser boa me tiraria daqui.
ALICE – Pra quê? Pra você sair correndo por aí pedindo ajuda? Eu não vou terminar os meus dias na cadeia!
ESTRELA – Isso é o que você pensa! A minha mãe vai te achar, sua vaca!
ALICE – Se ela tiver um bom guia turístico, talvez.
ESTRELA – Guia turístico? Do que você tá falando?
ALICE – Ai eu tenho mesmo que explicar tudo? Estamos no Rio Grande do Sul, querida!
Estrela fica surpresa.
ESTRELA – Não, não pode ser!
ALICE – Mas é! Ou você acha mesmo que eu ia continuar no Rio depois de ter feito o que fiz? Eu atirei no homem da minha vida por sua culpa!
ESTRELA – E O ESTEVÃO? COMO TÁ O MEU MARIDO?
ALICE – Marido? Mas vocês nem se casaram! E nem vão.
ESTRELA – Fala logo, Alice!
ALICE – Não faço a mínima ideia. O Estevão deve estar em um hospital. Com sorte em um caixão!
Alice ri.
ESTRELA – (chorando) Como você pode rir de uma situação como essa?
ALICE – Eu amei e ainda amo o Estevão com todo o meu coração, mas ele não demonstra que em ama também.
ESTRELA – Porque ele não te ama e nunca vai te amar!
ALICE – AMA SIM! É claro que ama. Ele só precisa abrir os próprios olhos e perceber que eu sou o grande amor da vida dele. Eu sou a ruiva certa!
ESTRELA – E como você pretende fazer isso?
Alice saca a arma que estava escondida atrás de suas costas e aponta para Estrela.
ALICE – Te matando, quem sabe.
Alice sorri e Estrela encara o revólver.

Cena 14/Edifício LeMarchal/Sala de Franco/Manhã
Franco recepciona Cristina com um aperto de mãos.
FRANCO – Sente-se!
Franco senta-se em sua cadeira e Cristina em uma em frente à mesa.
CRISTINA – Bom agora que eu cheguei, você já pode começar com a leitura do testamento.
FRANCO – Infelizmente ainda não posso.
CRISTINA – E por que não?
FRANCO – Porque o Marcos, antes de morrer, me exigiu pessoalmente que chamasse mais uma pessoa para a leitura do testamento.
CRISTINA – E quem é essa tal pessoa?
Renata abre a porta da sala.
RENATA – Perdão pelo atraso!
CRISTINA – RENATA?
RENATA – Um carro quebrou na rua e causou um congestionamento.
CRISTINA – O que essa aí está fazendo aqui?
FRANCO – Como eu disse, o Marcos exigiu a presença dela.
CRISTINA – Impossível! Por que ele faria isso?
FRANCO – Isso nós descobriremos agora. Sente-se, Renata, a leitura do testamento vai começar.
Renata senta-se na cadeira ao lado de Cristina, que a fuzila com os olhos.
FRANCO – Eu, Marcos Fraga Garcia, em pleno uso de minhas faculdades mentais, deixo em nome de Renata Gomes e Albuquerque oitenta por cento de tudo o que é meu. Isso inclui minhas propriedades dentro e fora do Brasil, meus carros e o mais precioso: a agência de modelos que ela tanto lutou para conseguir.
CRISTINA – COMO É QUE É?
FRANCO – Acalme seus ânimos, por favor. Eu ainda não terminei! Continuando... Deixo também cinco por cento de minha fortuna para Paloma, filha de Renata, e mais cinco por cento para Adriana Vilar. Os outros dez por cento exijo que sejam doados para instituições de caridade.
CRISTINA – ISSO NÃO PODE SER VERDADE!
FRANCO – Foi o que ele exigiu antes de morrer!
CRISTINA – Mas aquele cretino disse que deixaria tudo para mim!
FRANCO – E deixaria mesmo, mas pouco antes do acidente veio até mim alterar o testamento.
RENATA – Eu sempre soube que ele tinha um bom coração.
Cristina, furiosa, levanta-se da cadeira e a derruba.
CRISTINA – ISSO É UMA FRAUDE! UMA MENTIRA! EU VOU CONTESTAR ESSE TESTAMENTO!
FRANCO – Pode tentar e se tiver muita, mas muita sorte ganhará. Mas isso em todos os casos é improvável! A vontade do Marcos foi essa e é ela que prevalecerá. Você querendo ou não.
CRISTINA – AQUELE DESGRAÇADO ME TRAIU!
RENATA – E não foi o que você fez com ele?
CRISTINA – CALA A BOCA, SUA BARANGA! O MARCOS ME AMAVA E EU TAMBÉM!
RENATA – Amava tanto que o traiu. O MATOU!
CRISTINA – Sem provas você não pode me acusar de nada. E seu realmente o matei, já que é impossível porque o atestado de óbito provou o contrário, tome muito cuidado para não ser a próxima vítima!
Cristina e Renata, ambas de pé, se encaram.

Cena 15/Albergue/Quarto/Manhã
Paloma e Adriana arrumam a cama.
ADRIANA – Por que será que a sua mãe foi chamada pra ir à leitura do testamento do Marcos?
PALOMA – Será que ele deixou algo para ela?
ADRIANA – Talvez...
PALOMA – Eu não faço a mínima ideia do que possa ser.
ADRIANA – Espero que o Marcos, assim como eu, tenha percebido o erro que cometeu fazendo mal a Renata.
PALOMA – Você realmente mudou, não é?
ADRIANA – Sim. Percebi que minhas atitudes não foram corretas e...
Paloma abraça Adriana.
PALOMA – Parabéns por essa mudança tão nítida!
ADRIANA – Você me deu um abraço? Meu Deus há quanto tempo eu não recebo um abraço!
PALOMA – Você merece coisas boas por ter mudado para a melhor.
Adriana dá as mãos para Paloma.
ADRIANA – Acha mesmo que eu mereço?
PALOMA – Todas as coisas boas possíveis!
Adriana e Paloma trocam olhares.

Cena 16/Hospital/Sala de Espera/Manhã
Bárbara, Fernando e Victoria sentados. O médico entra na sala e todos se levantam.
BÁRBARA – E então, doutor, como está o meu filho?
FERNANDO – Não nos esconda nada!
VICTORIA – Ele está bem?
O médico as encara.
MÉDICO – Melhor impossível!
Todos respiram aliviados.
MÉDICO – A cirurgia deu certo e agora ele está em um quarto, sob observação das enfermeiras.
BÁRBARA – E eu posso visita-lo?
MÉDICO – Ainda não. O Estevão está dormindo.
FERNANDO – E quando ele acordar? Ele vai acordar, né?
MÉDICO – Sim, vai. Mas temos que esperar mais umas horas para ver se tudo continuará bem depois dessa cirurgia e da transfusão de sangue. Agora com licença porque eu tenho que cuidar de outros casos.
VICTORIA – Toda.
O médico sai da sala.
BÁRBARA – Deus atendeu as minhas preces!
FERNANDO – Estou tão aliviado!
VICTORIA – Apesar dessa notícia maravilhosa eu ainda estou aflita.
BÁRBARA – Nada de notícia da Estrela, não é?
VICTORIA – Nenhuma. Se continuar assim eu não sei se vou aguentar!
Bárbara abraça Victoria.
BÁRBARA – Vai ficar tudo bem, querida. Acredite!

Cena 17/Mansão Montenegro/Sala de Estar/Tarde
César, Odete e Bianca amarrados lado a lado. Rebeca apontando uma arma para eles.
REBECA – Enfim a família toda reunida!
CÉSAR – Você é louca!
BIANCA – A polícia vai te pegar, Rebeca!
ODETE – O que você vai fazer quando os empregados chegarem?
REBECA – Eu não vou precisar me preocupar com isso.
BIANCA – E por que não? Vai fazer todos eles de reféns também?
REBECA – Já me livrei de todos!
ODETE – Você os matou?
REBECA – Ai, Odete, como você é burra! Fiz o César ligar para cada um e dar folga por hoje.
CÉSAR – Por que você está fazendo tudo isso, hein?
REBECA – Porque vocês me traíram e me magoaram demais! Eu não posso deixar por isso mesmo. Vocês vão aprender que Rebeca Montenegro não joga pra perder.
Rebeca segue apontando a arma para eles. A câmera foca nos três, de perfil, lado a lado.

Cena 18/Albergue/Quarto/Tarde
Renata entra correndo no quarto. Paloma sai do banho, enrolada em uma toalha, enquanto Adriana está sentada na cama.
RENATA – Eu tenho uma ótima notícia pra dar!
ADRIANA – Não vai me dizer que...
RENATA – EU VOLTEI A SER RICA!
PALOMA – COMO?
RENATA – O Marcos deixou no testamento dele tudo o que me foi roubado. Ele realmente se redimiu!
ADRIANA – Então quer dizer que você vai voltar para a agência?
RENATA – Sim! Eu voltei a ser Renata Albuquerque!
Renata sorri. Paloma e Adriana se encaram e depois sorriem.

Cena 19/Mansão Albuquerque/Quarto de Cristina/Tarde
Cristina entra, furiosa, no quarto e sai quebrando tudo o que vê pela frente.
CRISTINA – MALDITO! DESGRAÇADO! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Cristina senta-se no chão e chora.
CRISTINA – Mas isso não vai ficar assim! O jogo ainda não acabou!

ANOITECE

Cena 20/Mansão Montenegro/Sala de Estar/Noite
Rebeca empurra um galão com gasolina para a sala.
CÉSAR – O que você pretende fazer?
REBECA – Ainda não percebeu?
ODETE – Você vai...
REBECA – Queimar essa maldita casa com todos nós dentro!
BIANCA – Mas você não percebe que vai morrer também?
REBECA – Nada mais me importa! NADA MAIS!
Rebeca, fora de si, acende o fósforo e o encara.
REBECA – Acabou!
Odete consegue se soltar e avança para cima de Rebeca.
ODETE – VOCÊ NÃO VAI ACABAR COMIGO, SUA LOUCA!
O fósforo cai no chão e o fogo se espalha pela casa.
BIANCA – NÃO, MEU DEUS! NÃO!
CÉSAR – Nós vamos morrer!

Cena 21/Vila do Sossego/Casa de Madalena/Entrada/Noite
Madalena está sentada no sofá, abraçada com Fagundes. A campainha toca.
FAGUNDES – Quer que eu vá atender?
MADALENA – Não, meu amor. Fica aí!
Madalena beija Fagundes.
MADALENA – Deixa que eu vou.
Madalena levanta-se e vai até a porta. Ela abre a porta e vê dois policias.
MADALENA – Posso ajudar em algo?
POLICIAL – A senhora é mãe de Alice Fraga?
MADALENA – Eu mesma. Aconteceu alguma coisa com ela?
POLICIAL – Com ela não, mas com a senhorita Estrela Grimaldi, sim.
MADALENA – E o que exatamente?
POLICIAL – A Alice a sequestrou com a cumplicidade de um amante e fugiu com ela para o Rio Grande do Sul.
Madalena encara o policial, assustada.

Cena 22/Rio Grande do Sul/Chalé/Quarto/Noite
Fábio sai do banheiro e vê Alice apontando uma arma para ele.
FÁBIO – Que isso, meu amor?
ALICE – Nunca viu uma arma?
FÁBIO – Claro que já!
ALICE – Então por que a pergunta?
FÁBIO – Porque quero entender o porquê de você estar com ela apontada para mim.
ALICE – Pra que usa uma arma, meu amor?
FÁBIO – Para várias coisas!
ALICE – Inclusive para um assassinato.
FÁBIO – O que você está querendo dizer com isso?
ALICE – Que você usou essa mesma arma para matar o Olavo!
FÁBIO – Porque você mandou!
ALICE – Você obedeceu porque quis, Fábio. Eu não te obriguei a nada!
FÁBIO – Eu atirei no Olavo pra salvar você! E quem o matou não fui eu, FOI VOCÊ!
ALICE – Será que é nisso que a polícia vai acreditar?
FÁBIO – Eu não estou entendendo mais nada!
Alice ri.
FÁBIO – Ah, já sei, isso é uma brincadeira, né? Muito sem graça, a propósito!
ALICE – Uma brincadeira bem séria, meu amor. Bem séria.
Alice desliza a arma por seu corpo.
FÁBIO – Já sei o que você quer...
Alice deixa de deslizar a arma e atira na perna de Fábio. Ele grita de dor.
FÁBIO – POR QUE VOCÊ FEZ ISSO, SUA LOUCA?
ALICE – Porque agora você seria peso morto! Inútil! Me serviu pra muito serviços sujos, mas agora não presta mais.
FÁBIO – E O QUE VOCÊ VAI FAZER?
ALICE – Fugir desse país de índio!
FÁBIO – Você não vai conseguir isso!
Toca a instrumental Desespero – Império.
ALICE – Quem disse?
FÁBIO – A polícia vai te pegar, sua cretina!
ALICE – Não vai, não. Depois que eu matar a Estrela, deixo o corpo dela em qualquer canto e fujo. Amanhã de manhã terá um helicóptero me esperando no Pico do Monte Negro. É de lá que eu vou me livrar dessa ruiva maldita! E também é de lá que eu vou fugir.
FÁBIO – Por que você fez isso comigo? Eu te amo! Eu fui seu amante, seu parceiro, seu cúmplice!
Alice ri.
ALICE – Eu? Te amar? Me poupe, né Fábio. A única pessoa que eu amo de verdade é o Estevão! Eu nunca te amei! NUNCA! Você só me serviu para sexo e crimes. Nada demais! Agora me deixe ir porque eu tenho mais o que fazer do que ficar olhando pra essa tua cara de bundão. Seu merda!
FÁBIO – Você vai mesmo me deixar aqui?
ALICE – Devia me agradecer por não ter te matado! Eu vou te deixar aqui pra ir pra cadeia e pagar por seus crimes. Lá, na cadeia, é o lugar onde gente da sua raça, bandidinho barato, tem que estar. E não misturado com gente da alta como eu! Tchau, seu babaca! OTÁRIO!
Alice ri e antes de ir embora do chalé, tranca a porta por fora.
FÁBIO – ALICEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!

Cena 23/Agência de Modelos/Entrada/Noite
Cristina, sem cumprimentar os seguranças, entra correndo.

Cena 24/Agência de Modelos/Sala da Presidência/Noite
Cristina entra, tranca a porta e corre para trás da cadeira presidencial. Ela tira um quadro que estava na parede, abre o cofre que estava escondido e contempla os milhares de dólares que tem lá dentro.
CRISTINA – Quero ver se alguém vai me pegar!
Depois, ainda com o cofre aberto, ela senta-se na cadeira e liga o computador.
CRISTINA – Agora é só fazer uma grande transferência para a minha conta no exterior e depois bye, bye, Brasil!
Cristina sorri.

Cena 25/Mansão Grimaldi/Sala de Estar/Noite
BÁRBARA – Então a Alice e a Estrela estão no Rio Grande do Sul?
VICTORIA – Exatamente!
FERNANDO – Então pra lá que a gente vai!
FRANCO – Dessa vez a Alice não escapa!

Cena 26/Vila do Sossego/Casa de Madalena/Sala/Noite
FAGUNDES – Então ela foi capaz de sequestrar? Meu Deus do céu!
MADALENA – Dessa vez a Alice passou de todos os limites possíveis!
FAGUNDES – E você vai atrás dela?
MADALENA – Com toda certeza, sim!
FAGUNDES – Então vamos logo. Eu peço para o piloto nos levar até lá pelo jatinho.
MADALENA – Claro, claro. Vamos!
Apressados, Madalena e Fagundes saem de casa.

Cena 27/Rio Grande do Sul/Chalé/Noite
Há uma grande movimentação em frente ao chalé, com carros policias. Fábio está fora da casa, em uma ambulância. O delegado dentro dela.
DELEGADO – Então a Alice vai tentar fugir amanhã?
FÁBIO – Sim. Ela irá para o Pico do Monte Negro! Disse que de lá vai fugir após matar a Estrela.
DELEGADO – Isso é o que ela pensa! A Alice vai ter uma bela surpresa.

AMANHECE

Cena 28/Rio Grande do Sul/Pico do Monte Negro/Manhã
Um carro para no monte. Alice sai dele carregando Estrela. Há sua espera um Citation X.
ALICE – Tão lindo...
Alice fica deslumbrada.
ESTRELA – Você vai me levar embora daqui contigo?
ALICE – Claro que não, Estrelinha. Você é peso morto! Eu vou me livrar de você te jogando desse monte e depois vou pegar aquele belo jatinho ali pra fugir do país.
Alice, apontando uma arma para Estrela, a empurra.
ALICE – ANDA LOGO, VAI!
Alice joga Estrela no chão e aponta a arma para ela.
ALICE – Chegou a tua hora! Faça jus ao teu nome e brilhe no céu, Estrelinha!
Alice sorri, puxa o gatilho da arma e aponta para Estrela, ajoelhada.
ESTRELA – Seja rápida...
ALICE – Como você quiser!
Nesse momento, helicópteros da policia sobrevoam o lugar. Carros da polícia chegam também. Alice puxa Estrela para perto dela e aponta uma arma para a cabeça da mocinha. O carro de Victoria chega. O jatinho de Fagundes posa bem distante.
Toca a instrumental Mozart: Requiem.
ALICE – QUE PALHAÇADA É ESSA?
DELEGADO – (alto falante) Abaixa essa arma e se entregue, Alice! Você está cercada! Não tem mais saída!
Madalena e Fagundes chegam correndo. Victoria, Bárbara, Fernando e Franco saem do carro.
VICTORIA – LARGA A MINHA FILHA, SUA VADIA!
FRANCO – Solta ela, Alice!
BÁRBARA – Pensa bem no que você vai fazer, Alice!
FERNANDO – LARGA A ESTRELA, ALICE!
MADALENA – POR FAVOR, FILHA! SOLTA ELA!
FAGUNDES – Se entregue, Alice. É o melhor!
Alice, com a arma apontada para a cabeça de Estrela, a puxa para o penhasco do morro.
ALICE – A Estrela é o meu passaporte para a liberdade! Se vocês tentarem alguma gracinha, eu me jogo daqui com ela sem pensar duas vezes! TENTEM PRA VER!
A tensão toma conta do monte. Os policias apontam a arma para Alice. Victoria, Bárbara, Fernando, Franco, Madalena e Fagundes estão aflitos. Foco em Alice, apontando uma arma para a cabeça de Estrela.

FIM DE CAPÍTULO



Nesta segunda: Rainha do Mar. Uma web novela de Lady Marizete.
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quarta-feira, 18 de março de 2015

Alice - Capítulo 48


Capítulo 48

ÚLTIMA SEMANA

A câmera flagra um galpão deteriorado pelo tempo, porém grande. Pouco a pouco ela se aproxima dele.

Cena 1/Galpão/Interno/Noite
Estrela, amarrada em uma cadeira, acorda aos poucos. Alice lhe dá uma bofetada.
ALICE – Acorda, vagabunda!
ESTRELA – Alice? O QUE EU TÔ FAZENDO AQUI? ME SOLTA!
ALICE – Calma! Pra que toda essa euforia? Mal chegou e já que ir embora!
ESTRELA – Eu tenho que me casar!
ALICE – Tem, mas não vai! Eu não vou deixar!
ESTRELA – Você é louca! Se não me tirar daqui vai ser presa!
ALICE – Você acha que eu tenho medo das suas ameaças? Você não pode fazer nada! Está com os pés e as mãos atadas... Literalmente!
Alice ri.
ESTRELA – O que você vai fazer comigo?
ALICE – Você vai descobrir já, já!
Alice ri e aponta uma arma para Estrela.
ALICE – Que tal brincar de roleta russa?
Estrela, assustada, encara Alice.

Cena 2/Mansão Montenegro/Jardim/Noite
Rebeca, cuidadosamente, caminha pelo jardim. Ela vê Bianca observando umas flores.
REBECA – Parece que o destino quer me ajudar!
Rebeca sorri, se aproxima de Bianca e dá uma coronhada em sua cabeça.
REBECA – Hora de cantar pra subir, bebê!
Rebeca aponta a arma para Bianca.

Cena 3/Fazenda A Fortaleza/Jardim/Noite
Victoria e Bárbara cumprimentam os convidados, andando pelo jardim.
VICTORIA – Barbie, vem cá.
Bárbara se aproxima de Victoria.
BÁRBARA – Sim, querida.
VICTORIA – Você não acha estranho esse sumiço repentino do Olavo?
BÁRBARA – Um pouco, não muito. Por quê?
VICTORIA – Ele não atende as minhas ligações.
BÁRBARA – E o que isso tem demais? Vai ver a bateria acabou!
VICTORIA – Não sei, não sei...
BÁRBARA – Já, já ele chega aí com a Estrela.
VICTORIA – Assim espero. Não quero que nada dê errado!
BÁRBARA – Fica tranquila porque vai dar tudo certo, querida.

Cena 4/Galpão Abandonado/Interno/Noite
Alice abaixa a arma e dá outra bofetada em Estrela.
ALICE – Você não vai se casar!
ESTRELA – Isso é o que você pensa.
ALICE – E ainda me desafia! Vê se pode, Fábio.
FÁBIO – Essa aí tem que apanhar mais pra aprender a te respeitar.
ESTRELA – E esse aí? Quem é? O seu amante?
ALICE – Sim. O meu amante, o meu parceiro, meu companheiro... Meu homem! Quer dizer, meu segundo homem porque o meu primeiro e único se chama Estevão Guimarães.
Alice beija Fábio.
ESTRELA – Você é uma vadia!
ALICE – Só foi notar agora? (risos)
ESTRELA – Quando o meu pai descobrir que você além de me sequestrar o traiu, vai te matar!
ALICE – Isso não vai acontecer nunca.
ESTRELA – Você que pensa. Acha mesmo que o papai vai deixar por isso mesmo?
ALICE – O seu pai morreu!
Estrela fica pasma.
ESTRELA – Como é que é?
ALICE – Isso mesmo que você ouviu. O seu pai morreu! Eu o matei!
ESTRELA – Você está mentindo!
ALICE – É a mais pura verdade! Você agora é órfã de papai.
Alice ri. Estrela chora.
ESTRELA – Não pode ser... Não pode ser! NÃO PODE SER!
ALICE – Mas é e você vai ter que conviver com isso! Essa hora o seu pai virou comida de peixe, queridinha. Acabou! Ele ta morto!
ESTRELA – Você é um monstro!
ALICE – Sou um anjo de bondade. Tão boa que vou fazer vocês dois se encontrarem!
ESTRELA – Você não seria capaz.
ALICE – Não me desafie! Agora não é o momento pra você cantar pra subir, mas ele vai chegar já, já.
Alice sorri e encara Estrela.

Cena 5/Mansão Albuquerque/Corredor/Noite
Cristina, enrolada em um hobby de dormir, sai de seu quarto e caminha pelo corredor, indo para o primeiro andar. Ela encontra com Marcos.
CRISTINA – AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.
Cristina respira ofegante.
CRISTINA – MARCOS?
MARCOS – Boa noite, meu amor.
CRISTINA – O que você ta fazendo aqui? Você morreu!
MARCOS – Justamente por isso estou aqui. Vim te visitar! Vim te buscar!
CRISTINA – Eu não vou com você!
MARCOS – Mais cedo ou mais tarde nos reencontraremos.
CRISTINA – Isso nunca vai acontecer!
MARCOS – Enquanto isso não acontecer eu não vou te deixar em paz!
CRISTINA – Eu não tenho medo de quem já morreu.
MARCOS – Mas deveria.
Cristina, assustada, encara Marcos.

Cena 6/Rio de Janeiro/Mangueira/Albergue/Noite
Renata está deitada em sua cama, virada para a parede. Ela relembra dos momentos com Marcos e chora em silêncio.

Cena 7/Galpão/Interno/Noite
Estrela ainda amarrada. Alice rasga seu vestido.
ESTRELA – O que você ta fazendo, sua louca?
ALICE – Pra que você quer um vestido de noiva se não vai se casar?
ESTRELA – Eu vou me casar sim e não vai ser você que vai impedir!
ALICE – Se eu fosse você não pensaria dessa maneira.
ESTRELA – Por que você está fazendo isso, hein Alice?
ALICE – Porque eu te odeio!
ESTRELA – Me odeia ou tem inveja de mim?
ALICE – Inveja?
Alice ri.
ESTRELA – Sim, inveja. Eu tenho tudo o que você nunca teve: dinheiro, uma família, um homem que me ama...
ALICE – Dinheiro eu tenho!
ESTRELA – Mas e amor? Isso você não tem!
ALICE – Amor é pra gente idiota!
ESTRELA – Então você é completamente doida! Não é amor o que você sente pelo Estevão?
Alice fica em silêncio.
ESTRELA – O seu silêncio responde tudo. Sabe o que acontece, Alice? Você vai morrer sozinha, sem ninguém. A única coisa que você faz é semear discórdia, desunião... E vai colher solidão, tristeza, abandono. O Estevão nunca vai te amar! NUNCA!
Alice dá uma bofetada em Estrela.
ALICE – Cala a sua boca, sua vaca! Eu vou te matar!
ESTRELA – Então vai, Alice. Me mata! Me mata e de brinde ganhe o ódio eterno do Estevão.
Alice aponta a arma novamente para Estrela.

Cena 8/Mansão Montenegro/Estufa/Noite
A câmera foca na estufa por fora e depois por dentro. Bianca está no chão, amarrada pelos pés e pelas mãos, com uma mordaça na boca. Rebeca, sentada em uma cadeira, aponta uma arma para ela. Bianca acorda aos poucos.
REBECA – A pela adormecida acordou? Dormiu bem?
Rebeca ri.
REBECA – Ah, que pena, você não pode me responder!
Bianca a encara, assustada.
REBECA – Eu disse que ia fazer vocês se arrependerem de ter me colocado na cadeia. Você mexeu com a pessoa errada, Bianca! E agora vai pagar por isso.
Rebeca olha para cima da mesa e vê uma tesoura de podagem. Ela a pega e se aproxima de Bianca.
REBECA – Se falar muito eu vou cortar sua língua, hein? (risos) Que tal começar pelas mãos?
Rebeca pega a mão de Bianca, abre a tesoura e coloca um de seus dedos nela. Bianca se assusta e tenta gritar.
REBECA – Se gritar eu aperto esse tesoura e aí bye, bye, dedinho! Vai me desafiar?
Bianca, assustada, encara Rebeca.

Cena 9/Fazenda A Fortaleza/Jardim/Noite
Todos os familiares em um canto específico.
ESTEVÃO – Eu to começando a ficar preocupado com essa demora.
BÁRBARA – Fique calmo, querido. Você sabe como são as noivas, né? Sempre atrasam!
VICTORIA – Dessa vez até eu estou ficando preocupada.
MELISSA – O Olavo ainda não deu notícias?
VICTORIA – Nenhuma!
FRANCO – Se você quiser eu posso ir até a mansão ver se eles estão lá.
VICTORIA – Não. É melhor você ficar! Pode ser que a Estrela e o Olavo estejam a caminho e vocês acabem se desencontrando.
AFONSO – Mas a demora das noivas é coisa normal!
FERNANDO – Nós já fomos a tantos casamentos onde as noivas demoraram horas para chegar.
BÁRBARA – É verdade, Fernando. Já, já a Estrela e o Olavo chegam aí!
VICTORIA – Assim espero!
Victoria fica apreensiva.

Cena 10/Galpão/Interno/Noite
Alice e Fábio estão em um canto.
FÁBIO – Você pretende mesmo matar essa menina?
ALICE – Pretendo. Mas não agora!
FÁBIO – Quando?
ALICE – No momento certo!
FÁBIO – E quando é o momento certo?
ALICE – Você vai descobrir já, já!
Fábio e Alice encaram Estrela.

Cena 11/Mansão Montenegro/Quarto de César/Noite
César e Odete aos beijos.
CÉSAR – Enfim viveremos em paz!
ODETE – Era tudo do que precisávamos.
CÉSAR – Rebeca pagando por seus crimes, nós dois juntos... Melhor coisa não há!
ODETE – Há sim.
CÉSAR – É? O que então?
Odete sussurra em seu ouvido.
CÉSAR – Vendo por esse lado eu também acho!
César e Odete riem e se beijam.

Cena 12/Vila do Sossego/Casa de Madalena/Quarto/Noite
Madalena e Fagundes estão abraçados.
FAGUNDES – Tá tudo bem contigo, meu amor?
MADALENA – Sim.
FAGUNDES – Não é o que parece. Você está tão estranha!
MADALENA – Eu preciso te contar uma coisa, Fagundes.
FAGUNDES – Coisa? Que coisa?
Madalena senta-se na cama.
MADALENA – Sobre o meu passado.
FAGUNDES – O que tem o seu passado?
MADALENA – Eu preciso te contar sobre o segredo que me atormenta há anos.
FAGUNDES – E sobre o que é esse segredo? Eu to ficando apreensivo!
MADALENA – A Alice... Ela...
FAGUNDES – O que tem a Alice? Ela fez alguma coisa?
MADALENA – Eu estou tentando encontrar as palavras para te contar.
FAGUNDES – O melhor jeito é ir direto ao ponto, sem cerimônias.
MADALENA – A Alice foi violentada pelo meu marido quando criança.
Fagundes se surpreende. Madalena chora.
FAGUNDES – COMO?
MADALENA – Esse é o segredo que me atormenta há anos!
Madalena seca suas lágrimas.
FAGUNDES – Meu Deus, que horror. Mas o Conrado não era pai dela?
MADALENA – Infelizmente sim.
FAGUNDES – E como ele teve coragem de fazer isso com a própria filha?
MADALENA – É o que desde a morte dele eu me pergunto.
FAGUNDES – E em que circunstâncias esse crápula morreu?
MADALENA – A Alice o matou.
Fagundes fica mais surpreendido ainda.
FAGUNDES – A Alice o matou?
MADALENA – Eu estava na Europa com os meus antigos patrões. Recebi um telefonema desesperado da Carmen dizendo que havia acontecido uma tragédia. Assim que meus patrões ficaram sabendo liberaram minha volta para o Brasil. Quando cheguei aqui descobri que o Conrado tinha cometido esse ato imperdoável!
FAGUNDES – E como a Alice o matou?
MADALENA – À tesouradas!
FAGUNDES – Meu Deus!
MADALENA – Isso é o que eu estava guardando de você!
Madalena chora e Fagundes a abraça.
FAGUNDES – Não chore, meu amor. Não chora! Você não tem culpa de nada disso. O lado bom de você ter me contado isso é que pouco a pouco eu vou te fazer esquecer esse passado obscuro.
MADALENA – Você promete?
FAGUNDES – Prometo, meu amor. Eu prometo!
Fagundes beija a cabeça de Madalena.

AMANHECE

Cena 13/Fazenda A Fortaleza/Sala de Estar/Manhã
Victoria, Franco, Estevão, Bárbara, Fernando, Melissa e Afonso reunidos na sala. Todos preocupados.
VICTORIA – Eu disse que essa demora da Estrela tinha alguma!
FRANCO – O que será que aconteceu, hein?
BÁRBARA – Eu pensei que era só uma demora qualquer.
FERNANDO – Onde será que a Estrela está?
VICTORIA – Eu não sei, eu não sei.
AFONSO – E o Olavo?
VICTORIA – Ainda não deu notícias.
MELISSA – Será que aconteceu alguma coisa com a nossa neta?
AFONSO – Acontecer aconteceu, basta saber o quê!
ESTEVÃO – Que esteja tudo bem com a Estrela, meu Deus!
VICTORIA – Se estivesse tudo bem ela estaria aqui, com certeza.
FRANCO – Não seria melhor ligar para a polícia e notificar o sumiço dela?
MELISSA – Ótima idéia!
VICTORIA – E é isso o que farei.
Victoria pega seu celular, disca uns números e o leva ao ouvido.
VICTORIA – Alô? É da polícia?

Cena 14/Galpão/Interno/Manhã
Alice e Fábio observam Estrela, que dorme.
ALICE – Pega aquele balde de água gelada ali.
Fábio obedece à ordem e entrega o baldo para Alice.
ALICE – Vamos acordar, bela adormecida!
Alice joga o balde de água gelada em Estrela.
ESTRELA – Você não vai me deixar em paz mesmo, né?
ALICE – Claro que não. Tá pensando que isso aqui é o quê? Colônia de férias?
ESTRELA – Me solta, Alice. Me deixa ir embora!
ALICE – Jamais! Agora é que as coisas vão começar a ficar boas.
ESTRELA – O que você ta querendo dizer com isso?
ALICE – Já já você vai entender!
Alice sorri, pega seu celular, disca uns números e o leva ao ouvido.
ALICE – Estevão? Bom dia, amor!
Alice sorri.

Cena 15/Fazenda A Fortaleza/Sala de Estar/Manhã
MELISSA – Então quer dizer que a louca da Alice está com a minha neta?
VICTORIA – Eu vou matar aquela vadia!
AFONSO – A vida da Estrela está em sério perigo.
FRANCO – Essa mulher é capaz de tudo.
BÁRBARA – E essa louca disse onde ela está?
ESTEVÃO – Sim.
FERNANDO – E onde elas estão?
ESTEVÃO – Em um galpão abandonado.
AFONSO – Onde fica esse galpão?
ESTEVÃO – Eu não sei, nunca fui lá. Mas ela me deu o endereço!
VICTORIA – Se eu colocar as mãos nessa piranha eu vou fazer picadinho dela!
FRANCO – Calma, meu amor.
VICTORIA – Impossível manter a calma em um momento como esse, Franco. Impossível! A vida da minha filha está em risco.
MELISSA – E o que ela disse, Estevão?
ESTEVÃO – Alice quer que eu a encontre hoje à noite... Sozinho!
VICTORIA – É mais uma armadilha dessa mulherzinha.
BÁRBARA – E você não vai sozinho, né filho?
ESTEVÃO – Não, claro que não. Vou levar a polícia comigo!
FERNANDO – Mas e se a Alice fizer algo com a Estrela?
ESTEVÃO – O amor que a Alice sente por mim é tão grande que a impede de fazer qualquer coisa que me machuque.
VICTORIA – Eu quero ir também!
FRANCO – Em um momento desses não é bom reunir muita gente além da polícia, amor. Isso pode causar um estrago maior!
VICTORIA – Eu não vou deixar a Alice escapar dessa!
MELISSA – Eu também quero ir!
ESTEVÃO – Todos nós iremos!
VICTORIA – É hoje que eu acabo com a raça dessa rameira!

Cena 16/Mansão Montenegro/Sala de Jantar/Manhã
César e Odete descem as escadas e vão para a sala de jantar tomar o café da manhã.
ODETE – Ué, cadê a Bianca?
CÉSAR – Será que ela saiu?
ODETE – Sem nos avisar?
CÉSAR – Que estranho...
ODETE – Talvez ela tenha ido pra boutique!
CÉSAR – Não, isso não. Ontem foi o casamento do filho da dona da boutique com a Estrela Grimaldi e duvido muito que a loja tenha abrido.
ODETE – Mas então por que a Bianca sumiria assim?
CÉSAR – Isso eu também quero saber...
César fica intrigado.

Cena 17/Mansão Montenegro/Estufa/Manhã
Rebeca corta algumas flores com a tesoura de podagem.
REBECA – Cabeças vão rolar... Ah se vão!
Rebeca sorri.

ANOITECE

Cena 18/Galpão/Interno/Noite
Estrela ainda amarrada.
ESTRELA – O que você queria com o Estevão, hein?
ALICE – Queria ouvir aquela voz deliciosa dele.
ESTRELA – O Estevão vai acabar com a tua raça quando chegar aqui!
ALICE – Isso é o que nós veremos. Antes dele acabar comigo, eu acabo com você! E pra garantir que esse espetáculo vai terminar em tragédia... Fábio, vem cá.
Fábio se aproxima de Alice.
ALICE – Espalha gasolina por esse galpão todinho. Vai!
FÁBIO – O que você vai fazer, hein?
ALICE – Faz o que eu to mandando e esquece o que você sabe!
Fábio encara Alice e depois vai espalhar a gasolina pelo galpão.
ALICE – Vamos queimar, bebê!
Alice ri e encara Estrela, assustada.

Cena 19/Galpão/Externo/Noite
Vários carros chegam perto do galpão. Todos saem de seus respectivos carros.
DELEGADO – Então é aqui que está Estrela Grimaldi?
VICTORIA – Sim, seu delegado. Refém da piranha da Alice!
ESTEVÃO – Eu quero a minha esposa de volta, delegado.
DELEGADO – E você a terá!
VICTORIA – Eu vou destruir a raça dessa piranha!
FRANCO – Você vai ficar aqui, Victoria. Aqui!
BÁRBARA – A minha vontade de esganar aquela mulherzinha é enorme!
FERNANDO – Acredito que todos nós compartilhamos do mesmo sentimento agora.
DELEGADO – O Estevão vai entrar no galpão como o combinado.
ESTEVÃO – E depois vocês invadirão?
DELEGADO – Exatamente! A Estrela sairá sã e salva.

Cena 20/Fazenda A Fortaleza/Sala de Estar/Noite
Melissa está ajoelhada em frente à imagem de uma santa, com um terço nas mãos.
MELISSA – Meu Deus, a situação da minha filha não é das melhores. Estamos passando por uma situação difícil e eu sei que o senhor está do nosso lado. Então, por favor, ajude-nos para que tudo dê certo, minha neta se salve e a Alice pague por seus crimes na cadeia. Lá que é o lugar de gente da raça dela!

Cena 21/Galpão/Interno/Noite
FÁBIO – Ele chegou, Alice.
ALICE – Hora do show!
Alice sorri.
ALICE – Amordaça essa aí!
Fábio amordaça Estrela. Alice abre a enorme porta do galpão.
ALICE – Meu amor!
Alice corre para os braços de Estevão e o beija. Ele a segura pelos ombros e se afasta dela.
ALICE – Eu pensei que nunca mais tocaria os seus lábios novamente!
ESTEVÃO – Eu vim aqui pra buscar a minha esposa. E só saio dessa merda de galpão com a Estrela!
ALICE – Pra que toda essa agressividade, meu amor? A noite só está começando!
Alice aponta a arma para Estevão e sorri.
ESTEVÃO – Você seria capaz de atirar no seu grande amor?
ALICE – Você sabe muito bem que não.
ESTEVÃO – Então por que está apontando essa arma pra mim?
ALICE – Porque planos mudam e se você tentar alguma gracinha...
ESTEVÃO – Vai me matar?
ALICE – Esse não é o meu objetivo principal, mas se for necessário.
ESTEVÃO – Por que você está fazendo tudo isso, hein?
ALICE – Porque eu te amo e odeio a Estrela!
ESTEVÃO – Que mal ela te fez pra você odiá-la tanto?
ALICE – A Estrela tem tudo o que eu nunca tive e, apesar de tudo, nunca vou ter.
Estevão encara Alice e depois corre para perto de Estrela. Alice e Fábio o observam. Estevão tira a mordaça que estava na boca de Estrela.
ESTRELA – Você tem que sair daqui, meu amor.
ESTEVÃO – Eu só saio daqui com você!
ESTRELA – E no que depender da Alice, eu só saio daqui morta.
ESTEVÃO – Mas isso não vai acontecer.
ESTRELA – E como você afirma com tanta certeza?
ESTEVÃO – Porque a polícia tá lá fora.
Alice ouve a conversa.
ALICE – COMO É QUE É?
ESTEVÃO – Isso mesmo que você ouviu, Alice. A polícia está lá fora!
Alice encara Estevão, furiosa.

Cena 22/Galpão/Externo/Noite
VICTORIA – Vocês não acham que é o momento certo pra invadir? Eles estão lá dentro há muito tempo!
DELEGADO – Ela tem razão... Vamos!
O delegado faz sinal para os policiais.
FRANCO – Você não vai entrar lá, né Victoria?
VICTORIA – Eu não vou perder a oportunidade de dar uns bons tapas na cara da Alice!
FRANCO – Mas meu amor.
VICTORIA – Se quiser vir comigo, venha. Mas não tente me impedir porque você não vai conseguir!

Cena 23/Galpão/Interno/Noite
A polícia invade o galpão. Victoria, Franco, Bárbara e Fernando entram também. Alice aponta uma arma para Estevão. Estrela, já de pé, está sendo segurada por Fábio.
DELEGADO – Abaixa essa arma!
ALICE – Nem morta!
VICTORIA – Se eu fosse você obedeceria à ordem do delegado, sua piranha!
BÁRBARA – Abaixa essa arma, Alice!
FERNANDO – Vamos logo, garota!
ESTEVÃO – Ouça a voz da razão, Alice. Abaixa essa arma!
ALICE – Você me traiu e eu não vou deixar você ser feliz! Não vou!
ESTRELA – Você é louca, Alice!
ALICE – CALA A BOCA, GAROTA! CALA A BOCA!
FÁBIO – Estamos cercados, Alice!
DELEGADO – Se você se entregar pacificamente, as coisas podem melhor pro seu lado.
ALICE – E quem disse que eu quero que tudo melhore? Pretendo que tudo fique pior!
Alice ri descontroladamente, tira um isqueiro do bolso, acende e joga no chão. Rapidamente o fogo se alastra pelo galpão. Estrela pisa no pé de Fábio e, junto de Estevão, corre para o lado dos policias.
ALICE – DESGRAÇADA!
Alice aponta a arma para Estrela, que está de costas.
VICTORIA – ESTRELA!
Estrela ouve o grito de Victoria, vira-se para trás e vê Alice apontando uma arma para ela. Estevão, desesperado, entra na frente de Estrela. Alice dispara um tiro, que atinge Estevão.
FERNANDO – FILHO!
ALICE – Meu amor... Eu matei o meu amor! Eu matei!
ESTRELA – OLHA O QUE VOCÊ FEZ SUA LOUCA!
VICTORIA – EU VOU MATAR ESA VADIA!
BÁRBARA – E EU VOU TE AJUDAR!
Elas tentam ir para cima de Alice, mas são impedidas pelo fogo que se alastra mais ainda.
ALICE – Pega a Estrela!
FÁBIO – Mas é muito arriscado!
ALICE – Você já fez coisas piores! PEGA ELA!
Fábio encara Alice e depois corre para pegar Estrela. Alice atira no braço do delegado. Fábio chega perto de Estrela.
FRANCO – Tira a mão dela!
VICTORIA – NÃO ENCOSTA A MÃO NA MINHA FILHA, SEU CANALHA!
Fábio saca um canivete do bolso, puxa Estrela para seu lado e coloca em seu pescoço.
FÁBIO – Se algum tentar alguma gracinha, ela morre aqui mesmo!
VICTORIA – Não, por favor, isso não!
FRANCO – Cuidado, rapaz!
Fábio sai levando Estrela.
ALICE – Adeus, otários!
Alice atira para o alto e depois sai correndo.
VICTORIA – A MINHA FILHA, MEU DEUS!
Bárbara com Estevão em seus braços.
BÁRBARA – Reage, meu filho, por favor!
Bárbara e Fernando choram. Victoria e Franco de pé. Os policias socorrem o delegado. O fogo segue se alastrando pelo galpão.

Cena 24/Galpão/Fundos/Noite
Fábio carregando Estrela à força. Alice com a arma na mão.
ESTRELA – Olha o que você fez, sua louca! Você matou o homem que eu amava!
Estrela chora.
ALICE – Eu matei o nosso homem... O meu Estevão!
ESTRELA – Você é louca!
ALICE – POR SUA CULPA! POR SUA CULPA EU MATEI O MEU HOMEM! SE VOCÊ TIVESSE FACILITADO TUDO, ESSA HORA QUEM ESTARIA MORTA SERIA VOCÊ!
Estrela chora.
ALICE – ENGOLE O CHORO!
Alice dá uma coronhada em Estrela, que desmaia. Fábio abre as portas traseiras do carro e coloca Estrela lá. Depois entra no veículo com Alice.
FÁBIO – E agora, o que a gente faz?
ALICE – Toca pro Rio Grande do Sul, motorista.
Alice sorri e Fábio arranca com o carro. Ao fundo vemos o galpão em chamas.

FIM DE CAPÍTULO



Dia 23, de Lady Marizete: Rainha do Mar. A sua próxima web novela das 7.
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