quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Fixação - Capítulo 54


Cena 1/ Casa de Raimunda/ Quarto de Solano/ Interno/ Dia
LUCRÉCIO: Esses desgraçados mataram a Amanda e não duvido nada que encomendaram a morte da Raimunda também.
(Lucrécio põe as fantasias na sacola. Ele pega o celular e o leva ao ouvido)
LUCRÉCIO: Alô. Delegada Isadora?
...
LUCRÉCIO: Encontrei as fantasias. Foram eles, delegada. O Solano e a Luana mataram a Amanda.
...
LUCRÉCIO: Claro. Já recolhi as fantasias. Estou indo me encontrar com a senhora na delegacia agora mesmo.
(Lucrécio põe o telefone no bolso e sai, carregando a sacola em uma das mãos)

Cena 2/ Casa de Raimunda/ Externo/ Dia
(Lucrécio sai da casa de Raimunda, se aproxima do seu carro, entra no carro e parte. Logo atrás, aparece Solano, em cima de sua moto)
SOLANO: Será que aquele era o Lucrécio? O que ele estava fazendo na casa?

Cena 3/ Mansão Bertolin/ Quarto de Tiago/ Interno/ Dia
TIAGO: Você poderia me explicar o que essa lista de convidados faz nas suas coisas?
LUANA: Eu iria fazer uma surpresa para você, meu amor.
TIAGO: Surpresa?
LUANA: Isso. Eu sabia que você estava procurando essa lista, então eu resolvi procurá-la para te entregar, caso eu a encontrasse.  E eu encontrei.
TIAGO: Mas essa lista estava guardada nas coisas da mamãe. Luana, você, por acaso, invadiu o quarto da mamãe atrás dessa lista? Você sabia que essa lista estava nas coisas dela?
LUANA: Da sua mãe? Que estranho, pois eu encontrei essa lista no seu guarda roupa, misturada em outros papéis.
TIAGO: Impossível. Ontem, eu passei o dia inteiro revirando esse guarda roupa atrás dessa lista e eu não encontrei nada.
LUANA: Você não deve ter percebido a presença dela e, quanto a dona Marta, ela deve ter se confundido, achando que havia guardado a lista nas coisas dela.
TIAGO: Bom, de qualquer forma, essa lista vai ficar comigo.
LUANA: Claro que ficará com você, Tiago.

Cena 4/ Delegacia/ Interno/ Dia
(Lucrécio entra. Isadora, que estava sentada, levanta-se)
LUCRÉCIO (entregando a sacola das fantasias): Aqui estão as fantasias.
ISADORA: Ótimo. Bom trabalho, Lucrécio.
LUCRÉCIO: Foram eles, delegada Isadora. O Solano e a Luana mataram a Amanda. Tenho certeza que esses marginais também estão por trás da morte da Raimunda. Eu quero que eles paguem pelo que fizeram, delegada.
ISADORA: Eles irão pagar, Lucrécio. Eu garanto isso a você.
(O telefone de Isadora toca e ela atende)
ISADORA: Alô. Tiago?
...
ISADORA: Que maravilha. Eu e o Lucrécio já estamos indo à mansão. Até mais tarde.
(Isadora desliga a chamada e põe o celular no bolso)
LUCRÉCIO: O que o Tiago queria?
ISADORA: Ele encontrou a lista de convidados do casamento dele com a Amanda. Outra prova que pode ser usada para desmascarar e incriminar o Solano e a Luana.
LUCRÉCIO: Delegada Isadora, eu estive pensando em uma idéia. Eu quero fazer um esclarecimento público.
ISADORA: Esclarecimento público?
LUCRÉCIO: Isso. Eu pretendo contar para a cidade inteira como eu vi a Amanda ser morta. E eu quero que você aproveite essa oportunidade para mostrar as provas que incriminam o Solano e a Luana na frente de todos. Quero que a cidade inteira saiba de uma vez por todas quem matou a Amanda.
ISADORA: Calma Lucrécio. Para essas provas terem alguma validação, eu tenho que mandá-las para uma análise pericial antes. Por que não fazemos o seguinte? Amanhã você faz esse esclarecimento público em um tribunal e depois, quando as provas forem analisadas, nós marcamos um dia para desmascararmos a dupla de assassinos. O que você acha?
LUCRÉCIO: Tudo bem. Eu aceito.

Cena 5/ Mansão Bertolin/ Quarto de hóspedes/ Interno/ Dia
(Alguém bate na porta e Lara atende)
LARA: Celso? Entre.
CELSO: Já está pronta  para irmos ao hospital visitar o papai?
LARA: Claro. Só falta eu pôr esse colar. Você me ajuda?
(Lara entrega o colar para Celso e ele envolve o acessório no pescoço dela)
LARA: Obrigada.
CELSO: Sabe do que eu lembrei? De quando eu te presenteei com um colar que tinha uma pedra de opala no centro.
LARA: Eu me lembro disso. Foi o presente mais bonito que você me deu, sem desmerecer os outros. Bom, vamos ao hospital?
CELSO: Vamos sim. Lara.
LARA: O que foi?
CELSO: Obrigado pelo o que você está fazendo com o meu pai, apesar das mentiras que ele contou para te afastar da verdade.
LARA: Foi você mesmo que me disse que não devemos fugir da realidade. Ele é o meu pai também, não é? Então. Vamos.
(Celso e Lara saem)

Cena 6/ Pousada/ Quarto de Ludmila/ Interno/ Dia
LUDMILA: Lara maldita.
(INÍCIO DE FLASHBACK – Capítulo 52 e Cena 10 – Sorveteria/ Interno/ Noite)
LUDMILA: Lara? Não sabia que estava aqui.
LARA: Eu que deveria entoar essa afirmação. É surpreendente saber que depois de nove meses, você continua aqui. Pensei que você tinha voltado para os Estados Unidos.
LUDMILA: E voltar a viver aquela vidinha horrenda? Jamais. Estou alugando um quarto na pousada. E você? Também está hospedada na pousada?
LARA: Não. O Celso e o seu Caio fizeram questão de me acolher na mansão.
(FIM DE FLASHBACK)
LUDMILA: A Lara me paga por esse desaforo.

Cena 7/ Penitenciária/ Sala de visita/ Interno/ Dia
(Acompanhado de um guarda, Alexandre entra. Ele vê Maura sentada e senta-se frente a ela)
ALEXANDRE: Mãe.
(Alexandre abraça Maura)
MAURA: Filho. Como o seu abraço me faz bem.
ALEXANDRE: Desculpe a demora. Eu estava lavando as privadas.
MAURA: Lavando privadas? Não era para você ser submetido a esse tipo de trabalho.
ALEXANDRE: Eu sou inocente, mãe. Eu não deveria estar nesse inferno.
MAURA: Eu já disse que irei te ajudar a sair daqui. Eu tenho recursos para isso. Já me interei do caso com o juiz que está analisando o processo.
ALEXANDRE: Alguma outra reviravolta?
MAURA: Não sei te dizer. O juiz não me falou nada e a delegada responsável pela investigação ainda não me procurou.
ALEXANDRE: Mãe, a senhora precisa se infiltrar nessa investigação. Faz mais de meses que a delegada Isadora não veio me visitar. Creio que nada aconteceu nessa investigação que pudesse me beneficiar.
MAURA: Eu conheci a Luana ontem pela manhã durante o funeral da tia dela.
ALEXANDRE: Tia? A dona Raimunda morreu? Como?
MAURA: Parece que foi encontrada caída próximo a um penhasco.
ALEXANDRE: Algo que me diz que tem dedo da Luana nisso tudo. Ela é uma psicopata ardilosa.
MAURA: Só te peço mais um tempo, Alexandre. Mas eu te garanto que irei te tirar daqui. Nós iremos provar a sua inocência e colocar essa Luana na cadeia.
(Maura pega nas mãos de Alexandre)
MAURA: Confia em mim.

Cena 8/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Interno/ Dia
(Tiago, com a lista de convidados em uma das mãos, está sentado em uma das poltronas. Isadora e Lucrécio entram)
TIAGO: Lucrécio. Delegada Isadora. Que bom que vocês chegaram.
LUCRÉCIO: Não batemos na porta, pois o porteiro avisou que você já estava nos esperando.
TIAGO: Sim. Delegada Isadora, aqui está a lista de convidados do meu casamento com a Amanda. Cada convidado com sua fantasia, como você pediu.
(Luana aparece no alto da escada. Tiago entrega a lista para delegada Isadora)
ISADORA: Você fez um trabalho maravilhoso em encontrar essa lista, Tiago. Ela nos será muito útil.
TIAGO: Lucrécio, eu já sei que você mentiu para mim quando veio depor informalmente no escritório. A delegada Isadora me contou. As fantasias que você reconheceu estão aqui, descritas nessa lista?
ISADORA: Tiago, eu entendo a sua angustia em querer saber tudo de uma vez, mas eu acho mais seguro que o Lucrécio reconheça as fantasias e associe-as com os convidados na delegacia.
TIAGO: Claro. Eu entendo. Questões de segurança.
LUCRÉCIO: Tiago, eu e a delegada Isadora também viemos te avisar sobre algo que acontecerá amanhã no tribunal da cidade. Eu irei fazer um esclarecimento público, ou seja, eu vou contar para cidade inteira como eu vi a Amanda ser assassinada.
ISADORA: Antes de passarmos aqui, fomos à radio da cidade pedir que ela divulgasse o esclarecimento público.
(No alto da escada, está Luana, que ouviu tudo. Ela saca o celular e leva-o ao ouvido)
LUANA (com o telefone ao ouvido): Solano? Nós precisamos nos encontrar no galpão agora.

Cena 9/ Praça/ Interno/ Dia
(Luiza e Felipe estão sentados lado a lado em um dos bancos da praça. Marquinhos está dentro do carrinho, ao lado de Luiza)
LUIZA: Foi horrível vê-lo aqui, nessa praça, depois de tantos meses.
FELIPE: Luiza, o Vitor não vai mais se intrometer nas nossas vidas. Ele já tomou a decisão dele meses atrás, quando resolveu ir para Oxford.
LUIZA: Você precisava ouvir o que ele disse para mim, Felipe. Ele ficou tão orgulhoso quando viu o Marquinhos. Quis pegar o nosso filho no colo. Eu tenho medo que ele reivindique a guarda do nosso bebê.
FELIPE: Ele não pode fazer isso, Luiza. Legalmente, eu sou o pai do Marquinhos. Sob a vista da justiça, o Vitor não tem direito nenhum sobre o nosso filho.
LUIZA: Mesmo assim, eu tenho medo.
(Felipe abraça Luiza)
FELIPE: Não precisa ficar com medo, meu amor. Eu não vou deixar o maluco do Vitor desestruturar nossa família. Eu juro.
(O telefone de Luiza toca e ela atende)
LUIZA: Alô. Vitor? O que você quer?
...
LUIZA: Marcar um encontro comigo?
FELIPE (baixinho): Aceita.
LUIZA: Onde? Certo. Eu aceito me encontrar com você.
...
LUIZA: Eu irei sozinha. Eu juro.
(Luiza desliga o celular e o coloca de volta no bolso)
LUIZA: Por que você pediu para eu aceitar esse encontro?
FELIPE: Daqui a pouco, você irá entender.

Cena 10/ Galpão/ Interno/ Dia
SOLANO: Esclarecimento público?
LUANA: Isso mesmo. Ele vai contar para a cidade inteira como a Amanda foi assassinada. Isso pode nos arruinar.
SOLANO: Luana, nós não podemos mais ficar nessa cidade. Temos que fugir daqui.
LUANA: Sem levar nenhum tostão? Com os bolsos vazios? Nem pensar.
SOLANO: Luana, se a gente não sair daqui, seremos presos. Você não disse que a delegada estava reunindo provas que pudesse nos incriminar?
LUANA: Ela conseguiu a lista de convidados do casamento do Tiago com a Amanda. Ah, e o Lucrécio mentiu para o Tiago naquele depoimento informal que ele deu na mansão. Ele conseguiu reconhecer as fantasias que os assassinos estavam usando.
SOLANO: Será o nosso fim.
LUANA: Eu tenho certeza que a delegada maldita vai aproveitar esse esclarecimento para mostrar essas provas que ela tem contra a gente.
SOLANO: Nós seremos desmascarados e, depois, presos. A gente não deve ficar mais nessa cidade. Vamos embora, Luana.
LUANA: Eu já disse que não saio de bolso vazio. Nós precisamos impedir que esse esclarecimento público aconteça.
SOLANO: Você está louca, Luana? Você acha que vai conseguir impedir isso?
LUANA: Se o Lucrécio não aparecer no tribunal amanhã, tenho certeza que não haverá esclarecimento e que a delegada Isadora não irá apresentar as provas que tem contra nós para a cidade.
SOLANO: Mas vai apresentar ao juiz, o que é bem pior.
LUANA: A gente cuida do juiz depois. Agora, temos que impedir que o Lucrécio chegue ao tribunal amanhã. Eu já sei o que fazer. Está mais do que na hora do Lucrécio encontrar tia Raimunda no paraíso.
(Luana dá um sorriso maléfico)

Cena 11/ Paisagens de Dourados/ Noite
(Toca Promises – The Cramberries)

Cena 12/ Sorveteria/ Interno/ Noite
(Vitor está sentado em uma das mesas. Felipe entra, vê Vitor, aproxima-se dele e senta-se frente a frente com ele)
VITOR: Felipe? Dá para você se retirar da mesa? Eu estou esperando uma pessoa.
FELIPE: Por acaso, essa pessoa que você está esperando é a Luiza?
VITOR: Claro que é. Ficou com ciúmes?
FELIPE: Eu sinto muito te decepcionar, Vitor, mas a Luiza não vem para esse encontro. Então, eu resolvi vim no lugar dela. Você não se importa, né?

Cena 13/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Interno/ Noite
(Luiza e Francisca descem a escada)
LUIZA: Quem mesmo veio me visitar, Francisca?
FRANCISCA: Essa mulher aí.
(Francisca aponta e Luiza vira-se)
LUIZA: Cíntia?
FRANCISCA: Com licença.
(Francisca sai)
LUIZA: O que você veio fazer aqui, Cíntia?
CÍNTIA: Vim conversar.
LUIZA: Nós não temos nada para conversar.
CÍNTIA: Temos sim e o Vitor é a pauta da conversa.
LUIZA: Eu não quero mais saber do Vitor. Sinceramente, eu queria que vocês tivessem dado certo na Inglaterra e ficassem por lá mesmo, bem longe da minha vida.
CÍNTIA: Sinto muito em desapontá-la. Podemos conversar?

Cena 14/ Hospital/ Quarto de Caio/ Interno/ Noite
CAIO: Fico feliz por vocês terem passado o dia comigo.
CELSO: A gente faz isso com o maior prazer, não é, Lara?
LARA: Claro.
(O médico entra)
MÉDICO: Com licença. O senhor me chamou, seu Caio?
CAIO: Sim. Doutor, eu quero contar ao senhor uma decisão que eu tomei sobre esse tumor que vive dentro de mim.
MÉDICO: Decisão?
CAIO: Eu conversei bastante com esses meus dois filhos e decidi que quero fazer a cirurgia para retirar esse tumor.
MÉDICO: O senhor tem certeza?
CAIO: Absoluta. Agora que eu tive a certeza de que a Lara não vai me abandonar quando eu ficar bom, eu quero fazer essa operação. E então? Para que data nós marcamos essa cirurgia?

Cena 15/ Casa de Raimunda/ Sala/ Interno/ Noite
(Alguém bate na porta e Solano atende)
SOLANO: Vera? Como você está linda.
VERA: Obrigada. Não vai me convidar para entrar?
SOLANO: Desculpe. Entre, por favor.
(Vera entra e Solano e fecha a porta)

Cena 16/ Rua/ Noite
(Luana, que está dentro de um carro, vê Lucrécio caminhando pela calçada. Ela para o carro ao lado de Lucrécio e abaixa o vidro)
LUANA: Lucrécio.
(Lucrécio pára, olha para Luana e se aproxima do carro)
LUCRÉCIO: O que você quer, Luana?
LUANA: Quanta grosseria. Só quero saber aonde você vai.
LUCRÉCIO: Estou indo para a mansão do seu marido. Espera aí, desde quando você tem um carro?
LUANA: É o carro do Tiago. Ele me emprestou para ir ao supermercado. Inclusive, eu já estou voltando para mansão. Entra aqui. Eu te dou uma carona.
LUCRÉCIO: Não precisa. Eu vou andando. A mansão fica na outra rua mesmo.
LUANA: Vai fazer uma desfeita comigo, Lucrécio? Até parece que está com medo de mim.
LUCRECIO: Eu não estou com medo de você, Luana.
LUANA: Então, para de besteira e entra aqui. Vem, Lucrécio. Eu te dou uma carona. Juro que não mordo.
LUCRÉCIO: Não é necessário, Luana.
LUANA: Eu faço questão. Entra.
LUCRÉCIO: Tudo bem.
(Lucrécio entra no carro. Luana trava as portas do veículo)
LUCRÉCIO: Por que você travou as portas? Destrava essas portas agora, Luana.
LUANA: Calma, Lucrécio.
(Luana começa a dirigir o carro e dobra em rua)
LUCRÉCIO: Destrava essas portas, Luana. Não vejo motivos para essas portas estarem travadas.
LUANA: Como você está nervoso, Lucrécio.
LUCRÉCIO: Espera aí. Essa rua não dá acesso à mansão. O que está acontecendo, Luana?
LUANA: Antes de irmos à mansão, nós iremos dar um passeio. Um passeio inesquecível.
(Congela em Luana, dando um sorriso sarcástico. Toca Baiya – Delphic)

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