Cena 1/ Rua/ Dia
LUANA: Que horror. Alguém retira a cabeça do Lucrécio de cima daquele poste.
(Andrade se aproxima)
ANDRADE: O que está acontecendo?
ISADORA: O Lucrécio foi assassinado e alguém pendurou a cabeça dele em cima daquele poste.
ANDRADE: Que barbárie. Isso nunca aconteceu antes em Dourados.
CÍNTIA: Essa cidade não é mais segura. Agora virou rotina um assassinato acontecer atrás do outro.
FELIPE: É verdade. A polícia deve tomar providências para aumentar a segurança da cidade.
ANDRADE: Acalmem-se. Eu irei chamar uma equipe para retirar a cabeça do Lucrécio do alto desse poste. Também irei criar novos sistemas de segurança para manter a cidade a salvo.
LUANA: É o mínimo que você deve fazer.
ANDRADE: Agora, cada um para suas casas. Dispersem-se. Dispersem-se.
(Todos começam a se dispersar e a sair do local. No final, ficam apenas Isadora e Lucrécio)
ISADORA: Tudo indica que o Lucrécio foi esquartejado. Você, delegado Andrade, deve sair à procura das outras partes do corpo dele. Muito estranho o Lucrécio morrer nessas circunstâncias.
ANDRADE: Ainda mais, que dois dias atrás, a noiva dele foi morta. Será que existe algum vínculo entre esses dois assassinatos?
ISADORA: Com certeza. E vou mais longe. Não duvido nada que tanto o assassinato do Lucrécio quanto a morte da dona Raimunda tem algum tipo de ligação com o assassinato da Amanda.
ANDRADE: Você acha?
ISADORA: Eu tenho certeza.
Cena 2/ Floricultura/ Interno/ Dia
(Celso entrega um buquê de flores para Lara)
CELSO: Gostou desse buquê de flores?
LARA: É perfeito. Tenho certeza que o seu Caio vai gostar de ver esse arranjo no quarto dele quando ele sair do centro cirúrgico.
CELSO: Eu queria tanto te dar um buquê de flores.
LARA: Mas você pode dar, mas sem segundas intenções.
CELSO: Impossível.
LARA: Celso, você precisa se acostumar com a idéia de sermos irmãos.
CELSO: Eu não consigo, Lara. Depois de tantos momentos lindos que passamos juntos, não entra na minha cabeça o fato de sermos irmãos. Não vá me dizer que você já se acostumou com a idéia?
LARA: Também não, mas eu tento me controlar.
CELSO: Lara, eu te amo.
LARA: Por favor, Celso, nunca mais repita isso. Quanto mais ficarmos alimentando esse amor impossível, mas difícil fica para nos desprendermos dele. Já pagou a floricultora?
CELSO: Sim.
LARA: Então, vamos voltar para o hospital.
Cena 3/ Penitenciária/ Sala de visitas/ Interno/ Dia
ALEXANDRE: O Lucrécio foi assassinado?
MAURA: E o assassino foi tão audacioso que pendurou a cabeça dele em cima de um poste.
ALEXANDRE: Que triste. O Lucrécio era um homem tão bom. Não merecia ter um fim tão trágico como esse. Bom, mas, mudando um pouco de assunto, eu tenho uma notícia muito boa para dar para a senhora.
MAURA: Que notícia?
ALEXANDRE: A delegada Isadora, que está investigando a morte da Amanda, veio me visitar hoje mais cedo. Ela arranjou provas que incriminam os verdadeiros responsáveis pela morte da Amanda, ou seja, ela conseguiu provar minha inocência. Em breve, eu sairei dessa penitenciária.
MAURA: Que notícia maravilhosa, meu filho.
(Maura e Alexandre se abraçam)
Cena 4/ Mansão Bertolin/ Quarto de Luiza/ Interno/ Dia
(Luiza põe Marquinhos no berço. Marta entra)
MARTA: Luiza, a gente precisa conversar.
LUIZA: O que houve, mãe? Não era para a senhora estar no hospital acompanhando a cirurgia do papai?
MARTA: Eu estava a caminho do hospital, quando eu me deparei com o moleque do Vitor na sala de estar.
LUIZA: O Vitor veio aqui? O que ele queria?
MARTA: Falar com você, mas obviamente que eu não deixei. Você sabe que eu não suporto aquele moleque. Bom, o Vitor acabou me revelando que ele é o pai legitimo do Marquinhos, que você mentiu ao dizer que o Felipe era o pai verdadeiro do meu neto. Isso é verdade, Luiza?
LUIZA: Claro que não, mãe. A senhora sabe que o Vitor adora inventar...
MARTA: Não minta para mim, Luiza. O Vitor estava falando verdade?
LUIZA: Estava, mãe. O Vitor não mentiu.
MARTA: Como você teve coragem de mentir para a sua família?
LUIZA: Porque eu sabia que a senhora não iria aprovar a idéia do Felipe ser pai do meu filho.
MARTA: Claro que eu não iria aprovar. Você sabe que eu só suporto o Felipe debaixo do meu teto porque eu penso que ele é pai do Marquinhos. Pensava, não é mesmo? Agora que eu já sei da verdade, eu não quero mais aquele faveladinho nessa mansão. Eu vou expulsar o Felipe dessa casa.
LUIZA: A senhora não vai fazer nada disso. Mãe, o que a verdade importa agora? Eu amo o Felipe e ele ama o Marquinhos como se fosse filho dele.
MARTA: Chega. Eu não quero aquele pobretão na minha casa. Ele vai embora daqui.
LUIZA: Se a senhora tirar o Felipe dessa casa, eu também vou embora e levo o Marquinhos junto comigo. Estamos entendidas?
Cena 5/ Mansão Amorim/ Quarto de Vera/ Interno/ Dia
(Vera está na frente do espelho, com os seios de fora, apalpando-os. Mirna entra)
MIRNA: Dona Vera, é verdade o que estão falando sobre o Lucré... Eu deveria ter batido na porta. Não vi que a senhora estava nua.
VERA: Não tem problema, Mirna. Quanto ao Lucrécio, é verdade o que estão dizendo. Ele foi assassinado e penduraram a cabeça dele num poste.
MIRNA: Que horrível. É, dona Vera... Nossa estou até com vergonha de perguntar.
VERA: Pode perguntar, Mirna. Fique a vontade.
MIRNA: Por que a senhora está apalpando os seios?
VERA: Estou fazendo um autoexame, Vera.
MIRNA: Autoexame?
VERA: Sim. Para verificar se há algum nódulo, uma espécie de caroço, em um dos meus seios. Isso é importante para a rápida detecção de algum eventual problema, como um câncer, por exemplo.
MIRNA: E a senhora encontrou algum nódulo?
VERA: Não. Ainda bem, não é mesmo? Você deveria fazer esse processo mais tarde. Ele é bastante importante.
Cena 6/ Mansão Amorim/ Quarto de Vitor/ Interno/ Dia
CÍNTIA: Você precisava ter visto a cabeça dele no alto daquele poste. Foi horrível, Vitor.
VITOR: Dá para calar a boca, Cíntia? Eu tenho coisas mais sérias para se preocupar do que com a morte de um medíocre qualquer.
CÍNTIA: Como você pode ser tão insensível?
VITOR: Eu só estou pensando nos meus problemas.
CÍNTIA: Do que você está falando?
VITOR: Do meu filho.
CÍNTIA: Que filho, Vitor? Como você é idiota. Há meses atrás você fugiu da responsabilidade de ser pai e agora quer bancar o pai.
VITOR: Eu só quero recuperar o tempo perdido.
CÍNTIA: Não se preocupe com o filho que você renegou. O Felipe já está cuidando dele. E da Luiza também.
VITOR: O Marquinhos será meu, Cíntia. Ele é meu filho e tem que ser cuidado pelo pai biológico, e não por um projeto de pai, como é o Felipe. Eu vou lutar pelo meu filho. Já disse.
Cena 7/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Interno/ Dia
(Marta desce a escada e vê Luana e Tiago chegando)
TIAGO: Mãe, a senhora ainda está aqui? Não era para você já estar no hospital?
MARTA: Eu me atrasei. O moleque insuportável do Vitor apareceu aqui. Você acredita que ele é o pai biológico do Marquinhos?
TIAGO: Como é?
MARTA: Isso mesmo. O Felipe assumiu a paternidade do meu neto no lugar do Vitor, porque ele fugiu da responsabilidade de ser pai quando a Luiza anunciou a gravidez para ele.
TIAGO: Pelo menos, o Felipe estava ao lado da minha irmã e a ajudou nesse momento tão difícil.
MARTA: Será que eu criei três filhos ingênuos? Você não vê que o Felipe só assumiu a paternidade do Marquinhos porque ele é um faveladinho interesseiro, que está de olho no nosso dinheiro? Já basta a sanguessuga da Luana nas nossas vidas, filho.
LUANA: Incrível como a senhora adora colocar o meu nome em assuntos em que eu não tenho nada a ver.
MARTA: Como foi o esclarecimento público do Lucrécio?
TIAGO: Não aconteceu. O Lucrécio foi assassinado.
MARTA: Como assim?
LUANA: Pois é, dona Marta. Daqui a pouco, Dourados vai virar um verdadeiro campo de guerra. Tem gente morrendo em tudo quanto é canto dessa cidade.
MARTA: Incrível como essa série de assassinatos começou a acontecer a partir do momento em que você resolveu pousar na cidade, Luana.
LUANA: Pois eu garanto à senhora que eu não tenho nada a ver com eles. (Luana sobe a escada)
TIAGO: Precisava dizer isso para ela?
MARTA: Bom, estou indo ao hospital ver seu pai. A essa hora, a cirurgia já deve ter terminado.
(Marta sai e Tiago sobe a escada)
Cena 8/ Casa de Lucrécio/ Sala/ Interno/ Dia
(Toca a campainha e uma empregada atende)
EMPREGADA: A senhora de novo?
ISADORA: Eu queria algumas informações sobre o Lucrécio.
EMPREGADA: Ele ainda não chegou.
ISADORA: Nem vai chegar. Parece que você ainda não sabe, mas o Lucrécio foi assassinado.
EMPREGADA: Como isso foi acontecer?
ISADORA: Eu ainda não sei explicar direito, mas estou investigando para obter respostas. Quando foi a ultima vez que você viu o Lucrécio?
EMPREGADA: Ontem à noite. Ele saiu, dizendo que iria fazer uma visita para a família Bertolin lá na mansão deles. Depois disso, não vi mais.
ISADORA: Só isso que você tem a dizer?
EMPREGADA: Só.
ISADORA: Obrigada. Com licença.
(Isadora sai)
Cena 9/ Hospital/ Sala de espera/ Interno/ Dia
(Marta entra. O médico se aproxima dela)
MÉDICO: Até que enfim alguém ligado ao seu Caio Bertolin.
MARTA: Como foi a cirurgia, doutor?
MÉDICO: Ocorreu um problema.
MARTA: Que problema?
MÉDICO: O seu Caio perdeu muito sangue durante a sutura, uma quantidade tão excessiva que precisa ser reposta.
MARTA: E não há nada que possamos fazer?
MÉDICO: Uma transfusão de sangue. É necessário que todas as pessoas ligadas ao parentesco com o seu Caio deve fazer a transfusão, por questão de tempo e para aumentar o banco de sangue do hospital também. Isso deve ser feito o mais rápido possível.
Cena 10/ Paisagens de Dourados/ Noite
(Toca Silhouettes – Avicii)
Cena 11/ Casa de Raimunda/ Sala/ interno/ Noite
SOLANO: Será que a morte do Solano não gerou tanta desconfiança?
LUANA: Claro que gerou, Solano. Mas pela primeira vez, ninguém me acusou de ter acabado com a vida dele. Ainda. Bom, de qualquer forma, obrigada por ter me ajudado a pendurar a cabeça do Lucrécio em cima daquele poste. Tenho certeza que a cidade inteira ficou aterrorizada. Quem sabe assim, esse povo não entra no eixo. Bom, mas tem outros problemas que precisamos nos preocupar.
SOLANO: Não agüento mais ficar me preocupando com várias coisas ao mesmo tempo. Quais são os problemas dessa vez?
LUANA: As provas que a delegada Isadora conseguiu arrumar contra a gente. Nós precisamos recuperá-las.
SOLANO: E como iremos fazer isso?
LUANA: Eu ainda não sei. Nesse momento, elas devem ainda estar nas mãos da perícia. Mas quando elas voltarem para as mãos da Isadora, eu saberei e aí assim, nós agimos.
Cena 12/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Interno/ Noite
TIAGO: O Lucrécio estava vindo para cá ontem à noite?
ISADORA: Foi o que a empregada dele disse. Eu só quero saber se ele chegou a aparecer aqui.
TIAGO: Eu não sei, afinal, nesse horário, eu estava na delegacia conversando com você.
ISADORA: É verdade. Mas será que alguém que trabalha aqui não saberia responder essa minha pergunta?
TIAGO: Tem a Francisca. Irei chamá-la.
(Tiago sai. Isadora, sozinha, lembra do beijo que Tiago deu nela na delegacia. Tiago volta para a sala, acompanhado de Francisca)
ISADORA: Boa noite, Francisca. O Lucrécio apareceu aqui ontem à noite?
FRANCISCA: O doutor Lucrécio? Não senhora. Ele não apareceu aqui.
ISADORA: Obrigada.
FRANCISCA: Com licença.
(Francisca sai)
ISADORA: O Lucrécio desapareceu no caminho. Disso já tenho certeza.
TIAGO: Será que ele foi assaltado?
ISADORA: Não sei, mas eu vou descobrir o que houve com o Lucrécio.
TIAGO: Eu admiro o teu profissionalismo. Eu admiro você por inteiro, delegada Isadora.
ISADORA: Tiago, nós não podemos fazer isso.
TIAGO: Eu te amo demais para controlar os meus sentimentos.
(Tiago beija Isadora. Luana entra e vê a cena)
LUANA: Será que alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?
(Tiago e Isadora olham para Luana, que encara o casal)
(Congela em Luana. Toca Young and Beautiful – Lana Del Rey)

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