Cena 1/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Interno/ Noite
LUANA: Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?
TIAGO: Acalme-se, Luana.
LUANA: Calma? Eu acabo de flagrar o meu marido aos beijos com outra mulher e você ainda me pede calma, Tiago? Desde quando você vem me traindo? Desde o dia em que você pisou aqui, delegada Isadora?
ISADORA: Claro que não, Luana.
TIAGO: Luana, isso aconteceu com a convivência.
LUANA: Convivência uma pinóia. Não há justificativas para explicar uma traição. Eu sempre pensei que você era um homem fiel e leal, mas vejo que não. Eu me enganei completamente ao seu respeito. Como você pôde fazer isso comigo, Tiago?
TIAGO: Luana, você se casou comigo sabendo que eu não te amava.
LUANA: Cadê o respeito? Só porque você nunca me amou, significa que você pode sair por aí me traindo, me desrespeitando? Independentemente de qualquer coisa, você continua sendo meu marido e me deve respeito.
TIAGO: Você tem razão, mas eu tenho que ser leal aos meus sentimentos também. Eu estou apaixonado pela delegada Isadora e estou disposto a tentar um relacionamento com ela.
LUANA: O quê?
ISADORA: Bom, eu vou deixar vocês conversarem a sós. Com licença.
LUANA: Foge, sua covarde. Foge.
(Isadora sai)
LUANA: Já não basta aquela delegada se intrometer nas nossas vidas querendo investigar a morte da Amanda, ela tinha que roubar o meu marido?
TIAGO: Ela não está roubando nada de ninguém, Luana. Você tem que entender que nós nunca tivemos um casamento de verdade. Eu estou gostando da delegada Isadora e ela gosta de mim também.
LUANA: Mas eu não sou obrigada a aceitar isso.
TIAGO: Você vai aceitar, sim, por que eu quero amar novamente. Desde que a Amanda morreu, eu me vi fechado ao amor. Eu me interesso pela delegada Isadora e eu acho que estou nutrindo algo verdadeiro por ela, algo que eu só sentia pela Amanda.
LUANA: Você está confundindo as coisas, Tiago. Você se sente agradecido à delegada Isadora por ela estar investigando o assassinato da Amanda. Isso não é amor.
TIAGO: Amor é o que eu não sinto por você, Luana.
LUANA: Pois eu nunca vou aceitar os seus sentimentos por ela. Nunca. A vítima dessa história sou eu, Tiago. SOU EU.
(Luana sobe a escada)
Cena 2/ Hospital/ Sala de espera/ Interno/ Noite
(Marta está sentada em um dos bancos. Celso, com um buquê de flores na mão, e Lara entram. Marta levanta-se)
MARTA: Celso, ainda bem que você chegou. Infelizmente, acompanhado dessa bastarda.
LARA: Dona Marta, será que a senhora é capaz de passar um dia inteiro sem ofender alguém?
MARTA: Não é qualquer uma que merece o meu respeito, Lara.
LARA: Respeito não é questão de merecer. É questão de dever.
MARTA: Obrigada por sua filosofia do dia, mas dispenso.
CELSO: Será que a senhora dá para parar a sua língua ferina, mamãe?
MARTA: Bom. Celso, eu preciso que você reúna o resto dos seus irmãos.
CELSO: Aconteceu alguma coisa?
MARTA: Houve uma complicação na cirurgia do seu pai. Ele perdeu muito sangue durante a sutura e tudo terá que ser resposto. Por questão de tempo, o médico pediu para que todos que tenham uma ligação parental com o Caio façam um exame de sangue, por precaução, para que uma transfusão de sangue seja realizada.
CELSO: No caso, a senhora quer que eu organize essa reunião para contar essa informação a todos?
MARTA: Sim.
CELSO: Pode ficar tranqüila, mãe.
MARTA: Até eu, que não tenho nenhum vínculo parental com seu pai, irei fazer um exame de sangue para ver se há compatibilidade.
CELSO: Faz bem.
Cena 3/ Mansão Bertolin/ Quarto de Luiza/ Interno/ Noite
FELIPE: Mas como a sua mãe descobriu que eu não sou o pai legítimo do Marquinhos?
LUIZA: O Vitor veio aqui e ele contou. Ela teve um ataque quando soube.
FELIPE: Imagino como ela tenha ficado.
LUIZA: Ela disse que irá te tirar da mansão, mas eu não vou deixar, Felipe. Eu disse que, se você sair daqui, eu e o Marquinhos saímos também.
FELIPE: Sua mãe é a dona dessa mansão, Luiza. Ela escolhe quem fica nessa casa e quem sai. Sem falar que é do conhecimento de todos que a sua mãe só me atura aqui porque ela achava que eu era o pai biológico do Marquinhos. Agora que ela sabe da verdade, normal que ela queira me expulsar.
LUIZA: Mas eu já disse que isso não vai acontecer porque eu não vou deixar.
FELIPE: A verdade, Luiza, é que nós temos que procurar o nosso próprio canto, encontrar nossa própria casa, sem a interferência de ninguém nas nossas vidas.
LUIZA: Mas você sabe que nós não temos dinheiro para comprar uma casa para a gente. Você gastou todas suas economias na construção do escritório de advocacia e, eu não quero pedir dinheiro para a mamãe, depois dessa confusão.
FELIPE: Eu já estou no tempo de procurar estágio remunerado. Vou encontrar um e arranjar dinheiro para comprar uma casa para a nossa família. Eu juro.
Cena 4/ Hospital/ Recepção/ Interno/ Noite
(Celso e Lara, que vêm da sala de espera, entram na recepção. Eles se deparam com Ludmila, encostada no balcão da recepcionista)
LUDMILA: Celso. Lara. Que bom que nos encontramos.
CELSO: Tudo bem, Ludmila?
LUDMILA: Eu vim aqui para visitar seu pai, mas a recepcionista disse que ele não está no quarto. Houve alguma piora no estado de saúde dele?
LARA: Por que você quer tanto saber do seu Caio, Ludmila?
LUDMILA: Seu Caio? Por que você não o chama de pai, Lara?
LARA: Como você é intrometida.
LUDMILA: Por que você é tão grosseira comigo? Ainda não superou o recalque?
LARA: Recalque de quem? De você?
(Lara dá uma gargalhada)
LARA: Eu não consigo ver verdade e boas intenções em você, Ludmila. Deve ser por isso que eu não consigo ser gentil com você.
CELSO: Voltando ao que interessa. Ludmila, o meu pai acabou de passar por uma cirurgia sem sucesso.
LUDMILA: Os médicos não conseguiram retirar o tumor?
CELSO: Conseguiram. O problema foi na sutura, que não fizeram de maneira correta e meu pai acabou perdendo muito sangue. Será preciso a realização de uma transfusão sanguínea para repor o sangue que ele perdeu.
LUDMILA: Nossa. Melhoras para ele.
LARA: Vamos Celso? Você precisa falar com o Tiago e com a Luiza.
CELSO: Vamos.
(Celso e Lara saem. Ludmila dá um sorriso)
Cena 5/ Mansão Amorim/ Sala de estar/ Interno/ Noite
(Vitor está sentado em um dos sofás, com o telefone ao ouvido)
VITOR: O senhor pode resolver isso hoje a noite?
...
VITOR: Ótimo. Obrigado
(Vitor põe o celular no bolso. Ele vê Vera, completamente arrumada, descer a escada)
VITOR (levantando-se): Vai sair?
VERA: Sim. Irei jantar com o meu namorado.
VITOR: Namorado?
VERA: O Solano. Eu e ele estamos namorando.
VITOR: A senhora só pode estar brincando com a minha cara, mãe.
VERA: Por que eu estaria brincando?
VITOR: Porque eu não admito que minha mãe namore um rapaz da minha idade, que poderia ser filho dela. A cidade vai rir da sua cara.
VERA: Que ria. Você acha que eu me importo?
VITOR: Deveria se importar e se dar ao respeito também.
VERA: Incrível como um garoto estudado em Oxford como você pode ter uma mente tão atrasada e preconceituosa.
(Vitor segura no braço de Vera)
VITOR: A senhora não vai sair dessa casa para lugar nenhum.
VERA: Eu sei muito bem cuidar da minha vida.
(Vera se solta de Vitor)
VERA: E na próxima vez que você apertar o meu braço, eu te dou uma surra, moleque.
(Vera sai)
Cena 6/ Mansão Bertolin/ Quarto de Tiago/ Interno/ Noite
(Luana entra. Logo depois, entra Tiago)
LUANA: Você não poderia ter feito isso. Eu nunca te dei motivos para me trair, Tiago.
TIAGO: Aconteceu, Luana.
LUANA: Como aconteceu? Tiago, eu já disse que não há justificativas para explicar uma traição.
TIAGO: Luana, eu sempre fui sincero com você durante esse casamento. Sempre deixei bem claro que eu nunca te amei. Eu só casei com você por causa daquela gravidez, que você perdeu quando caiu da escada.
LUANA: Você poderia ter me poupado desse sofrimento, Tiago. Você poderia ter cancelado o nosso casamento quando descobriu que eu havia perdido o bebê.
TIAGO: Eu já tinha criado expectativas em você sobre esse casamento, Luana. Eu prometi a você que ele se realizaria. Não poderia descumprir uma promessa. Se eu fizesse isso, eu estava indo contra os meus princípios. Mas nunca menti sobre os meus sentimentos. Sempre deixei claro que eu não te amava. Deixei tão claro que não dormi com você na nossa noite de núpcias.
LUANA: Nem transamos desde o dia em que casamos.
TIAGO: Isso mesmo.
LUANA: Tiago, eu pensava que o tempo poderia fazer com que você se apaixonasse por mim. Ele fez isso comigo. Quando nos conhecemos, eu só tinha um carinho por você, mas com o passar dos dias, eu comecei a sentir uma admiração que se transformou em amor.
TIAGO: Mas isso não aconteceu, Luana. Na verdade, o tempo me fez se apaixonar, sim, mas pela delegada Isadora e não por você. A única mulher por quem eu amei verdadeiramente foi a Amanda, e quando ela morreu, os meus sentimentos também se foram. Mas quando a delegada Isadora apareceu na minha vida, os meus sentimentos renasceram. Eu sinto que sou capaz de amar novamente e quem me mostrou isso foi a delegada Isadora.
LUANA: Tiago, você tem que amar a mim, não aquela delegada de araque.
TIAGO: Não se refira à Isadora dessa maneira.
LUANA: Nossa, então a coisa é mais séria do que eu imaginava. Você já está defendendo-a.
TIAGO: Eu amo a delegada Isadora, Luana.
LUANA: Eu já disse que você deve amar a mim, que sou sua esposa.
TIAGO: Não me importo. Eu sei que posso viver um grande amor novamente e não vai ser esse casamento de promessas que vai me fazer desistir de amar verdadeiramente mais uma vez.
LUANA: Casamento sem promessas?
(Luana dá um tapa na cara de Tiago)
Cena 7/ Mansão Bertolin/ Quarto de Luiza/ Interno/ Noite
(Alguém bate na porta e Felipe atende)
FELIPE: Algum problema, Francisca?
FRANCISCA: Tem um homem lá embaixo querendo falar com a dona Luiza.
LUIZA: Comigo?
FRANCISCA: Exatamente.
Cena 8/ Mansão Bertolin/ Sala de estar/ Interno/ Noite
(Luiza e Felipe descem. Eles vêem um homem vestido de terno e gravata)
LUIZA: Quem é o senhor?
FERREIRA: Sou o advogado Antônio Ferreira. Estou a serviço de Vitor Amorim.
FELIPE: O que aquele delinqüente quer?
FERREIRA: Prefiro que o senhor não ofenda o meu cliente. Bom, o Vitor deseja marcar um encontro com Luiza Bertolin amanhã à noite.
LUIZA: Diga a ele que eu não vou.
FERREIRA: Ele deixou bem claro que haverá conseqüências drásticas se você não for.
FELIPE: Não se preocupe, meu amor. A gente repete o mesmo processo que fizemos quando ele marcou um encontro com você na última vez.
FERREIRA: Ah, ele me deixou uma ressalva. A Luiza deve ir sozinha e sem nenhum representante. Entenderam?
Cena 9/ Restaurante/ Interno/Noite
(Solano e Vera estão sentados à mesa frente a frente)
VERA: O Vitor fez uma confusão quando eu contei que estávamos namorando.
SOLANO: Sabia que ele não iria aceitar o nosso relacionamento.
VERA: Mas eu não serei submissa às vontades dele. Eu quero comandar a minha própria vida, fazer o que me deixa bem.
SOLANO: É assim que se fala, meu amor.
VERA: E eu também quero ficar perto daqueles que eu amo. Solano, você aceita morar comigo, na minha mansão?
Cena 10/ Mansão Bertolin/ Quarto de Tiago/ Interno/ Noite
LUANA: Você realmente não sabe agradar uma mulher, Tiago. Nunca se fala coisas boas a respeito de outras mulheres na frente da sua própria esposa.
TIAGO: Chega, Luana. CHEGA. Eu passei meses da minha vida sacrificando minha felicidade em prol da sua. Eu não quero mais viver esse sacrifício. Já está na hora de você sacrificar a sua felicidade em prol da minha.
LUANA: O que você está querendo dizer com isso, Tiago?
TIAGO: Eu quero o divórcio, Luana. Eu quero me separar de você.
(Congela em Luana. Toca Never Let me Go – Florence)

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