Capítulo 35
ÚLTIMAS SEMANAS
Cena 1/Mansão Grimaldi/Sala de
Estar/Manhã
Olavo, parado e com lágrimas nos
olhos, encara Victoria.
OLAVO – Não, Victoria. Não pode
ser! Não pode ser!
VICTORIA – Infelizmente é a mais
pura verdade, Olavo. Nossa filha está morta!
Victoria chora e Franco a abraça.
FRANCO – Calma, meu amor.
OLAVO – Tem certeza que isso não foi
um trote? Uma brincadeira sem graça?
VICTORIA – Tenho certeza absoluta.
Antes fosse só uma brinca de mau gosto, mas não, Olavo! A nossa
filha sofreu um acidente de carro e está morta. A nossa menininha
morreu!
Victoria, aos prantos, abraça Olavo,
que também chora.
Cena 2/Mansão Garcia/Quarto de
Alice/Manhã
Fábio e Alice aos beijos. Eles param
de se beijar e deitam-se na cama, olhando para o teto.
FÁBIO – Uau!
ALICE – Nada melhor do que sexo pela
manhã!
Alice e Fábio riem.
FÁBIO – Você não acha arriscado?
ALICE – O quê?
FÁBIO – E se o Olavo chegar aqui e
nos flagrar? Ele vai matar nós dois!
ALICE – O Olavo está muito ocupado
no momento.
FÁBIO – E eu posso saber com o que
é?
ALICE – Deve estar chorando as
pitangas.
FÁBIO – Por qual motivo? Me diz!
ALICE – A filha dele, Estrela, está
morta!
Fábio se surpreende.
FÁBIO – A Estrela morreu? Meu Deus!
E como?
ALICE – Ainda não sei. Mas tenho
certeza que ela passou dessa pra melhor!
FÁBIO – Que coisa, não.
ALICE – Mas eu não te trouxe aqui
pra falar do meu marido ou da filhinha dele. Você sabe o que eu
quero!
FÁBIO – Sei e vou te dar!
ALICE – Obediente... Assim que eu
gosto!
Fábio e Alice se beijam e voltam a
transar.
Cena 3/Delegacia/Sala do
Delegado/Manhã
DELEGADO – Então quer dizer que você
tem provas de que sua mãe cometeu um crime?
BIANCA – Sim.
DELEGADO – E que provas seriam essas?
BIANCA – Uma gravação onde o homem
que incendiou a boutique, confessa que só fez isso porque a minha
mãe o pagou.
DELEGADO – E onde está esse homem?
BIANCA – Sumiu misteriosamente!
DELEGADO – E você suspeita de algo?
BIANCA – Nada mais, nada menos que
queima de arquivo!
DELEGADO – As suas acusações são
muito graves, sabia? Elas podem definir o futuro da sua própria mãe!
BIANCA – Eu sei muito bem e é
justamente por isso que estou aqui. Rebeca é minha mãe, mas não é
por isso que vou deixá-la impune! Ela destruiu a boutique da Bárbara
só pra que eu não trabalhasse. Ela é louca e precisa pagar por
isso!
DELEGADO – E eu posso ouvir essa
gravação?
BIANCA – Claro!
Bianca tira o celular da bolsa e coloca
na gravação. Ela e o delegado ouvem.
Cena 4/Mansão
Albuquerque/Entrada/Manhã
A campainha toca e a empregada vai
atender.
EMPREGADA – Bom dia, dona Cristina.
CRISTINA – Cadê a tua patroa?
EMPREGADA – Esperando a senhorita em
seu quarto.
Cristina passa pela empregada e sobe as
escadas.
EMPREGADA – Mal educada!
Cena 5/Mansão Albuquerque/Quarto de
Renata/Manhã
Cristina bate na porta e entra. Paloma
está sentada na cama e a encara.
CRISTINA – PALOMA?
PALOMA – Não esperava me ver de
novo, não é?
CRISTINA – O que você está fazendo
aqui? Devia estar na cadeia!
PALOMA – E eu estava, mas saí.
Resolvi dar uma voltinha e te rever!
CRISTINA – Não vai me dizer que seu
lado homossexual aflorou e você se apaixonou por mim?
PALOMA – Não, longe de mim! Eu só
precisava reencontrar você, para acertar as contas.
CRISTINA – Vai me bater de novo?
PALOMA – Não! Não dessa vez.
CRISTINA – Então o que você quer?
PALOMA – Saber por que você fez isso
comigo e com a minha mãe!
CRISTINA – Porque eu quis! Me foi
conveniente.
PALOMA – Você não tem escrúpulos
mesmo.
CRISTINA – Escrúpulo é o tipo de
palavra que eu risquei do meu dicionário.
PALOMA – Dignidade e lealdade também.
CRISTINA – Principalmente!
PALOMA – Eu confiei em você,
Cristina. Minha mãe confiou em você e você nos traiu!
CRISTINA – Pera aí, pera aí, eu não
fui à única que traiu e enganou vocês duas, não! Adriana e Marcos
também são culpados. Ele era o futuro marido da sua mãe, se passou
por romântico e tudo pra no final de contas passar a perna nela. E a
Adriana? Dizia ser a melhor amiga da Renata e no também estava
planejando dar um golpe nela. Mas aí eu fui mais esperta e consegui
dar um belo golpe nela.
PALOMA – E no Marcos? Você pretende
fazer o mesmo?
CRISTINA – Quem sabe.
PALOMA – Você é uma vagabunda!
CRISTINA – Olha, Paloma, eu não
estou para humilhação matinal! Cadê a Renata?
Renata abre a porta e entra no quarto.
RENATA – Aqui!
Cristina se vira e Renata lhe dá uma
bofetada.
RENATA – VADIA! EU CONFIEI EM VOCÊ!
MALDITA!
CRISTINA – Eu não tenho culpa se
você foi otária!
RENATA – E ainda me ofende?
Renata dá outra bofetada em Cristina.
RENATA – Fora da minha casa! Fora!
CRISTINA – Eu só não devolvo essas
bofetadas porque tenho pena de você. Pena!
Cristina passa por Renata, que segura
seu braço.
RENATA – E ai de você se contar pra
alguém que a Paloma está aqui! Eu te mato!
Cristina encara Renata, puxa seu braço
e vai embora.
PALOMA – Você acha que ela vai fazer
alguma coisa?
RENATA – Não, ela não vai!
Cena 6/Mansão Grimaldi/Sala de
Estar/Manhã
Olavo tenta ligar para Alice, mas seu
celular só cai na caixa postal.
VICTORIA – Tentando ligar para a sua
piranhinha, Olavo?
OLAVO – Não fala assim dela!
VICTORIA – Talvez ela não esteja
atendendo porque está ocupada demais... Com um amante!
FRANCO – Victoria!
VICTORIA – Por que ela não veio com
você?
OLAVO – Ficou com receio da sua
reação se eu entrasse por aquela porta com ela.
VICTORIA – Fez certo. Se ela
colocasse os pés novamente na minha casa, sairia num caixote do IML!
Olavo e Victoria se encaram.
Cena 7/Mansão
Montenegro/Corredor/Tarde
Odete passa pelo corredor e, perto da
escada, Rebeca a puxa pelo braço.
ODETE – Me solta, sua louca! Eu
poderia ter caído da escada!
REBECA – E se essa for a minha
intenção?
ODETE – Você seria capaz de me
matar?
REBECA – Você sabe muito bem do que
eu sou capaz!
ODETE – Então vai, me empurra! Me
mata!
REBECA – Seria pouco perto do que
pretendo fazer contigo.
ODETE – Isso é uma ameaça?
REBECA – Eu diria que é um recado!
Toma cuidado onde você se mete, Odete. Toma cuidado!
Rebeca solta Odete e desce as escadas.
Odete a observa.
Cena 8/Mansão Guimarães/Sala/Tarde
Estevão desce as escadas. Victoria
está sentada no sofá e ao vê-lo, levanta-se.
ESTEVÃO – Victoria?
VICTORIA – Boa tarde, querido.
ESTEVÃO – Boa tarde!
Eles se cumprimentam com dois beijos na
bochecha.
ESTEVÃO – Veio falar com a minha
mãe?
VICTORIA – Também, mas pelo visto
ela não se encontra.
ESTEVÃO – Não, ela não está.
Minha mãe foi pra boutique e meu pai pra empresa! Mas por quê?
VICTORIA – Estevão, o que eu tenho
pra te falar é algo sério.
ESTEVÃO – Sério? O quê?
VICTORIA – Você tem que ser forte.
ESTEVÃO – O que isso significa? Me
fala, Victoria!
VICTORIA – A Estrela... Ela... Ela...
ESTEVÃO – Ela o quê? Eu quero
saber! Me fala! O que aconteceu com a minha Estrela?
Victoria chora.
ESTEVÃO – Não vai me dizer que...
Victoria faz que sim com a cabeça,
seca as lágrimas e olha para Estevão.
VICTORIA – A Estrela está morta!
CORTA PARA:
ANOITECE
Cena 9/Mansão Grimaldi/Quarto de
Victoria/Noite
Victoria está sentada na cama, tirando
seu salto alto. Franco está sentado também, lendo um livro.
FRANCO – E então, meu amor, como
foi?
VICTORIA – Difícil, para nós dois.
FRANCO – Eu imagino como você se
sente.
VICTORIA – A dor que eu sinto é
inimaginável, meu amor.
Franco se aproxima de Victoria e a
abraça por trás.
VICTORIA – Eu quero a minha filha!
FRANCO – Eu vou te ajudar a superar
essa dor, por mais difícil que seja! Eu estarei contigo em todos os
momentos, meu amor. Todos!
Victoria sorri de leve. Franco beija
sua nuca.
Cena 10/Copacabana Palace/Quarto de
Cristina e Marcos/Noite
Marcos está no banho. Cristina pega
seu celular, digita uns números e leva-o ao ouvido.
CRISTINA – Alô? É da polícia? Eu
tenho uma denúncia a fazer!
CORTA PARA:
Cena 11/Mansão
Albuquerque/Entrada/Noite
A campainha toca e Renata abre a porta.
Ela se depara com dois policias e um delegado.
RENATA – Em que posso ajudar?
DELEGADO – Nós viemos buscar a
senhorita Paloma Ferreira.
RENATA – Vocês se enganaram de
endereço. Aqui não tem nenhuma Paloma!
DELEGADO – Não adianta esconder de
nós a verdade, dona Renata. Eu tenho um mandado judicial para
vasculhar essa casa até encontrá-la! Agora resta saber se você vai
colaborar com o nosso trabalho ou não.
Renata, encurralada, encara o delegado.
Cena 12/Mansão Guimarães/Sala/Noite
Estevão acabara de contar sobre o
acidente de Estrela para Bárbara e Fernando.
BÁRBARA – Não, meu filho, isso não
pode ser verdade!
ESTEVÃO – Infelizmente é, mamãe. A
minha Estrela está morta!
Estevão chora e Fernando o abraça.
FERNANDO – Não fica assim, filho!
Cena 13/Mansão
Montenegro/Escritório/Noite
Rebeca abre a porta do escritório,
entra e o fecha. Ela senta-se na cadeira e pega o abridor de cartas,
levando-o à frente de seu rosto.
REBECA – Você vai me pagar, Odete!
Cena 14/Mansão Guimarães/Sala/Noite
A campainha toca e a empregada vai
abrir. Alice entra e se depara com Fernando abraçado à Estevão e
Bárbara sentada em sua poltrona, sem acreditar no que acabara de
ouvir. Ao ver Alice, eles se levantam.
BÁRBARA – ALICE?
FERNANDO – O que você está fazendo
aqui?
ALICE – Vim prestar condolências ao
meu amado Estevão. Você deve estar arrasado com a perda, não é
mesmo, amor?
Alice, com um sorriso cínico, encara
Estevão, que lhe fuzila com os olhos.
Toca I want you to Know – Selena
Gomez feat. Zedd
FIM DE CAPÍTULO

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